{"id":1674,"date":"2024-09-09T18:14:39","date_gmt":"2024-09-09T21:14:39","guid":{"rendered":"https:\/\/new.contandohistorias.com.br\/?p=1674"},"modified":"2024-09-09T18:14:44","modified_gmt":"2024-09-09T21:14:44","slug":"parabola-da-felicidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/contandohistorias.com.br\/?p=1674","title":{"rendered":"Par\u00e1bola da Felicidade"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-rich is-provider-incorporar-manipulador wp-block-embed-incorporar-manipulador\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-1674-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/www.contandohistorias.com.br\/mp3\/2006142.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/www.contandohistorias.com.br\/mp3\/2006142.mp3\">https:\/\/www.contandohistorias.com.br\/mp3\/2006142.mp3<\/a><\/audio>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s uma caminhada exaustiva pelo campo, os quatro amigos sentaram \u00e0 beira do caminho, embaixo da sombra da velha maqueira.<\/p>\n\n\n\n<p>Era ela a \u00fanica \u00e1rvore numa planta\u00e7\u00e3o de melancias.<\/p>\n\n\n\n<p>Era como se representasse, com dignidade a esp\u00e9cie das \u00e1rvores, num planeta onde alguns humanos n\u00e3o importam em destru\u00ed-las em nome de um progresso duvidoso.<\/p>\n\n\n\n<p>Aquele era o local preferido dos rapazes &#8211; jacas e melancias \u00e0 vontade ! Aquele dia era especial&#8230; terminaram o curso e, provavelmente, seria a \u00faltima vez que caminhariam juntos.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora nem admitissem, estavam conscientes do momento e n\u00e3o perceberam o estranho brilho pairando sobre a copa da jaqueira.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o fiquem tristes, n\u00f3s nos veremos novamente&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Os amigos se entreolharam, espantados.<\/p>\n\n\n\n<p>Quem disse isso ? perguntou Eduardo, intrigado.<\/p>\n\n\n\n<p>A voz era suave e nem parecida com nenhum deles.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Ouvi! confirmou Pedro.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Parece que veio l\u00e1 de cima.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Tamb\u00e9m escutei! disse Silas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Estranho! comentou Ant\u00f4nio. Acho que pegamos sol demais pelo caminho.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Ei! exclamou Silas. Voc\u00eas est\u00e3o notando uma luz estranha no alto da \u00e1rvore ?<\/p>\n\n\n\n<p>Todos olharam para cima.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 \u00c9 verdade. Vai ver \u00e9 um disco voador!<\/p>\n\n\n\n<p>Escutaram a voz novamente :<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 N\u00e3o \u00e9 brincadeira! Eu posso atender um pedido de cada um de voc\u00eas para que sejam felizes&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>O susto foi grande. Uma \u00e1rvore falante! \u00c1rvores n\u00e3o falam! Ou falam ?<\/p>\n\n\n\n<p>O conhecimento cient\u00edfico, imp\u00f5e-se de maneira preponderante, de tal forma que acabamos por crer apenas no que conseguimos pesar, medir, reduzir, ao mesmo tempo que passamos a recusar tudo o que n\u00e3o se enquadre nesses experimentos cient\u00edficos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Vo&#8230; voc\u00ea \u00e9 um tipo de \u00e1rvore da felicidade ? perguntou Ant\u00f4nio.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 N\u00e3o importa agora. Fa\u00e7am logo seus pedidos&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Quero ser o homem mais rico do mundo! falou Ant\u00f4nio, superando os instantes de incredulidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Ningu\u00e9m consegue ser feliz sem dinheiro. Silas pediu :<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Quero ser o homem mais amado do mundo, j\u00e1 que dinheiro n\u00e3o traz felicidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Eduardo falou :<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Eu quero ser muito inteligente! E tamb\u00e9m jovem! Mocidade e intelig\u00eancia s\u00e3o, sem d\u00favida, as maiores felicidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Pedro pediu :<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Eu quero ser o homem mais famoso, com gl\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>E todos riram.<\/p>\n\n\n\n<p>Rapidamente a copa da jaqueira mudou de cor, soltou estranho zunido e, por fim, subiu velozmente para o c\u00e9u, deixando um rastro luminoso e os quatro amigos boquiabertos.<\/p>\n\n\n\n<p>O tempo passou&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Cada um seguiu seu caminho.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme pediram, seus desejos foram realizados, embora n\u00e3o tivessem conseguido a t\u00e3o ansiada felicidade&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Ant\u00f4nio tornou-se o homem mais rico, gra\u00e7as a uma estranha sorte no mundo dos neg\u00f3cios.<\/p>\n\n\n\n<p>Acumulara fortuna, mas a riqueza s\u00f3 lhe trouxe problemas.<\/p>\n\n\n\n<p>Nunca tinha certeza se as pessoas que conviviam ao seu redor estavam interessadas nele ou na sua fortuna, e por isso ia se tornando taciturno, entediado, ego\u00edsta, isolando-se de todos.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 sa\u00eda protegido por guarda-costas, por medo de seq\u00fcestros.<\/p>\n\n\n\n<p>Silas, por sua vez, era muito amado.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda que fizesse as piores maldades, seus fan\u00e1ticos admiradores sorriam para ele e lhe adoravam. Mas sentia-se muito s\u00f3.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o fazia diferen\u00e7a como tratava as pessoas : o resultado era o mesmo.<\/p>\n\n\n\n<p>Tinha muitas mulheres, mas n\u00e3o amava nenhuma.<\/p>\n\n\n\n<p>O amor das pessoas, sem que fizesse nada para conquist\u00e1-lo, tornou-o cruel e perverso.<\/p>\n\n\n\n<p>Sentia prazer em maltratar as pessoas. Eduardo permanecia jovem e inteligente.<\/p>\n\n\n\n<p>Era requisitado para palestras pelo mundo todo. Governantes solicitavam sua sabedoria.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas era infeliz e solit\u00e1rio. Era alvo constante da inveja das pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>Coisas simples como sair \u00e0 rua ou ter amigos, era imposs\u00edvel agora.<\/p>\n\n\n\n<p>Vivia recluso, por evitar os jornalistas e a milhares de convites para apresenta\u00e7\u00f5es em p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>Ant\u00f4nio, Silas e Pedro viam a morte como libertadora de tanta infelicidade e frustra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Eduardo, sempre jovem, pensava ele mesmo dar fim a sua vida infeliz. 1990&#8230; 1996&#8230; 2000&#8230; 2003&#8230; 2008&#8230;Embora nunca mais tivessem se encontrado depois daquele dia, os quatro mantinham o h\u00e1bito de olhar o c\u00e9u em noites estreladas, \u00e0 procura de um estranho brilho esverdeado.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dia, os quatro largaram tudo e fugiram. Viram-se novamente no local da velha jaqueira.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Fomos enganados. Mas o que podemos fazer agora ? E choraram, abra\u00e7ados um ao outro.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Foram voc\u00eas que escolheram assim!<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 A voz! Maldita! Maldita! Voc\u00ea nos enganou com sua conversa de felicidade! esbravejou Pedro.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Voc\u00eas se enganaram. Todos sempre se enganam, quando acham que para ser feliz \u00e9 preciso alguma condi\u00e7\u00e3o como dinheiro, intelig\u00eancia, mocidade, amor ou gl\u00f3ria&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Pelo amor de Deus! Filosofia barata n\u00e3o! J\u00e1 estou farto de conselhos! falou Ant\u00f4nio.<\/p>\n\n\n\n<p>Voc\u00ea prometeu felicidade, mas hoje, olhe para n\u00f3s : somos os homens mais infelizes do mundo!<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Voc\u00eas quiseram ser felizes. Fizeram seus pedidos e foram atendidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas esqueceram que a FELICIDADE N\u00c3O PODE SER POSSU\u00cdDA&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>TEM QUE SER CONQUISTADA, ASSIM COMO O AMOR E A LIBERDADE.<\/p>\n\n\n\n<p>Cada pessoa sobre a Terra \u00e9 um ser \u00fanico e imprevis\u00edvel. N\u00e3o existem f\u00f3rmulas ou solu\u00e7\u00f5es que sirvam para todos.<\/p>\n\n\n\n<p>Cada um precisa escolher o seu pr\u00f3prio caminho e o seu jeito de caminhar!<\/p>\n\n\n\n<p>Voc\u00eas ter\u00e3o uma nova oportunidade&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 E como ser\u00e1 essa nova oportunidade ? perguntou Pedro.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas n\u00e3o ouviram resposta. De novo o rastro prateado confundiu-se com o brilho das estrelas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 J\u00e1 \u00e9 noite! surpreendeu-se Silas. Mas como ? Ser\u00e1 que cochilamos os quatro ao mesmo tempo ?<\/p>\n\n\n\n<p>Eram novamente jovens, ainda cansados pela caminhada, a \u00faltima que faziam como internos do col\u00e9gio.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Engra\u00e7ado&#8230; aconteceu alguma coisa que n\u00e3o consigo me lembrar&#8230;disse Ant\u00f4nio.<\/p>\n\n\n\n<p>Os quatro levantaram-se e j\u00e1 iam p\u00f4r-se a caminho, quando Ant\u00f4nio percebeu um peda\u00e7o de papel esverdeado pregado na jaqueira.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Um bilhete! E \u00e9 para n\u00f3s! verificou Silas. Ningu\u00e9m sabia quem tinha deixado aquilo.<\/p>\n\n\n\n<p>Estava escrito&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Ningu\u00e9m precisa de riqueza, poder, fama, mocidade, intelig\u00eancia, ou qualquer outra coisa para ser feliz.<\/p>\n\n\n\n<p>A felicidade n\u00e3o pode ser comprada.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela \u00e9 fruto de nosso compromisso com a paz, a justi\u00e7a, a alegria, o equil\u00edbrio entre os seres do planeta, pois n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a nossa felicidade que importa, mas a dos que vir\u00e3o depois de n\u00f3s e de nossos filhos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ser feliz \u00e9 isso : aproveitar intensamente este presente cotidiano A<\/p>\n\n\n\n<p>VIDA &#8211; viv\u00ea-la plenamente e permitir que os outros tamb\u00e9m fa\u00e7am o mesmo.<\/p>\n\n\n\n<p>Afinal, vivemos um dia de cada vez e quem deixa seu tempo presente preocupado com o que ainda n\u00e3o aconteceu ou angustiado pelo que j\u00e1 passou, perde a oportunidade de ser feliz AQUI E AGORA e, um dia, sem que se saiba quando, ser\u00e1 tarde para voltar atr\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Colabora\u00e7\u00e3o: Renato Antunes Oliveira<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s uma caminhada exaustiva pelo campo, os quatro amigos sentaram \u00e0 beira do caminho, embaixo da sombra da velha maqueira. 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