Autor: Rubens (Page 99 of 113)

Prece

Rabindranath Tagore

Que a minha prece seja,
Não para ser protegido dos perigos,
Mas para não ter medo de enfrentá-los.

Que a minha prece seja,
Não para acalmar a dor,
Mas para que o coração a conquiste.

Permita que na batalha da vida
Não procure aliados,
Mas as minhas próprias forças.

Permita que não implore no meu medo,
Ansioso por ser salvo,
Mas que aguarde a paciência para
Conquistar a minha liberdade.

Sir Rabindranath Tagore (1861-1941) foi poeta, contista, dramaturgo e crítico de arte hindu. Nascido em Calcutá, seu pensamento abriu novos caminhos à interpretação do misticismo, procurando atualizar as antigas doutrinas religiosas nacionais. Recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1913. Suas principais obras poéticas foram O Jardineiro, O Carteiro do Rei e Pássaros Perdidos.

Pontos de Vista

Uma vez uma companhia enviou um vendedor de sapatos a uma cidade na África aonde ele nunca tinha vendido.

Ele era um dos vendedores mais antigos e experientes, e esperavam grandes resultados.

Logo após sua chegada à Africa, o vendedor escreveu para a companhia dizendo :

— É melhor vocês me chamarem de volta. Aqui ninguém usa sapatos.

Foi chamado de volta.

A companhia decidiu então enviar um outro vendedor que não possuía muita experiência, mas era dotado de grande entusiasmo.

A companhia achava que ele seria capaz de vender alguns pares de sapatos.

Pouco depois de sua chegada ele enviou um telegrama urgente para a firma dizendo :

— Por favor, enviem todos os sapatos disponíveis. Aqui ninguém usa sapatos!

Colaboração: Renato Antunes Oliveira

Poderia ser Pior

O dia apenas amanhecera e Jorge já se achava a meio caminho da empresa em que trabalhava.

Os passos lentos e o olhar voltado para o chão, demonstravam a tristeza e o desalento de que estava possuído.

Adentrou o local de trabalho alguns minutos antes do horário, e cumprimentou o colega, um tanto desanimado.

Ao perceber a tristeza de Jorge o companheiro lhe perguntou interessado :

— O que aconteceu com você? Seu olhar denuncia sentimentos amargos…

— É verdade. Trago nos ombros o peso da desesperança…

— À minha volta só acontecem desgraças e mais desgraças…

Sinto-me impotente, e penso que sou o homem mais infeliz da face da terra.

— Mas, afinal de contas, o que aconteceu ? – Indagou o colega.

— Ora, meu irmão mais novo contraiu grande dívida e fugiu sem deixar o endereço. Meu cunhado envolveu-se com assaltantes e está atrás das grades.

O companheiro que ouvia atento, observou : mas podia ser pior…

Jorge continuou :

— Minha esposa, levianamente envolveu-se com um rapaz bem mais novo que ela, e abandonou o lar…

— Mas podia ser pior… – Retrucou o colega.

— Meu melhor amigo me traiu, espalhando calúnias a meu respeito…

— No entanto, podia ser pior… – Falou novamente o companheiro.

Jorge não suportou mais ouvir aquela afirmativa e perguntou um tanto irritado :

— Ora, eu já lhe contei tantas desgraças e você só sabe dizer que podia ser pior ?

O que poderia acontecer que fosse pior ?

O amigo respondeu serenamente :

— você falou que o seu irmão tomou um empréstimo e não honrou o compromisso… Que seu cunhado envolveu-se em assaltos… Que sua esposa o traiu… Que seu melhor amigo o caluniou… E eu posso afirmar com segurança que podia ser pior, se fosse você o autor de tantos desatinos…

Jorge um tanto chocado, olhou longamente para o colega e respondeu meio reticente:

— É… Podia mesmo ser pior…

Às vezes nos deparamos com situações que nos deixam tristes, porque sentimos o coração dilacerado pela traição, pela calúnia, ou pelos equívocos dos entes queridos.

Todavia, se já conseguimos permanecer fiéis à nossa própria consciência, poderemos oferecer apoio aos que ainda se debatem nas águas turbulentas dos vícios morais.

Ainda que a navalha da ingratidão nos dilacere o coração…

Ainda que a desgraça dos seres amados comprima nosso coração afetuoso…

Ainda que tenhamos que sorver a taça da calúnia, lembremos o exemplo maior de Jesus, diante da traição do amigo que com ele convivera por longos anos…

Lembremos as lágrimas do Sublime Galileu diante do sofrimento alheio…

Colaboração: Renato Antunes Oliveira

Pessoas Especiais

D. Beisser

As pessoas especiais são aquelas que têm a habilidade de dividir suas vidas com os outros.

Elas são honestas nas atitudes, são sinceras e compassivas, e sempre dão por certo que o amor é parte de tudo.

As pessoas especiais são aquelas que têm a habilidade de doar aos outros, e de ajudá-los com as mudanças que surgem em seus caminhos.

Elas não têm medo de ser vulneráveis; elas acreditam que são únicas e têm orgulho em ser quem são.

As pessoas especiais são aquelas que permitem-se o prazer de estar próximo aos outros e importar-se com a felicidade deles.

Elas vieram para entender que o amor é o que faz a diferença na vida.

As pessoas especiais são aquelas que realmente tornam a vida bela.

Perdão

Anthony Strano, Discovering Spirituality, Eternety Ink, Australia, 1999

Perdoar a nós mesmos significa não fazer o mesmo erro de novo, não inventar caminhos convenientes para nos desculpar.

Mesmo o perdão e a compaixão de Deus não podem ser sentidos pela pessoa que tenha endurecido seu próprio coração contra os outros.

Se quisermos ser perdoados precisamos estar dispostos a perdoar primeiro. Acoragem de agir primeiro é o sinal daquele que é realmente justo.

Quem perdoa primeiro não só prova sua justiça mas especialmente prova seu amor.

Pense duas vezes

Uma antiga lenda Índia, diz-nos que um dia um homem achou um ovo de águia e que o depositou num ninho de “galinhas do campo” para crescer com elas.

Toda a sua vida, a águia fez o que uma galinha faz normalmente.

Procurava na terra os insectos e comida.

Carcarejava como uma galinha. Voava só algum metros, e era uma nuvem de penas.

De toda a maneira é assim que voam as galinhas.

Os anos passaram. E a águia envelheceu.

Um dia, ela viu um magnifico pássaro a voar no céu sem nuvens.

Levantava-se com estilo, com a magnitude das suas asas.

“Que belo pássaro !” diz a águia aos vizinhos. “O que é ?”

“É uma águia, o rei dos pássaros”, diz a galinha.

“Mas não vale a pena pensares nisso. Nunca serás uma águia.”

Assim ficou a águia, e não voltou a pensar duas vezes.

Morreu a pensar que era uma galinha.

Já pensou que podia ser, Você, uma galinha do campo ?

Pense duas vezes.

Colaboração: Renato Antunes Oliveira

Pensar

A inteligência sem amor, te faz perverso.
A justiça sem amor, te faz implacável.
A diplomacia sem amor, te faz hipócrita.
O êxito sem amor, te faz arrogante.
A riqueza sem amor, te faz avaro.
A docilidade sem amor te faz servil.
A pobreza sem amor, te faz orgulhoso.
A beleza sem amor, te faz ridículo.
A autoridade sem amor, te faz tirano.
O trabalho sem amor, te faz escravo.
A simplicidade sem amor, te deprecia.
A oração sem amor, te faz introvertido.
A lei sem amor, te escraviza.
A política sem amor, te deixa egoísta.
A fé sem amor te deixa fanático.
A cruz sem amor se converte em tortura.
A vida sem amor… não tem sentido………

O Valor da Bíblia

Há muitos anos, existiu um homem muito rico que no dia do seu aniversário convocou a criadagem a sua sala para receberem presentes.

Colocou-os a sua frente na seguinte ordem: cocheiro, jardineiro, cozinheira, arrumadeira e o pequeno mensageiro.

Em seguida dirigindo-se a eles, explicou o motivo de os haver chamado até ali e, por fim, fez-lhes uma pergunta, esperando de cada um a sua própria resposta.

Essa foi a pergunta feita :

— O que prefere você receber agora : esta Bíblia ou este valor em dinheiro ?

— Eu gostaria de receber a Bíblia. Respondeu pela ordem o cocheiro.

— Mas, como não aprendi a ler, o dinheiro me será bastante mais útil!

Recebeu então a nota, de valor elevado na época, e agradeceu ao patrão.

Esse pediu-lhe que permanecesse em seu lugar.

Era a vez do jardineiro fazer a sua escolha e, escolhendo bem as palavras, falou :

— Minha mulher está adoentada e por esta razão tenho necessidade do dinheiro; em outra circunstância escolheria, sem dúvida, a Bíblia.

Como aconteceu com o primeiro, ele também permaneceu na sala após receber o valor das mãos do patrão.

Agora, pela ordem, falaria a cozinheira, que teve tempo de elaborar bem a sua resposta :

— Eu sei ler, porém, nunca encontro tempo para sequer folhear uma revista; portanto, aceito o dinheiro para comprar um vestido novo.

— Eu já possuo uma Bíblia e não preciso de outra; assim, prefiro o dinheiro.

Informou a arrumadeira, em poucas palavras.

Finalmente, chegou a vez do menino de recados.

Sabendo-o bastante necessitado, o patrão adiantou-se em dizer-lhe :

— Certamente você também ira preferir dinheiro, para comprar uma nova sandália, não é isso, meu rapaz ?

— Muito obrigado pela sugestão. De fato estou precisando muito de um calçado novo, mas vou preferir a Bíblia.

Minha mãe me ensinou que a Palavra de Deus é mais desejável do que o ouro…

Disse o pequeno mensageiro.

Ao receber o bonito volume, o menino feliz o abriu e nisso caiu aos seus pés uma moeda de ouro.

Virando outras paginas, foi deparando com outros valores em notas.

Vendo isso, os outros criados perceberam o seu erro e envergonhados deixaram o recinto.

A sós com o menino, disse-lhe comovido o patrão : “Que Deus o abençoe, meu filho, e também a sua mãe, que tão bem o ensinou a valorizar a Palavra de Deus”

Colaboração: Renato Antunes Oliveira

Ouro e experiência

O Chico, em excursão com seu chefe de serviço, expondo aqui e ali apuradas amostras de gado, passou por Sabará e, dali, pelas Minas de Morro Velho.

Visitou-as por horas. E deslumbrou-se com o que viu.

O trabalho afanoso e sacrificial da extração do ouro, sua busca, em cascalhos, no seio da terra, numa profundidade e distância incomensuráveis, causou-lhe assombro inopinado.

Observou um irmão idoso, calejado naquele serviço, a que dera toda sua existência, e perguntou-lhe:

— Amigo, o ouro é extraído com facilidade?

— Nada disso, moço. Em 40 toneladas de pedra, encontramos, às vezes, tão somente 100 a 200 gramas de ouro.

E Emmanuel, que tudo ouvia, comentou:

— Assim, Chico, sucede na vida. Precisamos, quase sempre, de 40 toneladas de aborrecimentos bem suportados para obtermos 100 a 200 gramas de conhecimentos e experiência…

Colaboração de Wilma Santiago

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