{"id":2056,"date":"2024-09-13T19:41:26","date_gmt":"2024-09-13T22:41:26","guid":{"rendered":"https:\/\/new.contandohistorias.com.br\/?p=2056"},"modified":"2024-09-13T19:41:31","modified_gmt":"2024-09-13T22:41:31","slug":"um-dia-o-rei-teve-uma-ideia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/contandohistorias.com.br\/?p=2056","title":{"rendered":"Um dia o Rei teve uma id\u00e9ia."},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-rich is-provider-incorporar-manipulador wp-block-embed-incorporar-manipulador\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-2056-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/www.contandohistorias.com.br\/mp3\/2004467.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/www.contandohistorias.com.br\/mp3\/2004467.mp3\">https:\/\/www.contandohistorias.com.br\/mp3\/2004467.mp3<\/a><\/audio>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Marina Colasanti<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Era a primeira da vida toda, e t\u00e3o maravilhado ficou com aquela id\u00e9ia azul, que n\u00e3o quis saber de contar aos ministros. Desceu com ela para o jardim, correu com Ela nos gramados, brincou com ela de esconder entre outros pensamentos, encontrando-a sempre com igual alegria, linda id\u00e9ia dele toda azul.<\/p>\n\n\n\n<p>Brincaram at\u00e9 o Rei adormecer encostado numa \u00e1rvore.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi acordar tateando a coroa e procurando a id\u00e9ia, para perceber o perigo. Sozinha no seu sono, solta e t\u00e3o bonita, a id\u00e9ia poderia ter chamado a aten\u00e7\u00e3o de algu\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>Bastaria esse algu\u00e9m peg\u00e1-la e levar. \u00c9 t\u00e3o f\u00e1cil roubar uma id\u00e9ia: Quem jamais saberia que j\u00e1 tinha dono?<\/p>\n\n\n\n<p>Com a id\u00e9ia escondida debaixo do manto, o Rei voltou para o castelo. Esperou a noite. Quando todos os olhos se fecharam, saiu dos seus aposentos, atravessou sal\u00f5es, Desceu escadas, subiu degraus, at\u00e9 Chegar ao Corredor das Salas do Tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>Portas fechadas, e o sil\u00eancio.<\/p>\n\n\n\n<p>Que sala escolher?<\/p>\n\n\n\n<p>Diante de cada porta o Rei parava, pensava, e seguia adiante. At\u00e9 chegar \u00e0 Sala do Sono.<\/p>\n\n\n\n<p>Abriu. Na sala acolchoada os p\u00e9s do Rei afundavam at\u00e9 o tornozelo, o olhar se embara\u00e7ava em gazes, cortinas e v\u00e9us pendurados como teias.<\/p>\n\n\n\n<p>Sala de quase escuro, sempre igual. O Rei deitou a id\u00e9ia adormecida na cama de marfim, baixou o cortinado, saiu e trancou a porta.<\/p>\n\n\n\n<p>A chave prendeu no pesco\u00e7o em grossa corrente. E nunca mais mexeu nela.<\/p>\n\n\n\n<p>O tempo correu seus anos. Id\u00e9ias o Rei n\u00e3o teve mais, nem sentiu falta, t\u00e3o ocupado estava em governar. Envelhecia sem perceber, diante dos educados espelhos reais Que mentiam a verdade. Apenas, sentia-se mais triste e mais s\u00f3, sem que nunca mais tivesse tido vontade de brincar nos jardins.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 os ministros viam a velhice do Rei. Quando a cabe\u00e7a ficou toda branca, disseram-lhe que j\u00e1 podia descansar, e o libertaram do manto.<\/p>\n\n\n\n<p>Posta a coroa sobre a almofada, o Rei logo levou a m\u00e3o \u00e0 corrente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2014 Ningu\u00e9m mais se ocupa de mim &#8211; dizia atravessando sal\u00f5es e descendo escadas a caminho das Salas do Tempo &#8211; ningu\u00e9m mais me olha. Agora posso buscar minha Linda id\u00e9ia e guard\u00e1-la s\u00f3 para mim.<\/p>\n\n\n\n<p>Abriu a porta, levantou o cortinado.<\/p>\n\n\n\n<p>Na cama de marfim, a id\u00e9ia dormia azul como naquele dia.<\/p>\n\n\n\n<p>Como naquele dia, jovem, t\u00e3o jovem, uma id\u00e9ia menina. E linda. Mas o Rei n\u00e3o era mais o Rei daquele dia.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre ele e a id\u00e9ia estava todo o tempo passado l\u00e1 fora, o tempo todo parado na Sala do Sono. Seus olhos n\u00e3o viam na id\u00e9ia a mesma gra\u00e7a. Brincar n\u00e3o queria, nem Rir. Que fazer com ela? Nunca mais saberiam estar juntos como naquele dia.<\/p>\n\n\n\n<p>Sentado na beira da cama o Rei chorou suas duas \u00faltimas l\u00e1grimas, as que tinha guardado para a maior tristeza.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois baixou o cortinado, e deixando a id\u00e9ia adormecida, fechou para sempre a porta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marina Colasanti Era a primeira da vida toda, e t\u00e3o maravilhado ficou com aquela id\u00e9ia azul, que n\u00e3o quis saber de contar aos ministros. Desceu com ela para o jardim, correu com Ela nos gramados, brincou com ela de esconder entre outros pensamentos, encontrando-a sempre com igual alegria, linda id\u00e9ia dele toda azul. 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