{"id":1407,"date":"2024-09-06T20:46:58","date_gmt":"2024-09-06T23:46:58","guid":{"rendered":"https:\/\/new.contandohistorias.com.br\/?p=1407"},"modified":"2024-09-06T20:47:04","modified_gmt":"2024-09-06T23:47:04","slug":"o-burro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/contandohistorias.com.br\/?p=1407","title":{"rendered":"O Burro"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-rich is-provider-incorporar-manipulador wp-block-embed-incorporar-manipulador\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-1407-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/www.contandohistorias.com.br\/mp3\/2004425.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/www.contandohistorias.com.br\/mp3\/2004425.mp3\">https:\/\/www.contandohistorias.com.br\/mp3\/2004425.mp3<\/a><\/audio>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>No tempo em que n\u00e3o havia autom\u00f3veis, na cocheira de um famoso pal\u00e1cio real, um burro de carga curtia imensa amargura, em vista das pilh\u00e9rias dos companheiros de apartamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Reparando-lhe o p\u00ealo maltratado, as fundas cicatrizes do lombo e a cabe\u00e7a tristonha e humilde, aproximou-se formoso cavalo \u00e1rabe que se fizera detentor de muitos pr\u00eamios, e disse, orgulhoso:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Triste sina a que recebeste! N\u00e3o invejas minha posi\u00e7\u00e3o em corridas?<\/p>\n\n\n\n<p>Sou acariciado por m\u00e3os de princesas e elogiado pela palavra dos reis!<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Pudera! &#8211; exclamou um potro de fina origem inglesa: como conseguir\u00e1 um burro entender o brilho das apostas e o gosto da ca\u00e7a?<\/p>\n\n\n\n<p>O infortunado animal recebia os sarcasmos, resignadamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro soberbo cavalo, de proced\u00eancia h\u00fangara, entrou no assunto e comentou:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 H\u00e1 dez anos, quando me ausentei de pastagem vizinha, vi este miser\u00e1vel sofrendo rudemente nas m\u00e3os do bruto amansador. \u00c9 t\u00e3o covarde que n\u00e3o chegava a reagir, nem mesmo com um coice. N\u00e3o nasceu sen\u00e3o para carga e pancadas. \u00c9 vergonhoso suportar-lhe a companhia.<\/p>\n\n\n\n<p>Nisto, admir\u00e1vel jumento espanhol acercou-se do grupo, e acentuou sem piedade:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Lastimo reconhecer neste burro um parente pr\u00f3ximo. \u00c9 animal desonrado, fraco, in\u00fatil, n\u00e3o sabe viver sen\u00e3o sob pesadas disciplinas. Ignora o aprumo da dignidade pessoal e desconhece o amor-pr\u00f3prio. Aceito os deveres que me competem at\u00e9 o justo limite; mas se me constrangem a ultrapassar as obriga\u00e7\u00f5es, recuso-me \u00e0 obedi\u00eancia, pinoteio e sou capaz de matar.<\/p>\n\n\n\n<p>As observa\u00e7\u00f5es insultuosas n\u00e3o haviam terminado, quando o rei penetrou o recinto, em companhia do chefe das cavalari\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Preciso de um animal para servi\u00e7o de grande responsabilidade, informou o monarca, um animal d\u00f3cil e educado, que mere\u00e7a absoluta confian\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>O empregado perguntou:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 N\u00e3o prefere o \u00e1rabe, Majestade?<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 N\u00e3o, n\u00e3o &#8211; falou o soberano, \u00e9 muito altivo e s\u00f3 serve para corridas em festejos oficiais sem maior import\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 N\u00e3o quer o potro ingl\u00eas?<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 De modo algum. \u00c9 muito irrequieto e n\u00e3o vai al\u00e9m das extravag\u00e2ncias da ca\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 N\u00e3o deseja o h\u00fangaro?<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 N\u00e3o, n\u00e3o. \u00c9 bravio, sem qualquer educa\u00e7\u00e3o. \u00c9 apenas um pastor de rebanho.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 O jumento espanhol serviria? &#8211; insistiu o servidor atencioso.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 De maneira nenhuma. \u00c9 manhoso e n\u00e3o merece confian\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Decorridos alguns instantes de sil\u00eancio, o soberano indagou:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Onde est\u00e1 meu burro de carga?<\/p>\n\n\n\n<p>O chefe das cocheiras indicou-o, entre os demais.<\/p>\n\n\n\n<p>O pr\u00f3prio rei puxou-o carinhosamente para fora, mandou ajaez\u00e1-lo com as armas resplandecentes de sua Casa e confiou-lhe o filho ainda crian\u00e7a, para longa viajem.<\/p>\n\n\n\n<p>E ficou tranq\u00fcilo, sabendo que poderia colocar toda a sua confian\u00e7a naquele animal&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Assim tamb\u00e9m acontece na vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Em todas as ocasi\u00f5es, temos sempre grande n\u00famero de amigos, de conhecidos e companheiros, mas somente nos prestam servi\u00e7os de utilidade real aqueles que j\u00e1 aprenderam a servir, sem pensar em si mesmos.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Colabora\u00e7\u00e3o: Renato Antunes Oliveira<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No tempo em que n\u00e3o havia autom\u00f3veis, na cocheira de um famoso pal\u00e1cio real, um burro de carga curtia imensa amargura, em vista das pilh\u00e9rias dos companheiros de apartamento. 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