{"id":2276,"date":"2024-10-19T22:54:54","date_gmt":"2024-10-20T01:54:54","guid":{"rendered":"https:\/\/contandohistorias.com.br\/?p=2276"},"modified":"2024-10-19T22:54:59","modified_gmt":"2024-10-20T01:54:59","slug":"suportar-o-inevitavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/contandohistorias.com.br\/?p=2276","title":{"rendered":"Suportar o inevit\u00e1vel"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Eu poderia suportar todos os males que a vida me impusesse, menos uma coisa: a cegueira. Isso jamais eu poderia aguentar&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estas foram palavras do famoso novelista e dramaturgo americano, Booth Tarkington, vencedor do pr\u00eamio Pulitzer.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cada um de n\u00f3s poderia ent\u00e3o questionar: dos males, das provas da vida, qual seria aquela ou aquelas que n\u00e3o suportar\u00edamos?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Todos temos limites e medos \u00e9 certo. Ent\u00e3o, at\u00e9 quando, ou, at\u00e9 o qu\u00ea podemos, cada um de n\u00f3s, suportar?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Sr Tarkington viveu uma experi\u00eancia muito especial neste sentido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um dia, quando j\u00e1 estava com seus sessenta e poucos anos, olhou o tapete que cobria o assoalho. As cores estavam confusas, opacas. N\u00e3o podia distinguir o desenho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi a um especialista. Soube ent\u00e3o da tr\u00e1gica verdade: estava perdendo a vista. Um olho j\u00e1 estava quase inutilizado; o outro seguia o mesmo caminho. Acontecera-lhe o que ele mais temia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E como foi que Tarkington reagiu diante do pior dos desastres? Ser\u00e1 que pensou: A\u00ed est\u00e1! Eis o fim de minha vida&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o, absolutamente. Para sua pr\u00f3pria surpresa, sentiu-se quase alegre. Lan\u00e7ou m\u00e3o at\u00e9 mesmo do seu senso de humor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pequenas manchas flutuantes perturbavam-lhe a vis\u00e3o, passavam-lhe pelos olhos e impediam-no de ver.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Contudo, quando a maior delas passava pelos olhos, costumava dizer: &#8220;Ol\u00e1! L\u00e1 est\u00e1 o vov\u00f4 de novo! Para onde ser\u00e1 que vai nesta bela manh\u00e3? &#8220;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De que modo poderia o destino dominar tal Esp\u00edrito? A resposta \u00e9: n\u00e3o poderia de maneira nenhuma. Quando a cegueira total o envolveu, ele comentou: &#8220;Verifiquei que podia suportar a perda de meus olhos exatamente como o homem pode suportar qualquer outra coisa. Se perdesse todos os meus cinco sentidos, sei que poderia viver dentro da minha mente, pois \u00e9 atrav\u00e9s do c\u00e9rebro que vemos, e \u00e9 nele que tamb\u00e9m vivemos, quer saibamos disso ou n\u00e3o.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na esperan\u00e7a de recuperar a vista, submeteu-se, nos anos seguintes, a mais de doze opera\u00e7\u00f5es, delicadas, inc\u00f4modas. Revoltou-se, por acaso, contra isso? N\u00e3o! Sabia que isso precisava ser feito. Compreendia que n\u00e3o lhe era poss\u00edvel escapar de tal conting\u00eancia. Aceitava tudo com extrema dignidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Recusou o quarto particular que lhe reservaram no hospital e foi para uma enfermaria comum, onde pudesse estar em companhia de outras pessoas que tamb\u00e9m sofriam reveses.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando teve que se submeter \u00e0s repetidas opera\u00e7\u00f5es, procurava se lembrar do quanto era afortunado: &#8220;\u00c9 maravilhoso! \u00c9 maravilhoso ver-se como a ci\u00eancia pode agora realizar opera\u00e7\u00f5es numa coisa t\u00e3o delicada quanto os olhos humanos!&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Muitos outros, passando por tudo que ele passou, teriam se transformado em trapos humanos e desistido de tudo, por\u00e9m, Tarkington mostrou que \u00e9 poss\u00edvel, que \u00e9 sempre poss\u00edvel suportar o inevit\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Suportar o inevit\u00e1vel significa ter resigna\u00e7\u00e3o, esta aceita\u00e7\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o ao que a vida nos imp\u00f5e pelas leis naturais do Universo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sabendo que Deus \u00e9 soberanamente justo e bom, e que Suas Leis s\u00e3o perfeitas, n\u00e3o h\u00e1 o que temer.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os fardos que carregamos sempre s\u00e3o proporcionais \u00e0 nossa capacidade de suport\u00e1-los. Os fardos sempre nos fazem mais fortes, mais esclarecidos e maduros, quando suportados com resigna\u00e7\u00e3o e coragem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><em>Reda\u00e7\u00e3o do Momento Esp\u00edrita com base no cap. 9 do livro Como evitar preocupa\u00e7\u00f5es e come\u00e7ar a viver, de Dale Carneggie. ed. Companhia Editora Nacional.<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Eu poderia suportar todos os males que a vida me impusesse, menos uma coisa: a cegueira. Isso jamais eu poderia aguentar&#8221;. Estas foram palavras do famoso novelista e dramaturgo americano, Booth Tarkington, vencedor do pr\u00eamio Pulitzer. 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