{"id":694,"date":"2024-08-17T20:53:21","date_gmt":"2024-08-17T23:53:21","guid":{"rendered":"https:\/\/new.contandohistorias.com.br\/?p=694"},"modified":"2024-08-17T20:53:27","modified_gmt":"2024-08-17T23:53:27","slug":"a-orquidea-branca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/contandohistorias.com.br\/?p=694","title":{"rendered":"A Orqu\u00eddea branca&#8230;"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Rubia A. Dant\u00e9s<\/em><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-rich is-provider-incorporar-manipulador wp-block-embed-incorporar-manipulador\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-694-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/www.contandohistorias.com.br\/mp3\/2006192.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/www.contandohistorias.com.br\/mp3\/2006192.mp3\">https:\/\/www.contandohistorias.com.br\/mp3\/2006192.mp3<\/a><\/audio>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A mulher ganhou de presente um vaso com uma linda orqu\u00eddea branca. Ficou t\u00e3o encantada que colocou a planta em um xaxim na \u00e1rvore mais bonita do jardim&#8230; A planta criou ra\u00edzes que se prenderam na \u00e1rvore&#8230; e a flor&#8230; no tempo certo&#8230; morreu. Passou um tempo e a mulher se esqueceu da orqu\u00eddea que acabou se misturando \u00e1s muitas plantas do jardim&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Muito tempo depois quando passeava distra\u00edda pelo jardim ela viu a linda flor branca&#8230; Com uma exclama\u00e7\u00e3o de alegria se aproximou da linda orqu\u00eddea que nasceu sem ser esperada&#8230; A mulher ficou de novo t\u00e3o encantada que quis preservar ao m\u00e1ximo aquela flor t\u00e3o preciosa, da chuva&#8230; do sol&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Enquanto admirava a sua beleza ia pensando em uma forma de proteg\u00ea-la para que ela ficasse o maior tempo poss\u00edvel enfeitando o jardim, sem sofrer nenhum dano nas aveludadas p\u00e9talas brancas&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Colocou ent\u00e3o um pl\u00e1stico branco esticado sobre a planta&#8230; que protegia completamente a orqu\u00eddea. Mas&#8230; tamb\u00e9m escondia a sua beleza&#8230; Quem passasse por ali, com certeza, veria a prote\u00e7\u00e3o, que chamava a aten\u00e7\u00e3o porque destoava do que era a natureza&#8230; mas n\u00e3o via a orqu\u00eddea&#8230; a menos que tivesse um olhar bem atento e sens\u00edvel para o que estava al\u00e9m&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A orqu\u00eddea at\u00e9 se sentiu feliz e orgulhosa&#8230; quando se viu tratada de forma t\u00e3o especial, ao contr\u00e1rio das muitas flores que estavam espalhadas no jardim&#8230; e na primeira chuva que veio se sentiu protegida e confort\u00e1vel quando os grossos pingos n\u00e3o chegavam a tocar as suas deliccadas p\u00e9talas&#8230; Ali de cima ela podia ver algumas flores perdendo uma p\u00e9tala aqui, outra ali, e se curvando ao sabor das \u00e1guas e do vento forte. E quando veio o sol a orqu\u00eddea tamb\u00e9m n\u00e3o p\u00f4de sentir na pele das p\u00e9talas o calor, porque aquela prote\u00e7\u00e3o impedia que o sol a atingisse em cheio&#8230; como fazia com as outras flores do jardim. Ela estava protegida, com certeza estava. Mas n\u00e3o estava feliz&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Olhando as outras flores, ao sabor da chuva, do sol, podia ver um brilho especial nas p\u00e9talas e um vi\u00e7o diferente, e mesmo aquelas que perdiam algumas p\u00e9talas quando a \u00e1gua vinha mais forte, pareciam felizes, muito felizes, e exalavam vida, al\u00e9m de perfume.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A orqu\u00eddea, mesmo linda, parecia p\u00e1lida e sem vida&#8230; e se sentia assim. E as chuvas foram caindo, o sol foi brilhando, as flores nasciam e morriam. E a orqu\u00eddea enfeitava o jardim, intacta e bela, Mas, triste, muito triste. Ela percebeu que o seu tempo estava passando, e isso deu-lhe uma profunda tristeza por n\u00e3o poder ter vivido a chuva, o sol. Nunca p\u00f4de sentir a alegria incontida que percebia nas outras flores quando em contato com as for\u00e7as da natureza. Aquele pl\u00e1stico que protegia, sufocava mais que tudo. E o tempo que ela ganhou com esta prote\u00e7\u00e3o acabou se tornando tristeza.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E foi a lua, que tamb\u00e9m n\u00e3o tinha conseguido tocar diretamente as suas p\u00e9talas, que entendeu o sofrimento da orqu\u00eddea, e sentiu uma profunda compaix\u00e3o pela linda flor. Num ato de Amor, lan\u00e7ou um raio de luar t\u00e3o intenso que desintegrou completamente o pl\u00e1stico que protegia a orqu\u00eddea, que se rendeu feliz \u00e1 lua, ao sol, \u00e1 chuva, \u00e1 vida, intensamente, at\u00e9 seu \u00faltimo e derradeiro instante, colorido e encantado por gotas d&#8217;\u00e1gua, filtradas pelo sol em cores de arco \u00edris.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Muitas vezes, os escudos que usamos para nos proteger, nos impedem de viver o melhor da vida e escondem o que temos de mais bonito.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rubia A. Dant\u00e9s A mulher ganhou de presente um vaso com uma linda orqu\u00eddea branca. Ficou t\u00e3o encantada que colocou a planta em um xaxim na \u00e1rvore mais bonita do jardim&#8230; A planta criou ra\u00edzes que se prenderam na \u00e1rvore&#8230; e a flor&#8230; no tempo certo&#8230; morreu. 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