{"id":1299,"date":"2024-09-04T21:03:01","date_gmt":"2024-09-05T00:03:01","guid":{"rendered":"https:\/\/new.contandohistorias.com.br\/?p=1299"},"modified":"2024-09-04T21:03:04","modified_gmt":"2024-09-05T00:03:04","slug":"meu-companheiro-de-viagem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/contandohistorias.com.br\/?p=1299","title":{"rendered":"Meu Companheiro de Viagem"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-rich is-provider-incorporar-manipulador wp-block-embed-incorporar-manipulador\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-1299-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/www.contandohistorias.com.br\/mp3\/2006610.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/www.contandohistorias.com.br\/mp3\/2006610.mp3\">https:\/\/www.contandohistorias.com.br\/mp3\/2006610.mp3<\/a><\/audio>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><strong><em>Texto de Edmund W. Boyle &#8211; tradu\u00e7\u00e3o de Sergio Barros<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Passei boa parte de minha vida profissional viajando, como vendedor. E sei que n\u00e3o h\u00e1 nada mais solit\u00e1rio do que um bando de viajantes fazendo suas refei\u00e7\u00f5es nos restaurantes dos hot\u00e9is.<\/p>\n\n\n\n<p>Certa vez, quando chegava de viagem, minha filha de cinco anos colocou um presente em minhas m\u00e3os. O papel que o embrulhava estava todo amassado e preso por metros de fita adesiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Lhe dei um beijo e um grande abra\u00e7o &#8211; do tipo que todos os pais d\u00e3o &#8211; e comecei a desembrulhar meu presente. Deu para perceber que o conte\u00fado era suave ent\u00e3o abri com muito cuidado para n\u00e3o causar nenhum estrago. Com muita expectativa, Jeanine permaneceu ao meu lado, com os olhinhos castanhos bem abertos, esperando que eu completasse o processo e revelasse minha surpresa.<\/p>\n\n\n\n<p>Um par de olhos pretos e brilhantes apareceram primeiro, depois um bico amarelo, uma gravata vermelha e p\u00e9s alaranjados. Era um ping\u00fcim empalhado com aproximadamente 30 cent\u00edmetros de altura.<\/p>\n\n\n\n<p>Colado na sua asa direita havia uma min\u00fascula placa de madeira, e uma frase pintada \u00e0 m\u00e3o &#8220;Eu te amo meu pai!&#8221;. Debaixo da frase um cora\u00e7\u00e3o desenhado, tamb\u00e9m \u00e0 m\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00e1grimas encheram meus olhos.<\/p>\n\n\n\n<p>Raramente passava muito tempo em casa e logo tive que sair para mais uma viagem de trabalho. Pela manh\u00e3, quando arrumava a bagagem, vi o ping\u00fcim sobre a c\u00f4moda. Naquela noite quando liguei para casa, Jeanine estava muito aborrecida porque o ping\u00fcim tinha desaparecido.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Querida, ele est\u00e1 aqui comigo. Expliquei-lhe. Eu o trouxe para me acompanhar.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois daquele dia, ela sempre me ajudou a preparar a bagagem e me avisava que o ping\u00fcim estava junto de minhas meias e do kit de barbear. Muito tempo se passou desde ent\u00e3o, e o pequeno ping\u00fcim viajou por muitos lugares. E fizemos muitos amigos ao longo do caminho.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Albuquerque, ap\u00f3s o dia de trabalho, quando retornei ao hotel, encontrei a cama arrumadinha e o ping\u00fcim carinhosamente colocado sobre o travesseiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Boston, quando retornei ao meu quarto, algu\u00e9m o assentou sobre um copo em cima do criado mudo, bem do lado da cama &#8211; nunca descobri quem foi e nem o prop\u00f3sito. Na manh\u00e3 seguinte eu o deixei sentado em uma cadeira. \u00c0 noite estava, outra vez, sentado no copo.<\/p>\n\n\n\n<p>Certa vez, no aeroporto, um inspetor pediu friamente que eu abrisse minha bagagem. E ajeitadinho, por cima de tudo, estava meu pequeno amigo. Segurando-o no alto, o agente disse:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Isto \u00e9 a coisa mais valiosa que eu vi em todos os meus anos de trabalho. Agrade\u00e7a a Deus que n\u00f3s n\u00e3o cobramos imposto sobre amor.<\/p>\n\n\n\n<p>Noutra noite, ap\u00f3s dirigir por cento e tantos quil\u00f4metros, ao desfazer minha bagagem, eu descobri que faltava o meu ping\u00fcim.<\/p>\n\n\n\n<p>Freneticamente, liguei para o hotel de onde tinha sa\u00eddo. O atendente meio incr\u00e9dulo e cheio de goza\u00e7\u00e3o, riu e disse que nada parecido tinha lhe sido comunicado. Apesar de tudo, meia hora mais tarde, me ligou para dizer que meu ping\u00fcim tinha sido encontrado.<\/p>\n\n\n\n<p>Era tarde da noite, mas n\u00e3o para isso. Sem pestanejar, voltei para meu carro e dirigi mais um par de horas para recuperar meu insepar\u00e1vel companheiro de viagem.<\/p>\n\n\n\n<p>Jeanine hoje est\u00e1 na faculdade e eu j\u00e1 n\u00e3o viajo tanto quanto antes. O ping\u00fcim passa a maior parte do tempo sentado na c\u00f4moda de meu quarto, me lembrando sempre que o amor \u00e9 o melhor companheiro de viagem.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Colabora\u00e7\u00e3o de Wilma Santiago<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto de Edmund W. Boyle &#8211; tradu\u00e7\u00e3o de Sergio Barros Passei boa parte de minha vida profissional viajando, como vendedor. E sei que n\u00e3o h\u00e1 nada mais solit\u00e1rio do que um bando de viajantes fazendo suas refei\u00e7\u00f5es nos restaurantes dos hot\u00e9is. Certa vez, quando chegava de viagem, minha filha de cinco anos colocou um presente [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_uag_custom_page_level_css":"","footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-1299","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-historias","post-preview"],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"post-image":false},"uagb_author_info":{"display_name":"Rubens","author_link":"https:\/\/contandohistorias.com.br\/?author=1"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Texto de Edmund W. Boyle &#8211; tradu\u00e7\u00e3o de Sergio Barros Passei boa parte de minha vida profissional viajando, como vendedor. E sei que n\u00e3o h\u00e1 nada mais solit\u00e1rio do que um bando de viajantes fazendo suas refei\u00e7\u00f5es nos restaurantes dos hot\u00e9is. Certa vez, quando chegava de viagem, minha filha de cinco anos colocou um presente&hellip;","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/contandohistorias.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1299","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/contandohistorias.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/contandohistorias.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/contandohistorias.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/contandohistorias.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1299"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/contandohistorias.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1299\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1300,"href":"https:\/\/contandohistorias.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1299\/revisions\/1300"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/contandohistorias.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1299"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/contandohistorias.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1299"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/contandohistorias.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1299"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}