{"id":1362,"date":"2024-09-05T21:26:55","date_gmt":"2024-09-06T00:26:55","guid":{"rendered":"https:\/\/new.contandohistorias.com.br\/?p=1362"},"modified":"2024-09-05T21:26:57","modified_gmt":"2024-09-06T00:26:57","slug":"o-alfaiate-e-o-tesouro-de-bresa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/contandohistorias.com.br\/?p=1362","title":{"rendered":"O Alfaiate e o Tesouro de Bresa"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-rich is-provider-incorporar-manipulador wp-block-embed-incorporar-manipulador\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-1362-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/www.contandohistorias.com.br\/mp3\/2006484.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/www.contandohistorias.com.br\/mp3\/2006484.mp3\">https:\/\/www.contandohistorias.com.br\/mp3\/2006484.mp3<\/a><\/audio>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>Conta-se que houve, outrora, na Babil\u00f4nia &#8211; a famosa cidade dos Jardins Suspensos &#8211; um pobre e modesto Alfaiate, chamado Enedim. Homem inteligente e trabalhador, que, por suas boas qualidades e amor no cora\u00e7\u00e3o, era muito querido no bairro em que morava. Enedim passava o dia inteiro, de manh\u00e3 \u00e0 noite, cortando, costurando e preparando as roupas de seus numerosos fregueses, e, embora, muito pobre, n\u00e3o perdia a esperan\u00e7a de vir a ser muito rico, senhor de muitos Pal\u00e1cios e grandes tesouros.<\/p>\n\n\n\n<p>Como conquistar, por\u00e9m, essa t\u00e3o ambicionada riqueza? &#8211; pensava o m\u00edsero alfaiate, passando e repassando a agulha grossa de seu of\u00edcio &#8211; Como descobrir um desses famosos tesouros que se acham escondidos na terra ou perdidos nas profundezas do mar? Ouvira contar, em palestra com estrangeiros vindos do Egito, da S\u00edria e da Gr\u00e9cia, hist\u00f3rias prodigiosas de aventureiros que haviam topado com cavernas imensas, cheias de ouro&#8230; Grutas profundas crivadas de brilhantes&#8230; Caixas pesad\u00edssimas a transbordar de p\u00e9rolas. E n\u00e3o poderia ele, \u00e0 semelhan\u00e7a desses aventureiros felizes, descobrir um tesouro fabuloso e tornar-se, assim, de um momento para o outro, o homem mais rico daquelas terras? Ah! Se tal coisa acontecesse, ele seria, ent\u00e3o, senhor de um imenso e magn\u00edfico pal\u00e1cio&#8230; Teria numerosos escravos e, todas as tardes, num grande carro de ouro, tirado por mansos le\u00f5es, passearia, de seu vagar, sobre as muralhas da Babil\u00f4nia, cortejando amistosamente os Pr\u00edncipes ilustres da casa Real.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim meditava o bondoso Enedim, divagando por t\u00e3o long\u00ednquas riquezas, quando lhe parou \u00e0 porta da casa um velho mercador da Gr\u00e9cia, que vendia tapetes, imagens, pedras coloridas e uma infinidade de outros objetos extravagantes t\u00e3o apreciados pelos Babil\u00f4nios. Por mera curiosidade, come\u00e7ou Enedim a examinar as bugigangas que o vendedor lhe oferecia, quando descobriu, entre elas, uma esp\u00e9cie de livro de muitas folhas, onde se viam caracteres estranhos e desconhecidos. Era uma preciosidade aquele livro, afirmava o mercador, passando as m\u00e3os \u00e1speras pelas barbas que lhe caiam sobre o peito, e custava apenas tr\u00eas dinares. Tr\u00eas dinares. Era muito dinheiro para o pobre alfaiate. Para possuir um objeto t\u00e3o curioso e raro, Enedim seria capaz de gastar at\u00e9 os dois \u00faltimos dinares que possu\u00eda.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Est\u00e1 bem &#8211; concordou o mercador &#8211; fica-lhe o livro por dois dinares, mas esteja certo de que lhe foi de gra\u00e7a!<\/p>\n\n\n\n<p>Afastou-se o vendedor e Enedim tratou, sem demora, de examinar cuidadosamente a preciosidade que havia adquirido. Qual n\u00e3o foi a sua surpresa quando conseguiu decifrar, na primeira p\u00e1gina, a seguinte legenda, escrita em complicados caracteres caldaicos: &#8220;O segredo do tesouro de Bresa&#8221;. Por Deus! Aquele livro maravilhoso, cheio de mist\u00e9rio, ensinava, com certeza, onde se encontrava algum tesouro fabuloso! O TESOURO DE BRESA! Mas, que tesouro seria esse? Enedim recordava-se vagamente, de j\u00e1 ter ouvido qualquer refer\u00eancia a ele. Mas quando? Onde? E com o cora\u00e7\u00e3o a bater descompassadamente, decifrou ainda: &#8220;O tesouro de Bresa, enterrado pelo g\u00eanio do mesmo nome entre as montanhas do Harbatol, foi ali esquecido, e ali se acha ainda, at\u00e9 que algum homem esfor\u00e7ado venha a encontr\u00e1-lo&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Harbatol? Que montanhas seriam essas que encerravam todo o ouro fabuloso de um g\u00eanio? E o esfor\u00e7ado alfaiate, disp\u00f4s-se a decifrar todas as p\u00e1ginas daquele livro, e ver se atinava, custasse o que custasse, com o segredo de Bresa, para apoderar-se do tesouro imenso que o capricho de seu possuidor fizera enterrar nalguma gruta perdida entre as montanhas. As primeiras p\u00e1ginas eram escritas em caracteres de v\u00e1rios povos. Enedim foi obrigado a estudar os hier\u00f3glifos eg\u00edpcios, a l\u00edngua dos gregos, os dialetos persas, o complicado idioma dos judeus.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao fim de tr\u00eas anos, deixava Enedim a antiga profiss\u00e3o de alfaiate, e passava a ser o int\u00e9rprete do Rei, pois na cidade n\u00e3o havia quem soubesse tantos idiomas estrangeiros. O cargo de int\u00e9rprete do Rei era bem rendoso. Ganhava Enedim, cem dinares por dia; ademais morava numa grande casa, tinha muitos criados e todos os nobres da corte o saudavam respeitosamente.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o desistiu, por\u00e9m, o esfor\u00e7ado Enedim, de descobrir o grande mist\u00e9rio de Bresa. Continuando a ler o livro encantado, encontrou v\u00e1rias p\u00e1ginas cheias de c\u00e1lculos, n\u00fameros e figuras. E, a fim de ir compreendendo o que lia, foi obrigado a estudar Matem\u00e1tica com calculistas da cidade, tornando-se, ao cabo de pouco tempo, grande conhecedor das complicadas transforma\u00e7\u00f5es aritm\u00e9ticas. Gra\u00e7as a esses novos conhecimentos adquiridos, pode Enedim calcular, desenhar e construir uma grande ponte sobre o Eufrates; esse trabalho agradou tanto ao Rei, que o monarca resolveu nomear Enedim para exercer o cargo de Prefeito. O amigo e humilde alfaiate passava, assim, a ser um dos homens mais not\u00e1veis da cidade. Ativo e sempre empenhado em desvendar o segredo do tal livro, foi compelido a estudar profundamente as leis, os princ\u00edpios religiosos de seu pa\u00eds e os do povo caldeu; com o auxilio desses novos conhecimentos, conseguiu Enedim dirimir uma velha pend\u00eancia entre os doutores.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 \u00c9 um grande homem o Enedim! &#8211; declarou o Rei quando soube do fato &#8211; Vou nome\u00e1-lo Primeiro Ministro. E assim fez. Foi o nosso esfor\u00e7ado her\u00f3i, ocupar o elevado cargo de Primeiro Ministro.<\/p>\n\n\n\n<p>Vivia, ent\u00e3o, num suntuoso pal\u00e1cio, perto do jardim Real, tinha muitos criados e recebia visitas dos pr\u00edncipes mais poderosos do mundo. Gra\u00e7as ao trabalho e ao grande saber de Enedim, o reino progrediu rapidamente e a cidade ficou repleta de estrangeiros; ergueram-se grandes pal\u00e1cios, v\u00e1rias estradas se constru\u00edram para ligar Babil\u00f4nia \u00e0s cidades vizinhas. Enedim era o homem mais not\u00e1vel do seu tempo. Ganhava diariamente mais de mil moedas de ouro, e tinha em seu pal\u00e1cio de m\u00e1rmore e pedrarias, caixas cheias de j\u00f3ias riqu\u00edssimas, e de p\u00e9rolas de valor incalcul\u00e1vel. Mas &#8211; coisa interessante! &#8211; Enedim n\u00e3o conhecia ainda o segredo do livro de Bresa, embora lhe tivesse lido e relido todas as p\u00e1ginas! Como poderia penetrar naquele mist\u00e9rio?<\/p>\n\n\n\n<p>E um dia, cavaqueando com um venerando sacerdote, teve a ocasi\u00e3o de referir-se \u00e0 inc\u00f3gnita que o atormentava. Riu-se o bom religioso, ao ouvir a ing\u00eanua confiss\u00e3o do grande vizir, e, afeito a decifrar os maiores enigmas da vida, assim falou:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 &#8220;O tesouro de Bresa j\u00e1 est\u00e1 em vosso poder, meu senhor. Gra\u00e7as ao livro misterioso \u00e9 que adquiristes um grande saber, e esse saber vos proporcionou os invej\u00e1veis bens que j\u00e1 possuis&#8221;. Bresa significa &#8220;saber&#8221;. Harbatol quer dizer &#8220;trabalho&#8221;. Com estudo e trabalho pode o homem conquistar tesouros maiores do que os que se ocultam no seio da terra ou sob os abismos do mar!<\/p>\n\n\n\n<p>Tinha raz\u00e3o o esclarecido sacerdote. Bresa, o g\u00eanio, guarda realmente um tesouro valios\u00edssimo, que qualquer pessoa, esfor\u00e7ada e inteligente pode conseguir; essa riqueza prodigiosa n\u00e3o se acha, por\u00e9m perdida no seio da terra nem nas profundezas dos mares; Encontra-la-eis, sim, nos bons livros, nos estudos, na dedica\u00e7\u00e3o ao trabalho, que proporcionando saber \u00e0s pessoas, abrem, para aqueles que se dedicam, as portas maravilhosas de mil tesouros encantados!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Conta-se que houve, outrora, na Babil\u00f4nia &#8211; a famosa cidade dos Jardins Suspensos &#8211; um pobre e modesto Alfaiate, chamado Enedim. 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