{"id":1820,"date":"2024-09-10T12:36:16","date_gmt":"2024-09-10T15:36:16","guid":{"rendered":"https:\/\/new.contandohistorias.com.br\/?p=1820"},"modified":"2024-09-10T12:36:21","modified_gmt":"2024-09-10T15:36:21","slug":"raizes-profundas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/contandohistorias.com.br\/?p=1820","title":{"rendered":"Ra\u00edzes profundas&#8230;"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-rich is-provider-incorporar-manipulador wp-block-embed-incorporar-manipulador\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-1820-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/www.contandohistorias.com.br\/mp3\/2006162.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/www.contandohistorias.com.br\/mp3\/2006162.mp3\">https:\/\/www.contandohistorias.com.br\/mp3\/2006162.mp3<\/a><\/audio>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>Tempos atr\u00e1s, eu era vizinho de um m\u00e9dico, cujo&#8221;hobby&#8221; era plantar \u00e1rvores no enorme quintal de sua casa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0s vezes, observava da minha janela o seu esfor\u00e7o para plantar \u00e1rvores e mais \u00e1rvores, todos os dias.<\/p>\n\n\n\n<p>O que mais chamava a aten\u00e7\u00e3o, entretanto, era o fato de que ele jamais regava as mudas que plantava.<\/p>\n\n\n\n<p>Passei a notar, depois de algum tempo, que suas \u00e1rvores estavam demorando muito para crescer.<\/p>\n\n\n\n<p>Certo dia, resolvi ent\u00e3o aproximar-me do m\u00e9dico e perguntei se ele n\u00e3o tinha receio de que as \u00e1rvores n\u00e3o crescessem, pois percebia que ele nunca as regava.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi quando, com um ar orgulhoso, ele me descreveu sua fant\u00e1stica teoria.<\/p>\n\n\n\n<p>Disse-me que, se regasse suas plantas, as ra\u00edzes se acomodariam na superf\u00edcie e ficariam sempre esperando pela \u00e1gua mais f\u00e1cil, vinda de cima.<\/p>\n\n\n\n<p>Como ele n\u00e3o as regava, as \u00e1rvores demorariam mais para crescer, mas suas ra\u00edzes tenderiam a migrar para o fundo, em busca da \u00e1gua e das v\u00e1rias fontes nutrientes encontradas nas camadas mais inferiores do solo.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, segundo ele, as \u00e1rvores teriam ra\u00edzes profundas e seriam mais resistentes \u00e0s intemp\u00e9ries.<\/p>\n\n\n\n<p>Disse-me ainda, que freq\u00fcentemente dava uma palmadinha nas suas \u00e1rvores, com um jornal enrolado, e que fazia isso para que se mantivessem sempre acordadas e atentas.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa foi a \u00fanica conversa que tive com aquele meu vizinho.<\/p>\n\n\n\n<p>Logo depois, fui morar em outro pa\u00eds, e nunca mais o encontrei.<\/p>\n\n\n\n<p>V\u00e1rios anos depois, ao retornar do exterior fui dar uma olhada na minha antiga resid\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao aproximar-me, notei um bosque que n\u00e3o havia antes.<\/p>\n\n\n\n<p>Meu antigo vizinho, havia realizado seu sonho!<\/p>\n\n\n\n<p>O curioso \u00e9 que aquele era um dia de um vento muito forte e gelado, em que as \u00e1rvores da rua estavam arqueadas, como se n\u00e3o estivessem resistindo ao rigor do inverno.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, ao aproximar-me do quintal do m\u00e9dico, notei como estavam s\u00f3lidas as suas \u00e1rvores: praticamente n\u00e3o se moviam, resistindo implacavelmente \u00e0quela ventania toda.<\/p>\n\n\n\n<p>Que efeito curioso, pensei eu&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>As adversidades pela qual aquelas \u00e1rvores tinham passado, levando palmadelas e tendo sido privadas de \u00e1gua, pareciam t\u00ea-las beneficiado de um modo que o conforto, o tratamento mais f\u00e1cil jamais conseguiriam.<\/p>\n\n\n\n<p>Todas as noites, antes de ir me deitar, dou sempre uma olhada em meus filhos.<\/p>\n\n\n\n<p>Debru\u00e7o-me sobre suas camas e observo como t\u00eam crescido.<\/p>\n\n\n\n<p>Freq\u00fcentemente, oro por eles.<\/p>\n\n\n\n<p>Na maioria das vezes, pe\u00e7o para que suas vidas sejam f\u00e1ceis:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Meu Deus, livre meus filhos de todas as dificuldades e agress\u00f5es desse mundo&#8221;&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Tenho pensado, entretanto, que \u00e9 hora de alterar minhas ora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa mudan\u00e7a tem a ver com o fato de que \u00e9 inevit\u00e1vel que os ventos gelados e fortes nos atinjam e aos nossos filhos.<\/p>\n\n\n\n<p>Sei que eles encontrar\u00e3o in\u00fameros problemas e que, portanto, minhas ora\u00e7\u00f5es para que as dificuldades n\u00e3o ocorram, t\u00eam sido ing\u00eanuas demais.<\/p>\n\n\n\n<p>Sempre haver\u00e1 uma tempestade, ocorrendo em algum lugar.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, pretendo mudar minhas ora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Farei isso porque, quer n\u00f3s queiramos ou n\u00e3o, a vida n\u00e3o \u00e9 muito f\u00e1cil.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao contr\u00e1rio do que tenho feito, passarei a orar para que meus filhos cres\u00e7am com ra\u00edzes profundas, de tal forma que possam retirar energia das melhores fontes, das mais divinas, que se encontram nos locais mais remotos.<\/p>\n\n\n\n<p>Oramos demais para termos facilidades, mas na verdade o que precisamos fazer \u00e9 pedir para desenvolver ra\u00edzes fortes e profundas, de tal modo que quando as tempestades chegarem e os ventos gelados soprarem, resistiremos bravamente, ao inv\u00e9s de sermos subjugados e varridos para longe!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tempos atr\u00e1s, eu era vizinho de um m\u00e9dico, cujo&#8221;hobby&#8221; 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