{"id":259,"date":"2024-08-10T11:30:50","date_gmt":"2024-08-10T14:30:50","guid":{"rendered":"https:\/\/new.contandohistorias.com.br\/?p=259"},"modified":"2024-08-10T11:30:58","modified_gmt":"2024-08-10T14:30:58","slug":"ler-e-para-uma-minoria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/contandohistorias.com.br\/?p=259","title":{"rendered":"Ler \u00e9 para uma minoria?"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Liberato Vieira da Cunha<\/em><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-rich is-provider-incorporar-manipulador wp-block-embed-incorporar-manipulador\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-259-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/www.contandohistorias.com.br\/mp3\/2006254.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/www.contandohistorias.com.br\/mp3\/2006254.mp3\">https:\/\/www.contandohistorias.com.br\/mp3\/2006254.mp3<\/a><\/audio>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>H\u00e1 muito adotei um costume que me aparenta vagamente com os ratos de biblioteca. Sou um devorador compulsivo de sopas de letrinhas, n\u00e3o importa se as de um romance, de um jornal, de um guia telef\u00f4nico ou de um outdoor. Descubro agora espantado que um dos maiores escritores de nosso tempo considera que ler sempre foi e ser\u00e1 sempre algo para uma minoria.<\/p>\n\n\n\n<p>Jos\u00e9 Saramago declarou, para quem quisesse ouvir, que estimular o h\u00e1bito da leitura \u00e9 empresa in\u00fatil e n\u00e3o se pode exigir de ningu\u00e9m que morra de paix\u00e3o por ela. O Nobel portugu\u00eas criticou um plano do governo socialista de seu pa\u00eds para incentivar a leitura entre as crian\u00e7as, apesar de ser ele pr\u00f3prio membro de um comit\u00ea honor\u00e1rio que se dedica exatamente a estimular aquela pr\u00e1tica desde a inf\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>O autor de O Ano da Morte de Ricardo Reis \u00e9 pol\u00eamico pela pr\u00f3pria natureza. Desta vez, no entanto, parece que carregou na dose. Na Idade M\u00e9dia, ningu\u00e9m lia, a n\u00e3o ser os monges copistas. Depois de Gutenberg, essa passou a ser a divers\u00e3o de uma elite. Em nossos tempos, contudo, em que uma simples hist\u00f3ria de fantasia e suspense como O C\u00f3digo da Vinci vende 50 ou 60 milh\u00f5es de exemplares, j\u00e1 n\u00e3o se pode dizer que a literatura, mesmo a dos best-sellers, seja mania exclusiva de um c\u00edrculo de eleitos e muito menos que deva continuar assim.<\/p>\n\n\n\n<p>Conheci na Alemanha um projeto, que nasceu t\u00edmido e hoje tornou-se multinacional, cujo \u00fanico objetivo \u00e9 aproximar meninos e meninas dos livros j\u00e1 no jardim de inf\u00e2ncia. O presidente de honra desse movimento \u00e9 o presidente da RFA em pessoa. N\u00e3o creio que Sua Excel\u00eancia ou os milhares de volunt\u00e1rios devotados \u00e0 mesma causa sejam lun\u00e1ticos.<\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil n\u00e3o \u00e9 nenhum espelho para o mundo nesse campo. Mas vale tamb\u00e9m para n\u00f3s uma regrinha simples: aprende-se a gostar de ler quando se \u00e9 crian\u00e7a ou nunca mais se contrai o agrad\u00e1vel v\u00edcio. Conhe\u00e7o pais que l\u00eaem para seus filhos \u00e0 noite. Outros adotam a receita do exemplo: t\u00eam sempre um livro ao alcance da m\u00e3o. Mas \u00e9 do professor a grande miss\u00e3o de converter o testemunho do lar em um exerc\u00edcio para toda a vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Jos\u00e9 Saramago \u00e9 um excelente ficcionista. Aqueles enormes \u00f3culos denunciam tamb\u00e9m um leitor impenitente. \u00c9 por isso que acho que valem para ele as palavras de um de seus colegas, hoje gloriosamente jovem aos cem anos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O livro tem a vantagem de a gente poder estar s\u00f3 e ao mesmo tempo acompanhado&#8221;<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>falou e disse Mario Quintana.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Porto Alegre, 22 de agosto de 2006<\/p>\n\n\n\n<p>Zero Hora, Edi\u00e7\u00e3o n\u00ba 14973<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Liberato Vieira da Cunha H\u00e1 muito adotei um costume que me aparenta vagamente com os ratos de biblioteca. Sou um devorador compulsivo de sopas de letrinhas, n\u00e3o importa se as de um romance, de um jornal, de um guia telef\u00f4nico ou de um outdoor. 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