{"id":1523,"date":"2024-09-07T20:25:57","date_gmt":"2024-09-07T23:25:57","guid":{"rendered":"https:\/\/new.contandohistorias.com.br\/?p=1523"},"modified":"2024-09-07T20:26:01","modified_gmt":"2024-09-07T23:26:01","slug":"o-porteiro-do-prostibulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/contandohistorias.com.br\/?p=1523","title":{"rendered":"O porteiro do prost\u00edbulo"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-rich is-provider-incorporar-manipulador wp-block-embed-incorporar-manipulador\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-1523-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/www.contandohistorias.com.br\/mp3\/2006212.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/www.contandohistorias.com.br\/mp3\/2006212.mp3\">https:\/\/www.contandohistorias.com.br\/mp3\/2006212.mp3<\/a><\/audio>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>N\u00e3o havia no povoado pior of\u00edcio do que &#8216;porteiro do prost\u00edbulo&#8217;.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas que outra coisa poderia fazer aquele homem? O fato \u00e9 que nunca tinha aprendido a ler nem escrever, n\u00e3o tinha nenhuma outra atividade ou of\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dia, entrou como gerente do prost\u00edbulo um jovem cheio de id\u00e9ias, criativo e empreendedor, que decidiu modernizar o estabelecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Fez mudan\u00e7as e chamou os funcion\u00e1rios para as novas instru\u00e7\u00f5es. Ao porteiro disse:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 A partir de hoje, o Senhor, al\u00e9m de ficar na portaria, vai preparar um relat\u00f3rio semanal onde registrar\u00e1 quantidade de pessoas que entram e seus coment\u00e1rios e reclama\u00e7\u00f5es sobre os servi\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Eu adoraria fazer isso, Senhor &#8211; balbuciou &#8211; mas eu n\u00e3o sei ler nem escrever!<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Ah! Quanto eu sinto! Mas se \u00e9 assim, j\u00e1 n\u00e3o poder\u00e1 seguir trabalhando aqui.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Mas Senhor, n\u00e3o pode me despedir, eu trabalhei nisto a minha vida inteira, n\u00e3o sei fazer outra coisa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Olhe, eu compreendo, mas n\u00e3o posso fazer nada pelo Senhor. Vamos dar-lhe uma boa indeniza\u00e7\u00e3o e espero que encontre algo que fazer. Eu sinto muito e que tenha sorte.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem mais nem menos, deu meia volta e foi embora.<\/p>\n\n\n\n<p>O porteiro sentiu como se o mundo desmoronasse. Que fazer? Lembrou que no prost\u00edbulo, quando quebrava alguma cadeira ou mesa, ele a arrumava, com cuidado e carinho.<\/p>\n\n\n\n<p>Pensou que esta poderia ser uma boa ocupa\u00e7\u00e3o at\u00e9 conseguir um emprego. Mas s\u00f3 contava com alguns pregos enferrujados e um alicate mal conservado. Usaria o dinheiro da indeniza\u00e7\u00e3o para comprar uma caixa de ferramentas completa. Como o povoado n\u00e3o tinha casa de ferragens, deveria viajar dois dias em uma mula para ir ao povoado mais pr\u00f3ximo para realizar a compra.<\/p>\n\n\n\n<p>E assim o fez. No seu regresso, um vizinho bateu \u00e0 sua porta:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Venho para perguntar se voc\u00ea tem um martelo para me emprestar.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Sim, acabo de compr\u00e1-lo, mas eu preciso dele para trabalhar &#8230; j\u00e1 que&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Bom, mas eu o devolverei amanh\u00e3 bem cedo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Se \u00e9 assim, est\u00e1 bom.<\/p>\n\n\n\n<p>Na manh\u00e3 seguinte, como havia prometido, o vizinho bateu \u00e0 porta e disse:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Olha, eu ainda preciso do martelo. Porque voc\u00ea n\u00e3o o vende para mim?<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 N\u00e3o, eu preciso dele para trabalhar e al\u00e9m do mais, a casa de ferragens mais pr\u00f3xima est\u00e1 h\u00e1 dois dias mula de viagem.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Fa\u00e7amos um trato &#8211; disse o vizinho. Eu pagarei os dias de ida e volta mais o pre\u00e7o do martelo, j\u00e1 que voc\u00ea est\u00e1 sem trabalho no momento. Que lhe parece?<\/p>\n\n\n\n<p>Realmente, isto lhe daria trabalho por mais dois dias &#8230;aceitou. Voltou a montar na sua mula e viajou. No seu regresso, outro vizinho o esperava na porta de sua casa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Ol\u00e1, vizinho. Voc\u00ea vendeu um martelo a nosso amigo. Eu necessito de algumas ferramentas, estou disposto a pagar-lhe seus dias de viagem, mais um pequeno lucro para que voc\u00ea as compre para mim, pois n\u00e3o disponho de tempo para viajar para fazer compras . Que lhe parece?<\/p>\n\n\n\n<p>O ex-porteiro abriu sua caixa de ferramentas e seu vizinho escolheu um alicate, uma chave de fenda, um martelo e uma talhadeira.<\/p>\n\n\n\n<p>Pagou e foi embora.<\/p>\n\n\n\n<p>E nosso amigo guardou as palavras que escutara:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 N\u00e3o disponho de tempo para viajar para fazer compras.<\/p>\n\n\n\n<p>Se isto fosse certo, muita gente poderia necessitar que ele viajasse para trazer as ferramentas. Na viagem seguinte, arriscou um pouco mais de dinheiro trazendo mais ferramentas do que as que havia vendido. De fato, poderia economizar algum tempo em viagens. A not\u00edcia come\u00e7ou a se espalhar pelo povoado e muitos, querendo economizar a viajem, faziam encomendas.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, como vendedor de ferramentas, uma vez por semana viajava e trazia o que precisavam seus clientes. Com o tempo, alugou um galp\u00e3o para estocar as ferramentas e alguns meses depois, comprou uma vitrine e um balc\u00e3o e transformou o galp\u00e3o na primeira loja de ferragens do povoado. Todos estavam contentes e compravam dele. J\u00e1 n\u00e3o viajava, os fabricantes lhe enviavam seus pedidos. Ele era um bom cliente.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o tempo, as pessoas dos povoados vizinhos preferiam comprar na sua loja de ferragens, do que gastar dias em viagens.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dia ele lembrou de um amigo seu que era torneiro e ferreiro e pensou que este poderia fabricar as cabe\u00e7as dos martelos..<\/p>\n\n\n\n<p>E logo, por que n\u00e3o, as chaves de fendas, os alicates, as talhadeiras, etc.. E ap\u00f3s foram os pregos e os parafusos&#8230;.<\/p>\n\n\n\n<p>Em poucos anos, nosso amigo se transformou, com seu trabalho, em um rico e pr\u00f3spero fabricante de ferramentas. Um dia decidiu doar uma escola ao povoado. Nela, al\u00e9m de ler e escrever, as crian\u00e7as aprenderiam algum of\u00edcio. No dia da inaugura\u00e7\u00e3o da escola, o prefeito lhe entregou as chaves da cidade, o abra\u00e7ou e lhe disse:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 \u00c9 com grande orgulho e gratid\u00e3o que lhe pedimos que nos conceda a honra de colocar a sua assinatura na primeira p\u00e1gina do Livro de Atas desta nova escola.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 A honra seria minha &#8211; disse o homem. Seria a coisa que mais me daria prazer, assinar o Livro, mas eu n\u00e3o sei ler nem escrever, sou analfabeto.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 O Senhor?!?! &#8211; disse o prefeito sem acreditar. O Senhor construiu um imp\u00e9rio industrial sem saber ler nem escrever? Estou abismado. Eu pergunto: o que teria sido do Senhor se soubesse ler e escrever?<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Isso eu posso responder &#8211; disse o homem com calma. Se eu soubesse ler e escrever &#8230; ainda seria o porteiro do prost\u00edbulo!<\/p>\n\n\n\n<p>Geralmente as mudan\u00e7as s\u00e3o vistas apenas como adversidades..<\/p>\n\n\n\n<p>As adversidades podem ser benef\u00edcios.<\/p>\n\n\n\n<p>As crises est\u00e3o cheias de oportunidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Se algu\u00e9m lhe bloquear a porta, n\u00e3o gaste energia com o confronto; procure as janelas.<\/p>\n\n\n\n<p>*Lembre-se da sabedoria da \u00e1gua: a \u00e1gua nunca discute com seus obst\u00e1culos, mas os contorna.*<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o havia no povoado pior of\u00edcio do que &#8216;porteiro do prost\u00edbulo&#8217;. Mas que outra coisa poderia fazer aquele homem? O fato \u00e9 que nunca tinha aprendido a ler nem escrever, n\u00e3o tinha nenhuma outra atividade ou of\u00edcio. 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