{"id":1128,"date":"2024-09-03T11:06:11","date_gmt":"2024-09-03T14:06:11","guid":{"rendered":"https:\/\/new.contandohistorias.com.br\/?p=1128"},"modified":"2024-09-03T11:06:15","modified_gmt":"2024-09-03T14:06:15","slug":"eu-o-menino-e-o-cao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/contandohistorias.com.br\/?p=1128","title":{"rendered":"Eu, o menino e o c\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-rich is-provider-incorporar-manipulador wp-block-embed-incorporar-manipulador\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-1128-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/www.contandohistorias.com.br\/mp3\/2006580.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/www.contandohistorias.com.br\/mp3\/2006580.mp3\">https:\/\/www.contandohistorias.com.br\/mp3\/2006580.mp3<\/a><\/audio>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><strong><em>Por F\u00e1tima Soares Rodrigues<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>E eu s\u00f3 reclamava da vida, reclamava da noite porque eu n\u00e3o dormia, reclamava do dia porque eu sofria, reclamava do frio que me gelava a alma, reclamava do calor que me atirava ao des\u00e2nimo. Para tudo e para todos eu tinha uma resposta, para a minha derrota eu sempre tinha um culpado, para o meu desamor sempre tinha um &#8220;algu\u00e9m&#8221;, para tudo uma reclama\u00e7\u00e3o, eu era o pr\u00f3prio azedume<\/p>\n\n\n\n<p>Ai de quem me criticasse, que apontasse o erro que eu n\u00e3o enxergava, para tudo tinha que haver um culpado, eu era a v\u00edtima do sistema, das pessoas, do mundo, eu sempre fui tra\u00eddo, enganado, sofrido.<\/p>\n\n\n\n<p>Carregava aquela cruz pesada de \u00f3dio, e eu s\u00f3 reclamava da vida, seja de noite, seja de dia.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 quem dia, um menino, desses meninos de rua, me pediu uma ajuda, e eu j\u00e1 estava pronto para ofend\u00ea-lo, quando ele pegou na minha m\u00e3o e arrastou-me, se \u00e9 que um menino t\u00e3o pequeno teria essa for\u00e7a. No canto da rua ele me mostrou um cachorro muito sujo, que estava com a pata parecendo quebrada e cheio de feridas. O menino puxou a minha m\u00e3o e me fez chegar perto do cachorro. Ele olhava pra mim e depois para o cachorro, e falou numa voz que eu n\u00e3o consigo esquecer:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Mo\u00e7o, sara ele pra mim! \u00e9 o meu melhor amigo.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o sei porque e nem quero saber, mas eu n\u00e3o aguentei e chorei. Chorei como crian\u00e7a, como quem abre uma torneira, como se uma porta que estava fechada h\u00e1 muito tempo dentro de mim, se abrisse escancaradamente.<\/p>\n\n\n\n<p>O menino n\u00e3o entendeu o meu choro e perguntou:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Ele vai morrer mo\u00e7o? \u00c9 grave assim?<\/p>\n\n\n\n<p>Despertei do meu choro e agarrei aquele cachorro com muito cuidado. Levei-o at\u00e9 a minha casa, poucos quarteir\u00f5es dali, e tratei daquele cachorro como se fosse um filho. E o menino, que vivia pelas ruas, foi ficando, e cuidou de mim, curou minhas feridas, antes mesmo de eu curar as feridas do cachorro.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, n\u00e3o reclamo mais de nada, tudo para mim tem um sentido, tudo \u00e9 perfeito, at\u00e9 o que d\u00e1 errado. Faz 16 anos que o menino de rua pegou na minha m\u00e3o, mudou a minha vida, transformou esse ser. Mostrou-me o caminho do amor, amor que restaura, cura, seca feridas, renova, traz esperan\u00e7a, e esperan\u00e7a \u00e9 o nome do amor.<\/p>\n\n\n\n<p>E esse menino, que hoje me chama de pai, destranca portas e janelas da minha alma todos os dias, quando segura na minha m\u00e3o e me agradece por cada coisa t\u00e3o pequena, os banhos, as roupas, a comida, a escola, a ado\u00e7\u00e3o, coisas que muita gente tem e n\u00e3o d\u00e1 nenhum valor, ele me recompensa com carinho e dedica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje \u00e9 a sua formatura, e eu nem sei o que dizer, sou grato a Deus por ele entrar na minha vida, por quebrantar meu cora\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o largar mais a minha m\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por F\u00e1tima Soares Rodrigues E eu s\u00f3 reclamava da vida, reclamava da noite porque eu n\u00e3o dormia, reclamava do dia porque eu sofria, reclamava do frio que me gelava a alma, reclamava do calor que me atirava ao des\u00e2nimo. 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