Autor: Rubens (Page 35 of 112)

Para você estar passando adiante

Ricardo Freire

Este artigo foi feito especialmente para que você possa estar recortando e possa estar deixando discretamente sobre a mesa de alguém que não consiga estar falando sem estar espalhando essa praga terrível da comunicação moderna, o gerundismo.

Você pode também estar passando por fax, estar mandando pelo correio ou estar enviando pela Internet.

O importante é estar garantindo que a pessoa em questão vá estar recebendo esta mensagem, de modo que ela possa estar lendo e, quem sabe, consiga até mesmo estar se dando conta da maneira como tudo o que ela costuma estar falando deve estar soando nos ouvidos de quem precisa estar escutando.

Sinta-se livre para estar fazendo tantas cópias quantas você vá estar achando necessárias, de modo a estar atingindo o maior número de pessoas infectadas por esta epidemia de transmissão oral. Mais do que estar repreendendo ou estar caçoando, o objetivo deste movimento é estar fazendo com que esteja caindo a ficha nas pessoas que costumam estar falando desse jeito sem estar percebendo. Nós temos que estar nos unindo para estar mostrando a nossos interlocutores que, sim!, pode estar existindo uma maneira de estar aprendendo a estar parando de estar falando desse jeito. Até porque, caso contrário, todos nós vamos estar sendo obrigados a estar emigrando para algum lugar onde não vão estar nos obrigando a estar ouvindo frases assim o dia inteirinho.

Sinceramente: nossa paciência está estando a ponto de estar estourando. O próximo “Eu vou estar transferindo a sua ligação” que eu vá estar ouvindo pode estar provocando alguma reação violenta da minha parte. Eu não vou estar me responsabilizando pelos meus atos.

As pessoas precisam estar entendendo a maneira como esse vício maldito conseguiu estar entrando na linguagem do dia-a-dia. Tudo começou a estar acontecendo quando alguém precisou estar traduzindo manuais de atendimento por telemarketing. Daí a estar pensando que “We’ll be sending it tomorrow” possa estar tendo o mesmo significado que “Nós vamos estar mandando isso amanhã” acabou por estar sendo só um passo.

Pouco a pouco a coisa deixou de estar acontecendo apenas no âmbito dos atendentes de telemarketing para estar ganhando os escritórios. Todo mundo passou a estar marcando reuniões, a estar considerando pedidos e a estar retornando ligações.

A gravidade da situação só começou a estar se evidenciando quando o diálogo mais coloquial demonstrou estar sendo invadido inapelavelmente pelo gerundismo. A primeira pessoa que inventou de estar falando “Eu vou tá pensando no seu caso” sem querer acabou por estar escancarando uma porta para essa infelicidade lingüística estar se instalando nas ruas e estar entrando em nossas vidas. Você certamente já deve ter estado estando a estar ouvindo coisas como “O que cê vai tá fazendo domingo?”, ou “Quando que cê vai tá viajando pra praia?”, ou “Me espera, que eu vou tá te ligando assim que eu chegar em casa”.

Caramba! O que a gente pode tá fazendo pra que as pessoas tejam entendendo o que esse negócio pode tá provocando no cérebro das novas gerações? A única solução vai estar sendo submeter o gerundismo à mesma campanha de desmoralização à qual precisaram estar sendo expostos seus coleguinhas contagiosos, como o “a nível de”, o “enquanto”, o “pra se ter uma idéia” e outros menos votados.

A nível de linguagem, enquanto pessoa, o que você acha de tá insistindo em tá falando desse jeito?

Para que Gritar?

Um dia, um pensador indiano fez a seguinte pergunta a seus discípulos :

“Por que as pessoas gritam quando estão aborrecidas?” “Gritamos porque perdemos a calma”, disse um deles.

“Mas, por que gritar quando a outra pessoa está ao seu lado?”, questionou novamente o pensador.

“Bem, gritamos porque desejamos que a outra pessoa nos ouça”, retrucou outro discípulo.

E o mestre volta a perguntar :

“Então não é possível falar-lhe em voz baixa?”

Várias outras respostas surgiram, mas nenhuma convenceu o pensador.

Então ele esclareceu :

“Vocês sabem porque se grita com uma pessoa quando se está aborrecido?”

O fato é que, quando duas pessoas estão aborrecidas, seus corações se afastam muito.

Para cobrir esta distância precisam gritar para poderem escutar-se mutuamente.

Quanto mais aborrecidas estiverem, mais forte terão que gritar para ouvir um ao outro, através da grande distância.

Por outro lado, o que sucede quando duas pessoas estão enamoradas?

Elas não gritam. Falam suavemente. E por quê?

Porque seus corações estão muito perto. A distância entre elas é pequena.

Às vezes estão tão próximos seus corações, que nem falam, somente sussurram.

E quando o amor é mais intenso, não necessitam sequer sussurrar, apenas se olham, e basta.

Seus corações se entendem.

É isso que acontece quando duas pessoas que se amam estão próximas.

Por fim, o pensador conclui, dizendo :

“Quando vocês discutirem, não deixem que seus corações se afastem, não digam palavras que os distanciem mais, pois chegará um dia em que a distância será tanta que não mais encontrarão o caminho de volta”.

Para combater a contrariedade

Extraído de Cem Impulsos Positivos Para Viver Melhor, de Eduardo Criado

O Dr. John Sain Schindler recomenda um método fácil e simples de ser usado, ainda que provoque risos em alguém. Diz ele:

“Sempre que enfrentar uma irritação que lhe bate à porta, experimente a estratégia de formar o circulo mágico com o indicador e o polegar e, pondo-o à sua frente, diga: para o diabo que o carregue. Não permitirei que isso me aflija.”

Parábola do Carro que Não Gostava de Sorvete

Não importa quão “louco” você possa achar que alguns de nossos clientes possam ser, eles podem estar certos.

Tempos atrás uma queixa foi recebida pela Divisão Pontiac da General Motors em que o cliente relatava a história a seguir:

Esta é a segunda vez que eu escrevo a vocês e não os culpo por não me responderem, porque eu posso parecer louco, mas o fato é que nós temos a tradição, em nossa família, de ter sorvete como sobremesa todas as noites após jantar. Mas o tipo de sorvete varia. Então, todas as noites, após termos jantado, a família vota e escolhe um sabor de sorvete e eu me dirijo até a loja para comprá-lo.

Pois bem, recentemente comprei um novo Pontiac – modelo da General Motors – e desde então minhas idas à loja têm sido um problema.

Toda vez que eu compro sorvete de baunilha, quando eu volto da loja para minha casa, o carro não funciona. Mas se eu levo qualquer outro tipo de sorvete o carro funciona normalmente.

Eu quero que vocês saibam que estou sendo sério em relação a esta questão, não importa quão tola ela pareça: o que acontece com o Pontiac que o faz não funcionar quando eu compro sorvete de baunilha e funciona toda vez que compro outro sabor?

O presidente da Pontiac ficou sem compreender a carta, mas enviou um engenheiro para checar o assunto. Esse ficou surpreso por ter sido recebido por um homem bem-sucedido, educado e de bons relacionamentos.

O técnico, então, combinou de encontrar o homem logo após o jantar. Os dois entraram no carro e se dirigiram até a loja de sorvetes. Naquela noite foi escolhido o sorvete de sabor baunilha, com a certeza de que depois que retornassem ao carro, ele não iria funcionar, e foi o que realmente aconteceu.

O engenheiro retornou por mais três noites. Na primeira noite, o homem escolheu o sabor chocolate. O carro funcionou. Na segunda noite, escolheu morango. O carro funcionou. Na terceira noite, pegou o de baunilha. O carro falhou.

Sendo um homem lógico, o engenheiro recusou-se a acreditar que o carro daquele homem era “alérgico” a baunilha. Sendo assim, combinaram de continuar as visitas até que conseguisse resolver o problema. Então começou a fazer anotações. Anotou todos os tipos de dados, hora do dia, tipo de combustível usado, hora de dirigir, etc.

Em pouco tempo, ele tinha uma pista. O homem levava menos tempo para comprar o sorvete de baunilha do que qualquer outro sabor. Por quê?

O engenheiro percebeu que a resposta estava na disposição dos sorvetes na loja. O sorvete de baunilha, sendo o sabor mais popular, estava numa caixa separada na frente da loja para ser pego rapidamente. Todos os outros sabores eram mantidos nos fundos a loja, num outro balcão, o que acarretava uma demora considerável para pegá-los.

Agora a pergunta para o engenheiro era: por que o carro não queria funcionar quando se levava menos tempo?

Uma vez identificado o problema – não o sorvete de baunilha – o engenheiro veio rapidamente com a resposta. Era a saída do vapor.

Acontecia sempre, todas as noites. O tempo extra para pegar os outros sabores de sorvete deixava o motor esfriar o suficiente para funcionar tranqüilamente. Mas quando o homem pegava o sorvete de baunilha – que estava mais próximo – o motor ainda estava quente para o vapor ter se dissipado.

Moral da historia: Não importa quanto absurda ou maluca possa ser a reclamação de um cliente. Sempre ouça com atenção as reclamações e esteja sempre disponível para resolver seus problemas. Pois como diz o ditado: O cliente sempre tem razão.

Parábola da Felicidade

Após uma caminhada exaustiva pelo campo, os quatro amigos sentaram à beira do caminho, embaixo da sombra da velha maqueira.

Era ela a única árvore numa plantação de melancias.

Era como se representasse, com dignidade a espécie das árvores, num planeta onde alguns humanos não importam em destruí-las em nome de um progresso duvidoso.

Aquele era o local preferido dos rapazes – jacas e melancias à vontade ! Aquele dia era especial… terminaram o curso e, provavelmente, seria a última vez que caminhariam juntos.

Embora nem admitissem, estavam conscientes do momento e não perceberam o estranho brilho pairando sobre a copa da jaqueira.

Não fiquem tristes, nós nos veremos novamente…

Os amigos se entreolharam, espantados.

Quem disse isso ? perguntou Eduardo, intrigado.

A voz era suave e nem parecida com nenhum deles.

— Ouvi! confirmou Pedro.

— Parece que veio lá de cima.

— Também escutei! disse Silas.

— Estranho! comentou Antônio. Acho que pegamos sol demais pelo caminho.

— Ei! exclamou Silas. Vocês estão notando uma luz estranha no alto da árvore ?

Todos olharam para cima.

— É verdade. Vai ver é um disco voador!

Escutaram a voz novamente :

— Não é brincadeira! Eu posso atender um pedido de cada um de vocês para que sejam felizes…

O susto foi grande. Uma árvore falante! Árvores não falam! Ou falam ?

O conhecimento científico, impõe-se de maneira preponderante, de tal forma que acabamos por crer apenas no que conseguimos pesar, medir, reduzir, ao mesmo tempo que passamos a recusar tudo o que não se enquadre nesses experimentos científicos.

— Vo… você é um tipo de árvore da felicidade ? perguntou Antônio.

— Não importa agora. Façam logo seus pedidos…

— Quero ser o homem mais rico do mundo! falou Antônio, superando os instantes de incredulidade.

Ninguém consegue ser feliz sem dinheiro. Silas pediu :

— Quero ser o homem mais amado do mundo, já que dinheiro não traz felicidade.

Eduardo falou :

— Eu quero ser muito inteligente! E também jovem! Mocidade e inteligência são, sem dúvida, as maiores felicidades.

Pedro pediu :

— Eu quero ser o homem mais famoso, com glória.

E todos riram.

Rapidamente a copa da jaqueira mudou de cor, soltou estranho zunido e, por fim, subiu velozmente para o céu, deixando um rastro luminoso e os quatro amigos boquiabertos.

O tempo passou…

Cada um seguiu seu caminho.

Conforme pediram, seus desejos foram realizados, embora não tivessem conseguido a tão ansiada felicidade…

Antônio tornou-se o homem mais rico, graças a uma estranha sorte no mundo dos negócios.

Acumulara fortuna, mas a riqueza só lhe trouxe problemas.

Nunca tinha certeza se as pessoas que conviviam ao seu redor estavam interessadas nele ou na sua fortuna, e por isso ia se tornando taciturno, entediado, egoísta, isolando-se de todos.

Só saía protegido por guarda-costas, por medo de seqüestros.

Silas, por sua vez, era muito amado.

Ainda que fizesse as piores maldades, seus fanáticos admiradores sorriam para ele e lhe adoravam. Mas sentia-se muito só.

Não fazia diferença como tratava as pessoas : o resultado era o mesmo.

Tinha muitas mulheres, mas não amava nenhuma.

O amor das pessoas, sem que fizesse nada para conquistá-lo, tornou-o cruel e perverso.

Sentia prazer em maltratar as pessoas. Eduardo permanecia jovem e inteligente.

Era requisitado para palestras pelo mundo todo. Governantes solicitavam sua sabedoria.

Mas era infeliz e solitário. Era alvo constante da inveja das pessoas.

Coisas simples como sair à rua ou ter amigos, era impossível agora.

Vivia recluso, por evitar os jornalistas e a milhares de convites para apresentações em público.

Antônio, Silas e Pedro viam a morte como libertadora de tanta infelicidade e frustração.

Para Eduardo, sempre jovem, pensava ele mesmo dar fim a sua vida infeliz. 1990… 1996… 2000… 2003… 2008…Embora nunca mais tivessem se encontrado depois daquele dia, os quatro mantinham o hábito de olhar o céu em noites estreladas, à procura de um estranho brilho esverdeado.

Um dia, os quatro largaram tudo e fugiram. Viram-se novamente no local da velha jaqueira.

— Fomos enganados. Mas o que podemos fazer agora ? E choraram, abraçados um ao outro.

— Foram vocês que escolheram assim!

— A voz! Maldita! Maldita! Você nos enganou com sua conversa de felicidade! esbravejou Pedro.

— Vocês se enganaram. Todos sempre se enganam, quando acham que para ser feliz é preciso alguma condição como dinheiro, inteligência, mocidade, amor ou glória…

— Pelo amor de Deus! Filosofia barata não! Já estou farto de conselhos! falou Antônio.

Você prometeu felicidade, mas hoje, olhe para nós : somos os homens mais infelizes do mundo!

— Vocês quiseram ser felizes. Fizeram seus pedidos e foram atendidos.

Mas esqueceram que a FELICIDADE NÃO PODE SER POSSUÍDA…

TEM QUE SER CONQUISTADA, ASSIM COMO O AMOR E A LIBERDADE.

Cada pessoa sobre a Terra é um ser único e imprevisível. Não existem fórmulas ou soluções que sirvam para todos.

Cada um precisa escolher o seu próprio caminho e o seu jeito de caminhar!

Vocês terão uma nova oportunidade…

— E como será essa nova oportunidade ? perguntou Pedro.

Mas não ouviram resposta. De novo o rastro prateado confundiu-se com o brilho das estrelas.

— Já é noite! surpreendeu-se Silas. Mas como ? Será que cochilamos os quatro ao mesmo tempo ?

Eram novamente jovens, ainda cansados pela caminhada, a última que faziam como internos do colégio.

— Engraçado… aconteceu alguma coisa que não consigo me lembrar…disse Antônio.

Os quatro levantaram-se e já iam pôr-se a caminho, quando Antônio percebeu um pedaço de papel esverdeado pregado na jaqueira.

— Um bilhete! E é para nós! verificou Silas. Ninguém sabia quem tinha deixado aquilo.

Estava escrito…

Ninguém precisa de riqueza, poder, fama, mocidade, inteligência, ou qualquer outra coisa para ser feliz.

A felicidade não pode ser comprada.

Ela é fruto de nosso compromisso com a paz, a justiça, a alegria, o equilíbrio entre os seres do planeta, pois não é só a nossa felicidade que importa, mas a dos que virão depois de nós e de nossos filhos.

Ser feliz é isso : aproveitar intensamente este presente cotidiano A

VIDA – vivê-la plenamente e permitir que os outros também façam o mesmo.

Afinal, vivemos um dia de cada vez e quem deixa seu tempo presente preocupado com o que ainda não aconteceu ou angustiado pelo que já passou, perde a oportunidade de ser feliz AQUI E AGORA e, um dia, sem que se saiba quando, será tarde para voltar atrás.

Colaboração: Renato Antunes Oliveira

Para a vida

Um pequeno barco de peixes aporta numa vilazinha da costa mexicana.

Um turista americano cumprimenta o pescador mexicano pela qualidade do pescado e pergunta quanto tempo ele levou para pegar aquela quantidade de peixes.

— Não muito tempo, respondeu o mexicano.

— Bom, então por que você não ficou mais tempo no mar e pegou mais peixes? , perguntou o americano.

O mexicano explicou que aquela quantidade bastava para atender às suas necessidades e as da família.

Aí o americano pergunta, – Mas o que você faz com o resto do seu tempo?

— Eu durmo até tarde, brinco com meus filhos, descanso com minha esposa… À noite eu vou até a vila ver meus amigos, tomar umas bebidas, tocar violão, cantar umas músicas… eu tenho uma vida completa.

O americano interrompe:

— Eu tenho um MBA em Tecnologia da Informação, da UCLA e posso te ajudar. Comece a passar mais tempo pescando todos os dias. Aí você pode vender todo o peixe extra que conseguir pescar. Com o dinheiro extra, você compra um barco maior. Com a receita extra que o barco maior vai trazer, você pode comprar um segundo e um terceiro barco, e assim por diante até possuir uma frota de pesqueiros. Ao invés de vender seu peixe para um atravessador, negocie diretamente com as fábricas de beneficiamento ou quem sabe pode até abrir sua própria indústria de beneficiamento. Aí você pode deixar esta vila e ir morar na Cidade do México, Los Angeles ou até mesmo em Nova Iorque! De lá você toca seu imenso empreendimento!

— Quanto tempo isso iria levar?, perguntou o mexicano.

— Uns vinte, quem sabe vinte e cinco anos, responde o americano.

— E depois?

— E depois? Aí é que começa a ficar bom, responde o americano – quando seu negócio começar a crescer de verdade, você abre o capital e faz milhões!!!

— Milhões? Sério? E depois disso?

— Depois disso você se aposenta e vai morar numa vilazinha da costa mexicana, dorme até tarde, pega uns peixinhos, descansa ao lado da esposa, brinca com seus filhos e passa as noites se divertindo com os amigos…

Muitas vezes a fome de crescer impede que a gente perceba que já tem o que precisa.

Para a Conscientização da Mulher

“… há moças que na época de namoro mantém o coração preenchido de amor, de candura, e os lábios sempre sorridentes, e, uma vez formando seu lar, mudam completamente, como se ficassem enfeitiçadas.”
Masaharu Taniguchi

O poder de transformar água em vinho:

O que transforma uma vida insípida em algo semelhante a uma bebida refrescante, em algo que oferece mais alento à alma que um doce vinho, são palavras de amor, fisionomia e atitudes que transbordam amor. Se isso for sempre mantido pelas senhoras no lar, o marido não terá outra mulher nem sairá para beber. Entretanto, há moças que na época de namoro mantém o coração preenchido de amor, de candura, e os lábios sempre sorridentes, e, uma vez formando seu lar, mudam completamente, como se ficassem enfeitiçadas.

Transforma-se numa mulher que reclama, que franze as sobrancelhas, que grita, azedando o melhor vinho, amargando a mais refrescante bebida. Por quê? Experimente refletir. Será que você não se transformou numa mulher semelhante? Numa mulher que, com uma só palavra, faz surgir nuvens negras e cria um mundo de total escuridão?

Mulher que fortalece a vida

Não desejo que as mulheres sejam assim. Do mesmo modo que basta o Sol aparecer para que a maior escuridão se transforme imediatamente num mundo resplandecentemente iluminado, desejo que as mulheres sejam alguém que, só de aparecer, remova a escuridão e faça brilhar a luz da felicidade. Tal mulher fortalece a vida e tem o poder de levantar o marido prestes a tombar, cansado de carregar o fardo da vida. O sorriso dessa mulher tem o poder mágico de fazer com que o marido se sinta reconfortado, bem como de melhorar a circulação sangüínea dele e dar-lhe ânimo, coragem e renovada esperança. É maravilhoso possuir uma alegre esposa. (…)

Papel picado, ao Vento

Um senhor, há muito tempo, tanto falou que seu vizinho era ladrão que o rapaz acabou preso! Dias depois, descobriram que era inocente. O rapaz foi solto, e processou o homem.

No tribunal, o velho diz ao juiz: Comentários não causam tanto mal.

E o juiz responde: Escreva os comentários num papel, “depois pique e jogue os pedaços no caminho de casa. Amanhã, volte para ouvir a sentença.

O senhor obedeceu e voltou no dia seguinte. Antes da sentença, terá que catar os pedaços de papel que espalhou ontem”, disse o juiz.

Responde o velho: Não posso fazer isso. O vento deve tê-los espalhado, já não sei onde estão.

Responde o juiz: Da mesma maneira, um simples comentário pode destruir a honra de um homem, a ponto de não podermos consertar o mal.

Se não se pode falar bem de uma pessoa, é melhor que não se diga nada. Sejamos donos de nossa boca, para não sermos escravos de nossas palavras.

Pai de nossos pais

Fabricio Carpinejar.

Há uma quebra na história familiar onde as idades se acumulam e se sobrepõem e a ordem natural não tem sentido: é quando o filho se torna pai de seu pai.

É quando o pai envelhece e começa a trotear como se estivesse dentro de uma névoa. Lento, devagar, impreciso.

É quando aquele pai que segurava com força nossa mão já não tem como se levantar sozinho. É quando aquele pai, outrora firme e instransponível, enfraquece de vez e demora o dobro da respiração para sair de seu lugar.

É quando aquele pai, que antigamente mandava e ordenava, hoje só suspira, só geme, só procura onde é a porta e onde é a janela – tudo é corredor, tudo é longe.

É quando aquele pai, antes disposto e trabalhador, fracassa ao tirar sua própria roupa e não lembrará de seus remédios.

E nós, como filhos, não faremos outra coisa senão trocar de papel e aceitar que somos responsáveis por aquela vida. Aquela vida que nos gerou depende de nossa vida para morrer em paz.

Todo filho é pai da morte de seu pai.

Ou, quem sabe, a velhice do pai e da mãe seja curiosamente nossa última gravidez. Nosso último ensinamento. Fase para devolver os cuidados que nos foram confiados ao longo de décadas, de retribuir o amor com a amizade da escolta.

E assim como mudamos a casa para atender nossos bebês, tapando tomadas e colocando cercadinhos, vamos alterar a rotina dos móveis para criar os nossos pais.

Uma das primeiras transformações acontece no banheiro.

Seremos pais de nossos pais na hora de pôr uma barra no box do chuveiro.

A barra é emblemática. A barra é simbólica. A barra é inaugurar um cotovelo das águas.

Porque o chuveiro, simples e refrescante, agora é um temporal para os pés idosos de nossos protetores. Não podemos abandoná-los em nenhum momento, inventaremos nossos braços nas paredes.

A casa de quem cuida dos pais tem braços dos filhos pelas paredes. Nossos braços estarão espalhados, sob a forma de corrimões.

Pois envelhecer é andar de mãos dadas com os objetos, envelhecer é subir escada mesmo sem degraus.

Seremos estranhos em nossa residência. Observaremos cada detalhe com pavor e desconhecimento, com dúvida e preocupação. Seremos arquitetos, decoradores, engenheiros frustrados.

Como não previmos que os pais adoecem e precisariam da gente?

Nos arrependeremos dos sofás, das estátuas e do acesso caracol, nos arrependeremos de cada obstáculo e tapete.

E feliz do filho que é pai de seu pai antes da morte, e triste do filho que aparece somente no enterro e não se despede um pouco por dia.

Meu amigo José Klein acompanhou o pai até seus derradeiros minutos.

No hospital, a enfermeira fazia a manobra da cama para a maca, buscando repor os lençóis, quando Zé gritou de sua cadeira:

“Deixa que eu ajudo”.

Reuniu suas forças e pegou pela primeira vez seu pai no colo.

Colocou o rosto de seu pai contra seu peito.

Ajeitou em seus ombros o pai consumido pelo câncer: pequeno, enrugado, frágil, tremendo.

Ficou segurando um bom tempo, um tempo equivalente à sua infância, um tempo equivalente à sua adolescência, um bom tempo, um tempo interminável.

Embalou o pai de um lado para o outro.

Aninhou o pai.

Acalmou o pai.

E apenas dizia, sussurrado:

“Estou aqui, estou aqui, pai!”

O que um pai quer apenas ouvir no fim de sua vida é que seu filho está ali.

Espero que tenhamos o privilégio de ser pai de nossos pais !!!

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