{"id":1220,"date":"2024-09-03T20:21:37","date_gmt":"2024-09-03T23:21:37","guid":{"rendered":"https:\/\/new.contandohistorias.com.br\/?p=1220"},"modified":"2024-09-03T20:21:40","modified_gmt":"2024-09-03T23:21:40","slug":"interrompendo-as-buscas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/contandohistorias.com.br\/?p=1220","title":{"rendered":"Interrompendo as buscas"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-rich is-provider-incorporar-manipulador wp-block-embed-incorporar-manipulador\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-1220-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/www.contandohistorias.com.br\/mp3\/2004142.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/www.contandohistorias.com.br\/mp3\/2004142.mp3\">https:\/\/www.contandohistorias.com.br\/mp3\/2004142.mp3<\/a><\/audio>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Martha Medeiros.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>ASSISTINDO AO \u00d3TIMO &#8220;CLOSER &#8211; Perto demais&#8221; , me veio \u00e0 lembran\u00e7a um poema chamado &#8221; Salva\u00e7\u00e3o &#8221; , de Nei Ducl\u00f3s, que tem um verso bonito que diz: &#8221; Nenhuma pessoa \u00e9 lugar de repouso &#8221; . Volta e meia este verso me persegue, e ele caiu como uma luva para a hist\u00f3ria que eu acompanhava dentro do cinema, em que quatro pessoas relacionam-se entre si e nunca se d\u00e3o por satisfeitas, seguindo sempre em busca de algo que n\u00e3o sabem exatamente o que \u00e9. N\u00e3o h\u00e1 intera\u00e7\u00e3o com outros personagens ou com as quest\u00f5es banais da vida. \u00c9 uma egotrip que n\u00e3o permite avan\u00e7o, que n\u00e3o encontra uma sa\u00edda &#8211; o que \u00e9 ir\u00f4nico, pois o maior medo dos quatro \u00e9 justamente a paralisia, precisam estar sempre em movimento. Eles certamente assinariam embaixo: nenhuma pessoa \u00e9 lugar de repouso.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar dos di\u00e1logos divertidos, \u00e9 um filme triste. Seco. Uma mirada microsc\u00f3pica sobre o que o terceiro mil\u00eanio tem a nos oferecer: um amplo leque de op\u00e7\u00f5es sexuais e descompromisso total com a eternidade &#8211; nada foi feito pra durar. Quem n\u00e3o estiver feliz, \u00e9 s\u00f3 fazer a mala e bater a porta. Rela\u00e7\u00f5es mais honestas, mais pr \u00e1ticas e mais excitantes. Deveria parecer o para\u00edso, mas o fato \u00e9 que sa\u00edmos do cinema com um gosto amargo na boca.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o tempo, nos tornamos pessoas maduras, aprendemos a lidar com as nossas perdas e j\u00e1 n\u00e3o temos tantas ilus\u00f5es. Sabemos que n\u00e3o iremos encontrar uma pessoa que, sozinha, conseguir\u00e1 corresponder 100% a todas as nossas expectativas &#8211; sexuais, afetivas e intelectuais. Os que n\u00e3o se conformam com isso adotam o rod\u00edzio e aproveitam a vida. Que bom, que maravilha, ent\u00e3o deveriam sofrer menos, n\u00e3o? O problema \u00e9 que ningu\u00e9m \u00e9 t\u00e3o maduro a ponto de abrir m \u00e3o do que lhe restou de inoc\u00eancia. Ainda d\u00f3i trocar o romantismo pelo ceticismo, ainda guardamos resqu\u00edcios dos contos de fada. Mesmo a vida l\u00e1 fora flertando descaradamente conosco, nos seduzindo com propostas tipo &#8221; leve dois, pague um &#8221; , tamb\u00e9m nos parece tentadora a id\u00e9ia de contrariar o verso de Ducl\u00f3s e encontrar algu\u00e9m que acalme nossa histeria e nos fa\u00e7a interromper as buscas.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 nada de errado em curtir a mansid\u00e3o de um relacionamento que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 apaixonante, mas que oferece em troca a ben\u00e7\u00e3o da intimidade e do sil\u00eancio compartilhado, sem ningu\u00e9m mais precisar se preocupar em mentir ou dizer a verdade. Quando se est\u00e1 h\u00e1 muitos anos com a mesma pessoa, h\u00e1 grande chance de ela conhecer bem voc\u00ea, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 preciso ficar explicando a todo instante suas contradi \u00e7\u00f5es, seus motivos, seus desejos. Economiza-se muito em palavras, os gestos falam por si. Quer coisa melhor do que poder ficar quieto ao lado de algu\u00e9m, sem que nenhum dos dois se atrapalhe com isso?<\/p>\n\n\n\n<p>Longas rela\u00e7\u00f5es conseguem atravessar a fronteira do estranhamento, um vira p\u00e1tria do outro. Amizade com sexo tamb\u00e9m \u00e9 um jeito leg\u00edtimo de se relacionar, mesmo n\u00e3o sendo bem encarado pelos ca\u00e7adores de emo\u00e7\u00f5es. N\u00e3o \u00e9 pela ansiedade que se mede a grandeza de um sentimento. Sentar, ambos, de frente pra lua, havendo lua, ou de frente pra chuva, havendo chuva, e juntos fazerem um brinde com as ta\u00e7as, contenham elas vinho ou caf\u00e9, a isso chama-se tr\u00e9gua. Uma rela \u00e7\u00e3o calma entre duas pessoas que, sem se preocuparem em ser modernos ou eternos, fizeram um do outro seu lugar de repouso. Pregui\u00e7a de voltar \u00e0 ativa? Muitas vezes, \u00e9. Mas tamb\u00e9m, v\u00e1 saber, pode ser amor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Martha Medeiros. 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