{"id":2078,"date":"2024-09-13T19:53:15","date_gmt":"2024-09-13T22:53:15","guid":{"rendered":"https:\/\/new.contandohistorias.com.br\/?p=2078"},"modified":"2024-09-13T19:53:19","modified_gmt":"2024-09-13T22:53:19","slug":"um-raio-de-luz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/contandohistorias.com.br\/?p=2078","title":{"rendered":"Um Raio de Luz"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Com base na Palestra proferida pelo Prof. Raul Teixeira, em Campo Largo-PR<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O gabinete daquela escola de ensino m\u00e9dio se convertera, por alguns momentos, em palco para uma cena constrangedora. Um aluno de 16 anos de idade estava ali, sentado, cabe\u00e7a baixa, pensamento em desalinho, aguardando a senten\u00e7a final.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os pais, desolados, olhavam em sil\u00eancio para o filho, sem saber o que dizer diante daquele momento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">V\u00e1rios de seus professores j\u00e1 haviam dado seus depoimentos, todos desfavor\u00e1veis ao jovem rebelde.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se o garoto fosse expulso seria um peso a menos na sua \u00e1rdua obriga\u00e7\u00e3o de ensinar&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se se livrassem daquele estorvo sua tarefa ficaria mais leve, talvez pensassem alguns daqueles educadores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O sil\u00eancio enchia a pequena sala, quando chegou o \u00faltimo professor para dar seu parecer sobre a quest\u00e3o: era o professor de f\u00edsica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Homem maduro, l\u00facido, educador por excel\u00eancia, sentou-se e, antes de dizer qualquer palavra, olhou detidamente nos olhos de cada uma daquelas criaturas ali sentadas, e sentiu-se extremamente comovido diante da situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como poderia ajudar a resolver a quest\u00e3o sem preju\u00edzo para o seu aluno? Afinal, para aquele nobre mestre, expulsar um aluno seria decretar a pr\u00f3pria fal\u00eancia como educador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ent\u00e3o, ele olhou carinhosamente para a m\u00e3e e perguntou: o que est\u00e1 havendo? O que aconteceu para que a situa\u00e7\u00e3o chegasse a esse ponto?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tamanha era a vibra\u00e7\u00e3o de ternura que emanava da voz suave do educador, que a m\u00e3e se sentiu amparada na sua desdita e decidiu falar. Olhou com afeto para o filho, e, num tom de extremado carinho disse: meu filho! O jovem, diante da pequena frase que ecoou em seu \u00edntimo com mais for\u00e7a do que mil palavras de reprimenda, desatou a chorar&#8230; Chorou e chorou, compulsivamente&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A como\u00e7\u00e3o tomou conta do gabinete e as l\u00e1grimas rolaram quentes dos olhos daqueles pais sofridos, e tamb\u00e9m do professor e da diretora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ap\u00f3s quase meia hora, as l\u00e1grimas foram cedendo lugar a um certo al\u00edvio, como se uma chuva de b\u00ean\u00e7\u00e3os tivesse lavado o travo de fel que pairava sobre a pequena assembl\u00e9ia&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quebrando o sil\u00eancio, o garoto falou: m\u00e3e, posso lhe prometer uma coisa? Voc\u00eas nunca mais vir\u00e3o \u00e0 escola por motivos como este.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um ano se passou, e a promessa que o jovem fez se cumpriu. Um dia, o professor encontrou seu aluno no corredor da escola e lhe fez a pergunta que h\u00e1 muito desejava fazer: o que fez voc\u00ea mudar, aquele dia, no gabinete?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E o jovem respondeu, um tanto constrangido: \u00c9 que minha m\u00e3e nunca havia me chamado de &#8220;meu filho&#8221;. Aquelas duas palavras, professor, pronunciadas pela minha m\u00e3e com uma sonoridade espiritual t\u00e3o profunda, foram o suficiente para eu mudar o rumo da minha vida&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O rapaz se despediu e se foi, deixando o mestre absorto em seus pensamentos&#8230; Em sua mente voltou a cena daquele dia distante, em que adentrou a pequena sala do gabinete&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em suas conjecturas se perguntou sobre qual seria a situa\u00e7\u00e3o daquele mo\u00e7o, se tivesse sido expulso da escola naquela oportunidade&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pensou tamb\u00e9m na for\u00e7a da pequena frase: &#8220;Meu filho&#8221;! E ficou a imaginar qu\u00e3o poderoso \u00e9 o afeto de m\u00e3e.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E, como homem not\u00e1vel e admir\u00e1vel educador, concluiu, em seus l\u00facidos racioc\u00ednios: O dia que as m\u00e3es quiserem, elas mudar\u00e3o o mundo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Enviado por Renato J.G.Filho<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com base na Palestra proferida pelo Prof. Raul Teixeira, em Campo Largo-PR O gabinete daquela escola de ensino m\u00e9dio se convertera, por alguns momentos, em palco para uma cena constrangedora. Um aluno de 16 anos de idade estava ali, sentado, cabe\u00e7a baixa, pensamento em desalinho, aguardando a senten\u00e7a final. 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