{"id":864,"date":"2024-08-21T22:19:14","date_gmt":"2024-08-22T01:19:14","guid":{"rendered":"https:\/\/new.contandohistorias.com.br\/?p=864"},"modified":"2024-08-21T22:19:18","modified_gmt":"2024-08-22T01:19:18","slug":"carta-do-chefe-indigena-seatle","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/contandohistorias.com.br\/?p=864","title":{"rendered":"Carta do chefe ind\u00edgena Seatle"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-rich is-provider-incorporar-manipulador wp-block-embed-incorporar-manipulador\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-864-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/www.contandohistorias.com.br\/mp3\/2006569.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/www.contandohistorias.com.br\/mp3\/2006569.mp3\">https:\/\/www.contandohistorias.com.br\/mp3\/2006569.mp3<\/a><\/audio>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>O ar \u00e9 precioso para o homem vermelho, pois todas as coisas compartilham o mesmo sopro: o animal, a \u00e1rvore, o homem, todos compartilham o mesmo sopro. Parece que o homem branco n\u00e3o sente o ar que respira. Como um homem agonizante h\u00e1 v\u00e1rios dias, \u00e9 insens\u00edvel ao mau cheiro (&#8230;).<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, vamos meditar sobre sua oferta de comprar nossa terra. Se decidirmos aceitar, imporei uma condi\u00e7\u00e3o: o homem deve tratar os animais desta terra como seus irm\u00e3os (&#8230;)<\/p>\n\n\n\n<p>O que \u00e9 o homem sem os animais? Se os animais se fossem, o homem morreria de uma grande solid\u00e3o de esp\u00edrito. Pois o que ocorre com os animais, breve acontece com o homem. H\u00e1 uma liga\u00e7\u00e3o em tudo.<\/p>\n\n\n\n<p>Voc\u00eas devem ensinar \u00e0s suas crian\u00e7as que o solo a seus p\u00e9s \u00e9 a cinza de nossos av\u00f3s. Para que respeitem a Terra, digam a seus filhos que ela foi enriquecida com as vidas de nosso povo. Ensinem \u00e0s suas crian\u00e7as o que ensinamos \u00e0s nossas, que a Terra \u00e9 nossa m\u00e3e. Tudo o que acontecer \u00e0 Terra, acontecer\u00e1 aos filhos da Terra. Se os homens cospem no solo est\u00e3o cuspindo em si mesmos.<\/p>\n\n\n\n<p>Isto sabemos: a Terra n\u00e3o pertence ao homem; o homem pertence \u00e0 Terra. Isto sabemos: todas as coisas est\u00e3o ligadas, como o sangue que une uma fam\u00edlia. H\u00e1 uma liga\u00e7\u00e3o em tudo.<\/p>\n\n\n\n<p>O que ocorre com a terra recair\u00e1 sobre os filhos da terra. O homem n\u00e3o teceu o tecido da vida: ele \u00e9 simplesmente um de seus fios. Tudo o que fizer ao tecido, far\u00e1 a si mesmo.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo o homem branco, cujo Deus caminha e fala com ele de amigo para amigo, n\u00e3o pode estar isento do destino comum. \u00c9 poss\u00edvel que sejamos irm\u00e3os, apesar de tudo. Veremos. De uma coisa estamos certos ( e o homem branco poder\u00e1 vir a descobrir um dia): nosso Deus \u00e9 o mesmo Deus. Voc\u00eas podem pensar que o possuem, como desejam possuir nossa terra, mas n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel. Ela \u00e9 o Deus do homem e sua compaix\u00e3o \u00e9 igual para o homem branco e para o homem vermelho. A terra lhe \u00e9 preciosa e feri-la \u00e9 desprezar o seu Criador. Os brancos tamb\u00e9m passar\u00e3o; talvez mais cedo do que todas as outras tribos. Contaminem suas camas, e uma noite ser\u00e3o sufocados pelos pr\u00f3prios dejetos.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas quando de sua desapari\u00e7\u00e3o, voc\u00eas brilhar\u00e3o intensamente, iluminados pela for\u00e7a do Deus que os trouxe a esta terra e por alguma raz\u00e3o especial lhes deu o dom\u00ednio sobre a terra e sobre o homem vermelho. Esse destino \u00e9 um mist\u00e9rio para n\u00f3s, pois n\u00e3o compreendemos que todos os b\u00fafalos sejam exterminados, os cavalos bravios todos domados, os recantos secretos da floresta densa impregnados do cheiro de muitos homens, e a vis\u00e3o dos morros obstru\u00edda por fios que falam. Onde est\u00e1 a \u00e1rvore? Desapareceu. Onde est\u00e1 a \u00e1gua? Desapareceu. \u00c9 o final da vida e o in\u00edcio da sobreviv\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Como \u00e9 que se pode comprar ou vender o c\u00e9u, o calor da terra? Essa id\u00e9ia nos parece um pouco estranha. Se n\u00e3o possu\u00edmos o frescor do ar e o brilho da \u00e1gua como \u00e9 poss\u00edvel compr\u00e1-los?<\/p>\n\n\n\n<p>Cada peda\u00e7o desta terra \u00e9 sagrado para meu povo. Cada ramo brilhante de um pinheiro, cada punhado de areia das praias, a penumbra na floresta densa, cada clareira, cada inseto a zumbir \u00e9 sagrado na mem\u00f3ria e experi\u00eancia do meu povo. A seiva que percorre o corpo das \u00e1rvores carrega consigo as lembran\u00e7as do homem vermelho (&#8230;).<\/p>\n\n\n\n<p>Essa \u00e1gua brilhante que corre nos rios n\u00e3o \u00e9 apenas \u00e1gua, mas a id\u00e9ia nos parece um pouco estranha. Se n\u00e3o possu\u00edmos o frescor do ar e o brilho da \u00e1gua como \u00e9 poss\u00edvel compr\u00e1-los?<\/p>\n\n\n\n<p>Cada peda\u00e7o desta terra \u00e9 sagrado para meu povo. Cada ramo brilhante de um pinheiro, cada punhado de areia das praias, a penumbra na floresta densa, cada clareira, cada inseto a zumbir \u00e9 sagrado na mem\u00f3ria e experi\u00eancia do meu povo. A seiva que percorre o corpo das \u00e1rvores carrega consigo as lembran\u00e7as do homem vermelho (&#8230;).<\/p>\n\n\n\n<p>Essa \u00e1gua brilhante que corre nos rios n\u00e3o \u00e9 apenas \u00e1gua, mas o sangue de nossos antepassados. Se vendermos a terra, voc\u00eas devem lembrar-se de que ela \u00e9 sagrada, devem ensinar \u00e0s crian\u00e7as que ela \u00e9 sagrada e que cada reflexo nas \u00e1guas l\u00edmpidas dos lagos fala de acontecimentos e lembran\u00e7as da vida do meu povo. O murm\u00fario das \u00e1guas \u00e9 a voz dos meus ancestrais.<\/p>\n\n\n\n<p>Os rios s\u00e3o nossos irm\u00e3os, saciam nossa sede. Os rios carregam nossas canoas e alimentam nossas crian\u00e7as. Se lhes vendermos nossa terra, voc\u00eas devem lembrar e ensinar a seus filhos que os rios s\u00e3o nossos irm\u00e3os e seus tamb\u00e9m. E, portanto, voc\u00eas devem dar aos rios a bondade que dedicariam a qualquer irm\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Sabemos que o homem branco n\u00e3o compreende nossos costumes. Uma por\u00e7\u00e3o de terra, para ele, tem o mesmo significado que qualquer outra, pois \u00e9 um forasteiro que vem \u00e0 noite e extrai da terra aquilo de que necessita. A terra n\u00e3o \u00e9 sua irm\u00e3, mas sua inimiga e, quando ele a conquista, prossegue seu caminho. Deixa para tr\u00e1s os t\u00famulos de seus antepassados e n\u00e3o se incomoda. Rapta da terra aquilo que seria de seus filhos e n\u00e3o se importa (&#8230;). Seu apetite devorar\u00e1 a terra, deixando somente um deserto.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu n\u00e3o sei. Nossos costumes s\u00e3o diferentes dos seus.<\/p>\n\n\n\n<p>A vis\u00e3o de suas cidades fere os olhos do homem vermelho. Talvez porque o homem vermelho \u00e9 um selvagem e n\u00e3o compreenda.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 lugar quieto nas cidades do homem branco. Nenhum lugar onde se possa ouvir o desabrochar de folhas na primavera ou o bater de asas de um inseto. Mas talvez seja porque eu sou um selvagem e n\u00e3o compreendo. O ru\u00eddo parece apenas insultar os ouvidos. E o que resta da vida de um homem, se n\u00e3o pode ouvir o choro solit\u00e1rio de uma ave ou o debate dos sapos ao redor de uma lagoa, \u00e0 noite? Eu sou um homem vermelho e n\u00e3o compreendo. O \u00edndio prefere o suave murm\u00fario do vento encrespando a face do lago, e o pr\u00f3prio vento, limpo por uma chuva diurna ou perfumado pelos pinheiros.?<\/p>\n\n\n\n<p>Sabemos que o homem branco n\u00e3o compreende nossos costumes. Uma por\u00e7\u00e3o de terra, para ele, tem o mesmo significado que qualquer outra, pois \u00e9 um forasteiro que vem \u00e0 noite e extrai da terra aquilo de que necessita. A terra n\u00e3o \u00e9 sua irm\u00e3, mas sua inimiga e, quando ele a conquista, prossegue seu caminho. Deixa para tr\u00e1s os t\u00famulos de seus antepassados e n\u00e3o se incomoda. Rapta da terra aquilo que seria de seus filhos e n\u00e3o se importa (&#8230;). 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