{"id":2207,"date":"2024-10-06T21:55:19","date_gmt":"2024-10-07T00:55:19","guid":{"rendered":"https:\/\/contandohistorias.com.br\/?p=2207"},"modified":"2024-10-06T21:55:28","modified_gmt":"2024-10-07T00:55:28","slug":"amor-de-mae","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/contandohistorias.com.br\/?p=2207","title":{"rendered":"Amor de M\u00e3e"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><em>Rosana Braga<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>L\u00e1 vai minha filha quase voando no seu vestido et\u00e9reo.<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00e1 vai minha filha de olhos amendoados e pele macia. A menina que estreou a m\u00e3e em mim. A menina que chegou trazendo todo um universo de novidades: emo\u00e7\u00f5es, medos, encantamentos, aprendizados.<\/p>\n\n\n\n<p>Crescemos juntas: eu aprendendo a ser m\u00e3e e ela aprendendo a ser ela mesma. Descobrimos duas palavras m\u00e1gicas: ela me chamou m\u00e3e e eu a chamei filha. Palavras novas e t\u00e3o viscerais que pacientes esperavam para se cumprir.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9ramos duas sendo uma em muitos sentidos. Carne da minha carne, fruto do meu amor, sonho dos meus sonhos. Ela me expandia e eu a protegia. Ela me dava a m\u00e3o e eu todos os sumos. Ela me dava a eternidade e eu lhe dava asas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela me alargava o cora\u00e7\u00e3o e eu lhe ensinava a caminhar sozinha. Ela me cobria de beijos e eu a cobria de b\u00ean\u00e7\u00e3os. Ela me pedia colo e eu lhe pedia sorrisos. Ela me traduzia e eu a decifrava.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela me ensinava e eu lhe descortinava o mundo. Ela me apontava o novo e eu lhe ensinava li\u00e7\u00f5es aprendidas no passado. Ela me falava de fadas e princesas e eu lhe falava de av\u00f3s e gentes. Ela me emprestava seus olhos encantados e eu rezava por um mundo melhor. Ela me tirava o sono e eu cantava para ela dormir. Ela me alegrava a vida e eu vivia para ela.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando um filho nasce come\u00e7amos a nos despedir dele no mesmo instante. Nosso, ele s\u00f3 \u00e9 quando no ventre. Depois somos seus abrigos, seus condutores, seus provedores sem nunca esquecer que eles come\u00e7am a ir embora no dia que nascem.<\/p>\n\n\n\n<p>No come\u00e7o o tempo parece parar. A plenitude da maternidade e a depend\u00eancia dos pequenos criam uma ilus\u00e3o de que ser\u00e1 assim para sempre. Mas n\u00e3o, eles crescem inexoravelmente em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 independ\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Cumpre-se o ciclo da vida e \u00e9 melhor que seja assim, caso contr\u00e1rio, significa que algo de muito triste, inverso ou perverso aconteceu.<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00e1 vai minha filha. Assim seja.<\/p>\n\n\n\n<p>Olho seus olhos profundos e vejo os mesmos olhos que ainda na sala de parto me olharam intrigados, solenes, como que me reconhecendo, me convocando. Eu disse &#8220;sim&#8221; \u00e0 minha filha e imediatamente a segui desde aquele instante, entregue, eleita.<\/p>\n\n\n\n<p>O amor que eu senti foi t\u00e3o avassalador e instant\u00e2neo que eu cheguei a ter medo. Sim, na hora que nasce o primeiro filho, a gente compreende a fragilidade da vida, a fugacidade das coisas e a passa a ter medo de morrer.<\/p>\n\n\n\n<p>O fato dela precisar de mim me tornava \u00fanica, imprescind\u00edvel. Eu n\u00e3o podia falhar, eu n\u00e3o podia morrer, afinal foi ela quem me escolheu. A partir dali, tudo mudou, meu espa\u00e7o, meu papel, minha rela\u00e7\u00e3o com o mundo adquiriu outra dimens\u00e3o: eu era sua m\u00e3e!<\/p>\n\n\n\n<p>Crescemos juntas. Somos amigas. M\u00e3e e filha. Ao longo desses anos rimos, choramos, brigamos, resolvemos impasses, estreitamos la\u00e7os, vencemos batalhas, enfrentamos noites escuras. Contamos uma com a outra, sempre.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0s vezes era eu quem a socorria outras vezes era ela quem me amparava. N\u00e3o foram poucas as vezes em que os pap\u00e9is se inverteram e ela foi minha m\u00e3e. \u00c0s vezes me pergunto se eu dei a ela tanto quanto recebi. Sinceramente, acho que n\u00e3o. Desde o momento zero ela transformou minha vida e, num movimento cont\u00ednuo, faz de mim uma pessoa melhor.<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00e1 vai minha filha. Apaixonada e confiante. Ensaiando voos, escolhendo caminhos, encerrando ciclos.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu feliz, penso: cumpra-se!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rosana Braga L\u00e1 vai minha filha quase voando no seu vestido et\u00e9reo. L\u00e1 vai minha filha de olhos amendoados e pele macia. A menina que estreou a m\u00e3e em mim. A menina que chegou trazendo todo um universo de novidades: emo\u00e7\u00f5es, medos, encantamentos, aprendizados. Crescemos juntas: eu aprendendo a ser m\u00e3e e ela aprendendo a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_uag_custom_page_level_css":"","footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-2207","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-historias","post-preview"],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"post-image":false},"uagb_author_info":{"display_name":"Rubens","author_link":"https:\/\/contandohistorias.com.br\/?author=1"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Rosana Braga L\u00e1 vai minha filha quase voando no seu vestido et\u00e9reo. L\u00e1 vai minha filha de olhos amendoados e pele macia. A menina que estreou a m\u00e3e em mim. A menina que chegou trazendo todo um universo de novidades: emo\u00e7\u00f5es, medos, encantamentos, aprendizados. Crescemos juntas: eu aprendendo a ser m\u00e3e e ela aprendendo a&hellip;","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/contandohistorias.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2207","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/contandohistorias.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/contandohistorias.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/contandohistorias.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/contandohistorias.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2207"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/contandohistorias.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2207\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2208,"href":"https:\/\/contandohistorias.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2207\/revisions\/2208"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/contandohistorias.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2207"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/contandohistorias.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2207"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/contandohistorias.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2207"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}