Que a minha prece seja, Não para ser protegido dos perigos, Mas para não ter medo de enfrentá-los.
Que a minha prece seja, Não para acalmar a dor, Mas para que o coração a conquiste.
Permita que na batalha da vida Não procure aliados, Mas as minhas próprias forças.
Permita que não implore no meu medo, Ansioso por ser salvo, Mas que aguarde a paciência para Conquistar a minha liberdade.
Sir Rabindranath Tagore (1861-1941) foi poeta, contista, dramaturgo e crítico de arte hindu. Nascido em Calcutá, seu pensamento abriu novos caminhos à interpretação do misticismo, procurando atualizar as antigas doutrinas religiosas nacionais. Recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1913. Suas principais obras poéticas foram O Jardineiro, O Carteiro do Rei e Pássaros Perdidos.
O dia apenas amanhecera e Jorge já se achava a meio caminho da empresa em que trabalhava.
Os passos lentos e o olhar voltado para o chão, demonstravam a tristeza e o desalento de que estava possuído.
Adentrou o local de trabalho alguns minutos antes do horário, e cumprimentou o colega, um tanto desanimado.
Ao perceber a tristeza de Jorge o companheiro lhe perguntou interessado :
— O que aconteceu com você? Seu olhar denuncia sentimentos amargos…
— É verdade. Trago nos ombros o peso da desesperança…
— À minha volta só acontecem desgraças e mais desgraças…
Sinto-me impotente, e penso que sou o homem mais infeliz da face da terra.
— Mas, afinal de contas, o que aconteceu ? – Indagou o colega.
— Ora, meu irmão mais novo contraiu grande dívida e fugiu sem deixar o endereço. Meu cunhado envolveu-se com assaltantes e está atrás das grades.
O companheiro que ouvia atento, observou : mas podia ser pior…
Jorge continuou :
— Minha esposa, levianamente envolveu-se com um rapaz bem mais novo que ela, e abandonou o lar…
— Mas podia ser pior… – Retrucou o colega.
— Meu melhor amigo me traiu, espalhando calúnias a meu respeito…
— No entanto, podia ser pior… – Falou novamente o companheiro.
Jorge não suportou mais ouvir aquela afirmativa e perguntou um tanto irritado :
— Ora, eu já lhe contei tantas desgraças e você só sabe dizer que podia ser pior ?
O que poderia acontecer que fosse pior ?
O amigo respondeu serenamente :
— você falou que o seu irmão tomou um empréstimo e não honrou o compromisso… Que seu cunhado envolveu-se em assaltos… Que sua esposa o traiu… Que seu melhor amigo o caluniou… E eu posso afirmar com segurança que podia ser pior, se fosse você o autor de tantos desatinos…
Jorge um tanto chocado, olhou longamente para o colega e respondeu meio reticente:
— É… Podia mesmo ser pior…
Às vezes nos deparamos com situações que nos deixam tristes, porque sentimos o coração dilacerado pela traição, pela calúnia, ou pelos equívocos dos entes queridos.
Todavia, se já conseguimos permanecer fiéis à nossa própria consciência, poderemos oferecer apoio aos que ainda se debatem nas águas turbulentas dos vícios morais.
Ainda que a navalha da ingratidão nos dilacere o coração…
Ainda que a desgraça dos seres amados comprima nosso coração afetuoso…
Ainda que tenhamos que sorver a taça da calúnia, lembremos o exemplo maior de Jesus, diante da traição do amigo que com ele convivera por longos anos…
Lembremos as lágrimas do Sublime Galileu diante do sofrimento alheio…
A inteligência sem amor, te faz perverso. A justiça sem amor, te faz implacável. A diplomacia sem amor, te faz hipócrita. O êxito sem amor, te faz arrogante. A riqueza sem amor, te faz avaro. A docilidade sem amor te faz servil. A pobreza sem amor, te faz orgulhoso. A beleza sem amor, te faz ridículo. A autoridade sem amor, te faz tirano. O trabalho sem amor, te faz escravo. A simplicidade sem amor, te deprecia. A oração sem amor, te faz introvertido. A lei sem amor, te escraviza. A política sem amor, te deixa egoísta. A fé sem amor te deixa fanático. A cruz sem amor se converte em tortura. A vida sem amor… não tem sentido………
Há muitos anos, existiu um homem muito rico que no dia do seu aniversário convocou a criadagem a sua sala para receberem presentes.
Colocou-os a sua frente na seguinte ordem: cocheiro, jardineiro, cozinheira, arrumadeira e o pequeno mensageiro.
Em seguida dirigindo-se a eles, explicou o motivo de os haver chamado até ali e, por fim, fez-lhes uma pergunta, esperando de cada um a sua própria resposta.
Essa foi a pergunta feita :
— O que prefere você receber agora : esta Bíblia ou este valor em dinheiro ?
— Eu gostaria de receber a Bíblia. Respondeu pela ordem o cocheiro.
— Mas, como não aprendi a ler, o dinheiro me será bastante mais útil!
Recebeu então a nota, de valor elevado na época, e agradeceu ao patrão.
Esse pediu-lhe que permanecesse em seu lugar.
Era a vez do jardineiro fazer a sua escolha e, escolhendo bem as palavras, falou :
— Minha mulher está adoentada e por esta razão tenho necessidade do dinheiro; em outra circunstância escolheria, sem dúvida, a Bíblia.
Como aconteceu com o primeiro, ele também permaneceu na sala após receber o valor das mãos do patrão.
Agora, pela ordem, falaria a cozinheira, que teve tempo de elaborar bem a sua resposta :
— Eu sei ler, porém, nunca encontro tempo para sequer folhear uma revista; portanto, aceito o dinheiro para comprar um vestido novo.
— Eu já possuo uma Bíblia e não preciso de outra; assim, prefiro o dinheiro.
Informou a arrumadeira, em poucas palavras.
Finalmente, chegou a vez do menino de recados.
Sabendo-o bastante necessitado, o patrão adiantou-se em dizer-lhe :
— Certamente você também ira preferir dinheiro, para comprar uma nova sandália, não é isso, meu rapaz ?
— Muito obrigado pela sugestão. De fato estou precisando muito de um calçado novo, mas vou preferir a Bíblia.
Minha mãe me ensinou que a Palavra de Deus é mais desejável do que o ouro…
Disse o pequeno mensageiro.
Ao receber o bonito volume, o menino feliz o abriu e nisso caiu aos seus pés uma moeda de ouro.
Virando outras paginas, foi deparando com outros valores em notas.
Vendo isso, os outros criados perceberam o seu erro e envergonhados deixaram o recinto.
A sós com o menino, disse-lhe comovido o patrão : “Que Deus o abençoe, meu filho, e também a sua mãe, que tão bem o ensinou a valorizar a Palavra de Deus”
O Chico, em excursão com seu chefe de serviço, expondo aqui e ali apuradas amostras de gado, passou por Sabará e, dali, pelas Minas de Morro Velho.
Visitou-as por horas. E deslumbrou-se com o que viu.
O trabalho afanoso e sacrificial da extração do ouro, sua busca, em cascalhos, no seio da terra, numa profundidade e distância incomensuráveis, causou-lhe assombro inopinado.
Observou um irmão idoso, calejado naquele serviço, a que dera toda sua existência, e perguntou-lhe:
— Amigo, o ouro é extraído com facilidade?
— Nada disso, moço. Em 40 toneladas de pedra, encontramos, às vezes, tão somente 100 a 200 gramas de ouro.
E Emmanuel, que tudo ouvia, comentou:
— Assim, Chico, sucede na vida. Precisamos, quase sempre, de 40 toneladas de aborrecimentos bem suportados para obtermos 100 a 200 gramas de conhecimentos e experiência…