{"id":1265,"date":"2024-09-03T20:44:26","date_gmt":"2024-09-03T23:44:26","guid":{"rendered":"https:\/\/new.contandohistorias.com.br\/?p=1265"},"modified":"2024-09-03T20:44:30","modified_gmt":"2024-09-03T23:44:30","slug":"luz-na-escuridao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/contandohistorias.com.br\/?p=1265","title":{"rendered":"Luz na escurid\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-rich is-provider-incorporar-manipulador wp-block-embed-incorporar-manipulador\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-1265-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/www.contandohistorias.com.br\/mp3\/2004151.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/www.contandohistorias.com.br\/mp3\/2004151.mp3\">https:\/\/www.contandohistorias.com.br\/mp3\/2004151.mp3<\/a><\/audio>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>Um dia, um menino de 3 anos estava na oficina do pai, vendo-o fazer arreios e selas. Quando crescesse, queria ser igual ao pai.<\/p>\n\n\n\n<p>Tentando imit\u00e1-lo, tomou um instrumento pontudo e come\u00e7ou a bater numa tira de couro. O instrumento escapou da pequena m\u00e3o, atingindo-lhe o olho esquerdo.<\/p>\n\n\n\n<p>Logo mais, uma infec\u00e7\u00e3o atingiu o olho direito e o menino ficou totalmente cego.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o passar do tempo, embora se esfor\u00e7asse para se lembrar, as imagens foram gradualmente desaparecendo e ele n\u00e3o se lembrava mais das cores. Aprendeu a ajudar o pai na oficina, trazendo ferramentas e pe\u00e7as de couro.<\/p>\n\n\n\n<p>Ia para a escola e todos se admiravam da sua mem\u00f3ria. De verdade, ele n\u00e3o estava feliz com seus estudos. Queria ler livros. Escrever cartas, como os seus colegas. Um dia, ouviu falar de uma escola para cegos. Aos dez anos, Louis chegou a Paris, levado pelo pai e se matriculou no instituto nacional para crian\u00e7as cegas<\/p>\n\n\n\n<p>Ali havia livros com letras grandes em relevo. Os estudantes sentiam, pelo tato, as formas das letras e aprendiam as palavras e frases. Logo o jovem Louis descobriu que era um m\u00e9todo limitado. As letras eram muito grandes. Uma hist\u00f3ria curta enchia muitas p\u00e1ginas. O processo de leitura era muito demorado. A impress\u00e3o de tais volumes era muito cara. Em pouco tempo o menino tinha lido tudo que havia na biblioteca. Queria mais. Como adorava m\u00fasica, tornou-se estudante de piano e violoncelo. O amor \u00e0 m\u00fasica agu\u00e7ou seu desejo pela leitura. Queria ler tamb\u00e9m notas musicais.<\/p>\n\n\n\n<p>Passava noites acordado, pensando em como resolver o problema. Ouviu falar de um capit\u00e3o do ex\u00e9rcito que tinha desenvolvido um m\u00e9todo para ler mensagens no escuro. A escrita noturna consistia em conjuntos de pontos e tra\u00e7os em relevo no papel. Os soldados podiam, correndo os dedos sobre os c\u00f3digos, ler sem precisar de luz.<\/p>\n\n\n\n<p>Ora, se os soldados podiam, os cegos tamb\u00e9m podiam, pensou o garoto. Procurou o capit\u00e3o Barbier que lhe mostrou como funcionava o m\u00e9todo. Fez uma s\u00e9rie de furinhos numa folha de papel, com um furador muito semelhante ao que cegara o pequeno.<\/p>\n\n\n\n<p>Noite ap\u00f3s noite e dia ap\u00f3s dia, Louis trabalhou no sistema de Barbier, fazendo adapta\u00e7\u00f5es e aperfei\u00e7oando-o. Suportou muita resist\u00eancia. Os donos do instituto tinham gasto uma fortuna na impress\u00e3o dos livros com as letras em relevo. N\u00e3o queriam que tudo fosse por \u00e1gua abaixo.<\/p>\n\n\n\n<p>Com persist\u00eancia, Louis Braille foi mostrando seu m\u00e9todo. Os meninos do instituto se interessavam. \u00c0 noite, \u00e0s escondidas, iam ao seu quarto, para aprender. Finalmente, aos 20 anos de idade, Louis chegou a um alfabeto leg\u00edvel com combina\u00e7\u00f5es variadas de um a seis pontos.<\/p>\n\n\n\n<p>O m\u00e9todo Braille estava pronto.<\/p>\n\n\n\n<p>O sistema permitia tamb\u00e9m ler e escrever m\u00fasica. A id\u00e9ia acabou por encontrar aceita\u00e7\u00e3o. Semanas antes de morrer, no leito do hospital, Louis disse a um amigo: &#8220;Tenho certeza de que minha miss\u00e3o na Terra terminou.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Dois dias depois de completar 43 anos, Louis Braille faleceu. Nos anos seguintes \u00e0 sua morte, o m\u00e9todo se espalhou por v\u00e1rios pa\u00edses. Finalmente, foi aceito como o m\u00e9todo oficial de leitura e escrita para aqueles que n\u00e3o enxergam.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, os livros puderam fazer parte da vida dos cegos. Tudo gra\u00e7as a um menino imerso em trevas, que dedicou sua vida a fazer luz para enriquecer a sua e a vida de todos os que se encontram privados da vis\u00e3o f\u00edsica.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 quem use suas limita\u00e7\u00f5es como desculpa para n\u00e3o agir nem produzir. No entanto, como tudo deve nos trazer aprendizado, a sabedoria est\u00e1, justamente, em superar as piores condi\u00e7\u00f5es e realizar o melhor para si e para os outros.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dia, um menino de 3 anos estava na oficina do pai, vendo-o fazer arreios e selas. Quando crescesse, queria ser igual ao pai. Tentando imit\u00e1-lo, tomou um instrumento pontudo e come\u00e7ou a bater numa tira de couro. O instrumento escapou da pequena m\u00e3o, atingindo-lhe o olho esquerdo. 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