{"id":394,"date":"2024-08-11T20:17:17","date_gmt":"2024-08-11T23:17:17","guid":{"rendered":"https:\/\/new.contandohistorias.com.br\/?p=394"},"modified":"2024-08-11T20:17:23","modified_gmt":"2024-08-11T23:17:23","slug":"sentar-se-a-janela-do-aviao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/contandohistorias.com.br\/?p=394","title":{"rendered":"Sentar-se \u00e0 janela do avi\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><em>Alexandre Garcia<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-rich is-provider-incorporar-manipulador wp-block-embed-incorporar-manipulador\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-394-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/www.contandohistorias.com.br\/mp3\/2006477.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/www.contandohistorias.com.br\/mp3\/2006477.mp3\">https:\/\/www.contandohistorias.com.br\/mp3\/2006477.mp3<\/a><\/audio>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>Era crian\u00e7a quando, pela primeira vez, entrei em um avi\u00e3o. A ansiedade de voar era enorme.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu queria me sentar ao lado da janela de qualquer jeito, acompanhar o v\u00f4o desde o primeiro momento e sentir o avi\u00e3o correndo na pista cada vez mais r\u00e1pido at\u00e9 a decolagem.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao olhar pela janela via, sem palavras, o avi\u00e3o rompendo as nuvens, chegando ao c\u00e9u azul. Tudo era novidade e fantasia..<\/p>\n\n\n\n<p>Cresci, me formei, e comecei a trabalhar. No meu trabalho, desde o in\u00edcio, voar era uma necessidade constante.<\/p>\n\n\n\n<p>As reuni\u00f5es em outras cidades e a correria me obrigavam, \u00e0s vezes, a estar em dois lugares num mesmo dia.<\/p>\n\n\n\n<p>No in\u00edcio pedia sempre poltronas ao lado da janela, e, ainda com olhos de menino, fitava as nuvens, curtia a viagem, e nem me incomodava de esperar um pouco mais para sair do avi\u00e3o, pegar a bagagem, coisa e tal.<\/p>\n\n\n\n<p>O tempo foi passando, a correria aumentando, e j\u00e1 n\u00e3o fazia quest\u00e3o de me sentar \u00e0 janela, nem mesmo de ver as nuvens, o sol, as cidades abaixo, o mar ou qualquer paisagem que fosse.<\/p>\n\n\n\n<p>Perdi o encanto. Pensava somente em chegar e sair, me acomodar r\u00e1pido e sair r\u00e1pido.<\/p>\n\n\n\n<p>As poltronas do corredor agora eram exig\u00eancia . Mais f\u00e1ceis para sair sem ter que esperar ningu\u00e9m, sempre e sempre preocupado com a hora, com o compromisso, com tudo, menos com a viagem, com a paisagem, comigo mesmo.<\/p>\n\n\n\n<p>Por um desses maravilhosos &#8216;acasos&#8217; do destino, estava eu louco para voltar de S\u00e3o Paulo numa tarde chuvosa, precisando chegar em Curitiba o mais r\u00e1pido poss\u00edvel..<\/p>\n\n\n\n<p>O v\u00f4o estava lotado e o \u00fanico lugar dispon\u00edvel era uma janela, na \u00faltima poltrona. Sem pensar concordei de imediato, peguei meu bilhete e fui para o embarque.<\/p>\n\n\n\n<p>Embarquei no avi\u00e3o, me acomodei na poltrona indicada: a janela. Janela que h\u00e1 muito eu n\u00e3o via, ou melhor, pela qual j\u00e1 n\u00e3o me preocupava em olhar.<\/p>\n\n\n\n<p>E, num rompante, assim que o avi\u00e3o decolou, lembrei-me da primeira vez que voara. Senti novamente e estranhamente aquela ansiedade, aquele frio na barriga. Olhava o avi\u00e3o rompendo as nuvens escuras at\u00e9 que, tendo passado pela chuva, apareceu o c\u00e9u.<\/p>\n\n\n\n<p>Era de um azul t\u00e3o lindo como jamais tinha visto. E tamb\u00e9m o sol, que brilhava como se tivesse acabado de nascer&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Naquele instante, em que voltei a ser crian\u00e7a, percebi que estava deixando de viver um pouco a cada viagem em que desprezava aquela vista..<\/p>\n\n\n\n<p>Pensei comigo mesmo: ser\u00e1 que em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s outras coisas da minha vida eu tamb\u00e9m n\u00e3o havia deixado de me sentar \u00e0 janela, como, por exemplo, olhar pela janela das minhas amizades, do meu relacionamento, do meu trabalho e conv\u00edvio pessoal?<\/p>\n\n\n\n<p>Creio que aos poucos, e mesmo sem perceber, deixamos de olhar pela janela da nossa vida.<\/p>\n\n\n\n<p>A vida tamb\u00e9m \u00e9 uma viagem e se n\u00e3o nos sentarmos \u00e0 janela, perdemos o que h\u00e1 de melhor: as paisagens, que s\u00e3o nossos amores, alegrias, tristezas, enfim, tudo o que nos mant\u00e9m vivos.<\/p>\n\n\n\n<p>Se viajarmos somente na poltrona do corredor, com pressa de chegar, sabe-se l\u00e1 aonde, perderemos a oportunidade de apreciar as belezas que a viagem nos oferece.<\/p>\n\n\n\n<p>Se voc\u00ea tamb\u00e9m est\u00e1 num ritmo acelerado, pedindo sempre poltronas do corredor, para embarcar e desembarcar r\u00e1pido e &#8216;ganhar tempo&#8217;, pare um pouco e reflita sobre aonde voc\u00ea quer chegar. A aeronave da nossa exist\u00eancia voa c\u00e9lere e a dura\u00e7\u00e3o da viagem n\u00e3o \u00e9 anunciada pelo comandante. N\u00e3o sabemos quanto tempo ainda nos resta. Por essa raz\u00e3o, vale a pena sentar pr\u00f3ximo da janela para n\u00e3o perder nenhum detalhe.<\/p>\n\n\n\n<p>Afinal, &#8220;a vida, a felicidade e a paz s\u00e3o caminhos e n\u00e3o destinos&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alexandre Garcia Era crian\u00e7a quando, pela primeira vez, entrei em um avi\u00e3o. A ansiedade de voar era enorme. Eu queria me sentar ao lado da janela de qualquer jeito, acompanhar o v\u00f4o desde o primeiro momento e sentir o avi\u00e3o correndo na pista cada vez mais r\u00e1pido at\u00e9 a decolagem. 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