{"id":1403,"date":"2024-09-05T21:37:59","date_gmt":"2024-09-06T00:37:59","guid":{"rendered":"https:\/\/new.contandohistorias.com.br\/?p=1403"},"modified":"2024-09-05T21:38:03","modified_gmt":"2024-09-06T00:38:03","slug":"o-brilhante-e-o-opaco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/contandohistorias.com.br\/?p=1403","title":{"rendered":"O Brilhante e o Opaco"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-rich is-provider-incorporar-manipulador wp-block-embed-incorporar-manipulador\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-1403-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/www.contandohistorias.com.br\/mp3\/2004188.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/www.contandohistorias.com.br\/mp3\/2004188.mp3\">https:\/\/www.contandohistorias.com.br\/mp3\/2004188.mp3<\/a><\/audio>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Mill\u00f4r Fernandes<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O vaga-lume, de vago lume esverdeado, fazia voltas e voltas em torno de si mesmo, no encanto indisfar\u00e7\u00e1vel de seu pr\u00f3prio brilho. E, enquanto revoava pela escurid\u00e3o da mata, de galho em galho dos arbustos, pensava com seus bot\u00f5es (luminosos):<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Sou todo uma esmeralda s\u00f3, brilhante e viva. Deus, Todo-Poderoso, ao me fazer um inseto noturno e me dar essa luz, evidentemente quis que eu fosse superior a todos os outros insetos, guia e Orientador da mata.<\/p>\n\n\n\n<p>E voava e voava e brilhava e brilhava e pensava e pensava:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Haver\u00e1, em toda a mata, outro como eu? Pois dentro do verde que pisco ainda h\u00e1 outro mist\u00e9rio: ningu\u00e9m sabe se apago-e-acendo ou se acendo-e-apago.<\/p>\n\n\n\n<p>Voava mais e, descrevendo par\u00e1bolas de luz por entre as flores, mais se envaidecia na compara\u00e7\u00e3o com os outros habitantes da floresta:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Pobres irm\u00e3os inferiores, eu vim para proteg\u00ea-los das trevas. Voc\u00eas, grilos de asas cinzentas e sem brilho, formigas que trabalham e suam sem um instante de luz e fulgor, mariposas que por serem opacas, qualquer luz liquido, m\u00edseras lagartas imitadores de acorde\u00f5es sem som. Aranhas destinadas a serem feias tecel\u00e3s de sedas que jamais ver\u00e3o prontas,cupins que perdem as asas e ficam tontos at\u00e9 morrer, oh! Para voc\u00eas todos, aqui est\u00e1 minha luz verde. Imitem-me os que puderem, sigam meu brilho maravilhoso os que estiverem perdidos nos caminhos.<\/p>\n\n\n\n<p>E voou mais alto e se comparou \u00e0s estrelas:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Sou uma de voc\u00eas, irm\u00e3s! Pisco no c\u00e9u, como voc\u00eas! Sou a V\u00e9sper, a estrela da noite, sou Alba, a estrela da manh\u00e3. Fa\u00e7o parte da constela\u00e7\u00e3o da selva, vivo, vivo!<\/p>\n\n\n\n<p>Foi descendo de novo quando, s\u00fabito sentiu uma lufada de ar que o envolvia, algo pegajoso que o segurava e logo estava fechado numa atmosfera nojenta e escorregadia. Sua luz iluminou um pouco a escurid\u00e3o intensa e ele viu, em volta, centenas de insetos, apertados uns contra os outros, num cub\u00edculo \u00famido e sujo.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma lesma sonolenta, levantou a cabe\u00e7a e gritou com voz rouca e irritada:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Idiota, idiota, se n\u00e3o fosse voc\u00ea, com essa mania de ilumina\u00e7\u00e3o noturna, o sapo-boi jamais teria nos engolido no escuro. Vamos, idiota, apaga essa luz que eu quero dormir!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mill\u00f4r Fernandes O vaga-lume, de vago lume esverdeado, fazia voltas e voltas em torno de si mesmo, no encanto indisfar\u00e7\u00e1vel de seu pr\u00f3prio brilho. 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