Categoria: Histórias (Page 82 of 112)

A outra Janela

A menina debruçada na janela trazia nos olhos grossas lágrimas e o peito oprimido pelo sentimento de dor causado pela morte de seu cão de estimação.

Com pesar observava atenta ao jardineiro a enterrar o corpo do amigo de tantas brincadeiras.

A cada pá de terra jogada sobre o animal, sentia como se sua felicidade estivesse sendo soterrada também.

O avô que observava a neta, aproximou-se a envolveu em um abraço e falou-lhe com serenidade :

Triste a cena, não é verdade ?

A netinha ficou ainda mais triste e as lágrimas rolaram em abundância.

No entanto, o avô que desejava conforta-la chamou-lhe a atenção para outra realidade.

Tomou-lhe pela mão e a conduziu para uma janela opostamente localizada na ampla sala.

Abriu as cortinas e permitiu-a que visse o jardim florido a sua frente e lhe perguntou carinhosamente :

Está vendo aquele pé de rosas amarelas bem ali a frente ?

Lembra que você me ajudou a planta-lo ?

Foi em um dia de sol como hoje que nós dois o plantamos.

Era apenas um pequeno galho cheio de espinhos e hoje veja como está lindo, carregado de flores perfumadas e botões como promessa de novas rosas.

A menina enxugou as lágrimas que ainda teimavam em permanecer em suas faces e abriu um largo sorriso mostrando as abelhas que pousavam sobre as flores e as borboletas que faziam festa entre umas e outras das tantas rosas de variados matizes que enfeitavam o jardim.

O avô, satisfeito pôr te- la ajudado a superar o momento de dor falou-lhe com afeto :

Veja, minha filha.

A vida nos oferece sempre várias janelas.

Quando a paisagem de uma delas nos causa tristeza sem que possamos alterar o quadro, voltamo-nos para outra e certamente nos deparamos com uma paisagem diferente.

Tantos são os momentos de nossa existência, tantas as oportunidades de aprendizado que nos visitam no dia-a-dia que não vale a pena sofrer diante de quadros que não podemos alterar.

São experiências valiosas da vida, das quais devemos tirar lições oportunas sem nos deixar tragar pelo desespero e revolta que só infelicitam e denotam a falta de confiança em Deus.

A nossa visão do mundo é muito limitada.

Mas Deus tem sempre objetivos nobres e uma proposta de felicidade para nos aguardar após cada dificuldade superada.

Se hoje você está a observar um quadro desolador, lembre-se de que existem tantas outras janelas, com paisagens repletas de promessas de melhores dias.

Não se permita contemplar a janela da dor.

Aproveite a lição e siga em frente com ânimo e disposição.

Agindo assim, o gosto amargo do sofrimento logo cede lugar ao sabor agradável de viver e saber que Deus nos ampara em todos os momentos da nossa vida.

Colaboração: Renato Antunes Oliveira

Aos casados

Arthur da Tavola

Aos casados há muito tempo
aos que não casaram, aos que vão casar,
aos que acabaram de casar,
aos que pensam em se separar,
…aos que acabaram de se separar, aos que pensam em voltar…

Por mais que o poder e o dinheiro tenham conquistado
uma ótima posição no ranking das virtudes,
o amor ainda lidera com folga.
Tudo o que todos querem é amar.
Encontrar alguém que faça bater forte o coração
e justifique loucuras.
Que nos faça entrar em transe, cair de quatro,
babar na gravata.
Que nos faça revirar os olhos, rir à toa,
cantarolar dentro de um ônibus lotado.
Tem algum médico aí???
Depois que acaba esta paixão retumbante,
sobra o que?

O amor.
Mas não o amor mistificado,
que muitos julgam ter o poder de fazer levitar.
O que sobra é o amor que todos conhecemos,
o sentimento que temos por mãe, pai, irmão, filho.
É tudo o mesmo amor, só que entre amantes existe sexo. Não existem vários tipos de amor,
assim como não existem três tipos de saudades,
quatro de ódio, seis espécies de inveja.
O amor é único, como qualquer sentimento,
seja ele destinado a familiares, ao cônjuge ou a Deus.

A diferença é que, como entre marido
e mulher não há laços de sangue,
a sedução tem que ser ininterrupta.
Por não haver nenhuma garantia de durabilidade,
qualquer alteração no tom de voz nos fragiliza,
e de cobrança em cobrança acabamos por sepultar
uma relação que poderia ser eterna.
Casaram. Te amo prá lá, te amo prá cá.
Lindo, mas insustentável.
O sucesso de um casamento
exige mais do que declarações românticas.
Entre duas pessoas que resolvem dividir o mesmo teto,
tem que haver muito mais do que amor,
e às vezes nem necessita de um amor tão intenso.
É preciso que haja, antes de mais nada, respeito. Agressões zero. Disposição para ouvir argumentos alheios.
Alguma paciência… Amor, só, não basta.

Não pode haver competição. Nem comparações.
Tem que ter jogo de cintura para acatar regras
que não foram previamente combinadas.
Tem que haver bom humor para enfrentar imprevistos,
acessos de carência, infantilidades.
Tem que saber levar. Amar, só, é pouco.

Tem que haver inteligência.
Um cérebro programado para enfrentar tensões pré-menstruais,
rejeições, demissões inesperadas, contas pra pagar.
Tem que ter disciplina para educar filhos,
dar exemplo, não gritar. Tem que ter um bom psiquiatra.
Não adianta, apenas, amar.
Entre casais que se unem visando à longevidade do matrimônio
tem que haver um pouco de silêncio, amigos de infância,
vida própria, um tempo pra cada um. Tem que haver confiança.
Uma certa camaradagem, às vezes fingir que não viu,
fazer de conta que não escutou.
É preciso entender que união não significa, necessariamente, fusão.
E que amar, ‘solamente’, não basta.

Entre homens e mulheres que acham que o amor é só poesia,
falta discernimento, pé no chão, racionalidade.
Tem que saber que o amor pode ser bom, pode durar para sempre,
mas que sozinho não dá conta do recado.
O amor é grande mas não é dois.
É preciso convocar uma turma de sentimentos para amparar esse amor que carrega o ônus da onipotência.
O amor até pode nos bastar, mas ele próprio não se basta.

Um bom amor aos que já têm!
Um bom encontro aos que procuram!
E felicidades a todos nós!

A Orquídea branca…

Rubia A. Dantés

A mulher ganhou de presente um vaso com uma linda orquídea branca. Ficou tão encantada que colocou a planta em um xaxim na árvore mais bonita do jardim… A planta criou raízes que se prenderam na árvore… e a flor… no tempo certo… morreu. Passou um tempo e a mulher se esqueceu da orquídea que acabou se misturando ás muitas plantas do jardim…

Muito tempo depois quando passeava distraída pelo jardim ela viu a linda flor branca… Com uma exclamação de alegria se aproximou da linda orquídea que nasceu sem ser esperada… A mulher ficou de novo tão encantada que quis preservar ao máximo aquela flor tão preciosa, da chuva… do sol…

Enquanto admirava a sua beleza ia pensando em uma forma de protegê-la para que ela ficasse o maior tempo possível enfeitando o jardim, sem sofrer nenhum dano nas aveludadas pétalas brancas…

Colocou então um plástico branco esticado sobre a planta… que protegia completamente a orquídea. Mas… também escondia a sua beleza… Quem passasse por ali, com certeza, veria a proteção, que chamava a atenção porque destoava do que era a natureza… mas não via a orquídea… a menos que tivesse um olhar bem atento e sensível para o que estava além…

A orquídea até se sentiu feliz e orgulhosa… quando se viu tratada de forma tão especial, ao contrário das muitas flores que estavam espalhadas no jardim… e na primeira chuva que veio se sentiu protegida e confortável quando os grossos pingos não chegavam a tocar as suas deliccadas pétalas… Ali de cima ela podia ver algumas flores perdendo uma pétala aqui, outra ali, e se curvando ao sabor das águas e do vento forte. E quando veio o sol a orquídea também não pôde sentir na pele das pétalas o calor, porque aquela proteção impedia que o sol a atingisse em cheio… como fazia com as outras flores do jardim. Ela estava protegida, com certeza estava. Mas não estava feliz…

Olhando as outras flores, ao sabor da chuva, do sol, podia ver um brilho especial nas pétalas e um viço diferente, e mesmo aquelas que perdiam algumas pétalas quando a água vinha mais forte, pareciam felizes, muito felizes, e exalavam vida, além de perfume.

A orquídea, mesmo linda, parecia pálida e sem vida… e se sentia assim. E as chuvas foram caindo, o sol foi brilhando, as flores nasciam e morriam. E a orquídea enfeitava o jardim, intacta e bela, Mas, triste, muito triste. Ela percebeu que o seu tempo estava passando, e isso deu-lhe uma profunda tristeza por não poder ter vivido a chuva, o sol. Nunca pôde sentir a alegria incontida que percebia nas outras flores quando em contato com as forças da natureza. Aquele plástico que protegia, sufocava mais que tudo. E o tempo que ela ganhou com esta proteção acabou se tornando tristeza.

E foi a lua, que também não tinha conseguido tocar diretamente as suas pétalas, que entendeu o sofrimento da orquídea, e sentiu uma profunda compaixão pela linda flor. Num ato de Amor, lançou um raio de luar tão intenso que desintegrou completamente o plástico que protegia a orquídea, que se rendeu feliz á lua, ao sol, á chuva, á vida, intensamente, até seu último e derradeiro instante, colorido e encantado por gotas d’água, filtradas pelo sol em cores de arco íris.

Muitas vezes, os escudos que usamos para nos proteger, nos impedem de viver o melhor da vida e escondem o que temos de mais bonito.

Ante o próximo

…E quem é o meu próximo? – indaguei
Ao coração da vida?
E o coração da vida obedecendo a Lei,
Respondeu com voz clara e decidida:
Olha em redor de ti, onde o dever te leva.
Do espaço livre e amplo à senda estreita e breve,
Fita em teu próprio lar:
É teu pai, tua mãe, teu irmão, teu parente, E mais alguém do Grupo familiar,
É o vizinho piedoso e intransigente,
É o mendigo a esmolar que te visita a porta, O amigo suscetível de amparar-te
É aquele que padece
Privação ou problema em qualquer parte.
É aquele que te esquece
E o outro que te humilha,
A esconder-se no ouro em que se alteia e brilha
Para depois cair quando se desilude.
É aquele que se faz bandeira da virtude, E o outro que te apoia ou te faz concessões.
É aquele que te furta o lugar e o direito, Alimentando a sombra do despeito
Sem que te saiba ver as intenções.
É a mulher que te guia para o bem
E a outra que atravessa as áreas de ninguém
Avinagrando corações…

O próximo, afinal, seja onde for,
Será sempre a criatura
Que te busca onde estás
Procurando por ti o socorro da paz,
Rogando-te bondade, amparo e compreensão,
Amizade e calor
Dando-te o nobre ensejo,
De seguir para a luz na presença do amor.
E posso sem o próximo viver? – perguntei comovida
E disse novamente o coração da vida:
Acende sem cessar a luz do Bem,
Trabalha, serve, crê, chora, sofre e auxilia…
Sem o próximo em tua companhia
Nunca serás alguém!!

Anjo

O menino voltou-se para a mãe e perguntou:

— Os anjos existem mesmo? Eu nunca vi nenhum. Como ela lhe afirmasse a existência deles, o pequeno disse que iria andar pelas estradas, até encontrar um anjo.

— É uma boa idéia – falou a mãe. Irei com você.

— Mas você anda muito devagar – argumentou o garoto. Você tem um pé aleijado. A mãe insistiu que o acompanharia. Afinal, ela podia andar muito mais depressa do que ele pensava. Lá se foram. O menino saltitando e correndo e a mãe mancando, seguindo atrás. De repente, uma carruagem apareceu na estrada. Majestosa, puxada por lindos cavalos brancos. Dentro dela, uma dama linda, envolta em veludos e sedas, com plumas brancas e cabelos escuros. As jóias eram tão brilhantes que pareciam pequenos sóis. Ele correu ao lado da carruagem e perguntou à senhora:

— Você é um anjo?

Ela nem respondeu. Resmungou alguma coisa ao cocheiro que chicoteou os cavalos e a carruagem sumiu, na poeira da estrada. Os olhos e a boca do menino ficaram cheios de poeira. Ele esfregou os olhos e tossiu bastante. Então, chegou sua mãe que limpou toda a poeira, com seu avental de algodão azul.

— Ela não era um anjo, não é, mamãe?

— Com certeza, não. Mas um dia poderá se tornar um, respondeu a mãe. Mais adiante uma jovem belíssima, em um vestido branco, encontrou o menino. Seus olhos eram estrelas azuis e ele lhe perguntou.

— Você é um anjo?

Ela ergueu o pequeno em seus braços e falou feliz:

— Uma pessoa me disse ontem à noite que eu era um anjo. Enquanto acariciava o menino e o beijava, ela viu seu namorado chegando. Mais do que depressa, colocou o garoto no chão. Tudo foi tão rápido que ele não conseguiu se firmar bem nos pés e caiu.

— Olhe como você sujou meu vestido branco, seu monstrinho! Disse ela, enquanto corria ao encontro do seu amado.

O menino ficou no chão, chorando, até que chegou sua mãe e lhe enxugou as lágrimas com seu avental de algodão azul. Aquela moça, certamente, não era um anjo. O garoto abraçou o pescoço da mãe e disse estar cansado.

— Você me carrega?

— É claro – disse a mãe. Foi para isso que eu vim. Com o precioso fardo nos braços, a mãe foi mancando pelo caminho, cantando a música que ele mais gostava. Então o menino a abraçou com força e lhe perguntou:

— Mãe, você não é um anjo? A mãe sorriu e falou mansinho:

— Imagine, nenhum anjo usaria um avental de algodão azul como o meu….

MORAL DA HISTÓRIA: Anjos são todos os que na Terra se tornam guardiões dos seus amores. São mães, pais, filhos, irmãos, amigos que renunciam a si próprios, a seus interesses, aos seus objetivos, aos seus desejos e até as suas vidas em benefício dos que amam. Às vezes, podem estar do nosso lado e não percebemos.

Autor: William J. Bennett

A Nevasca

Cris Lacerda

Uma nevasca estava a caminho e os habitantes de um certo lugar procuram recolher-se ao abrigo de seus lares, quando de dentro da janela um homem vê uma roseira carregada de botões.

Ele, intrigado, decide-se ter com ela.

Diz-lhe: – Sua insana, não percebeu que estamos em pleno inverno?

Ela, humildemente responde:

— Que culpa tenho se dentro de mim é sempre primavera?

A Mulher

Cuida-te quando fazes chorar uma mulher, pois Deus conta as suas Lágrimas. A mulher foi feita da costela do homem . Não dos pés para ser pisada, nem da cabeça para ser superior, mas sim do lado para ser igual…. debaixo do braço para ser protegida e do lado do coração para ser amada.

Talmud

Amor, Fartura ou Sucesso?

Uma mulher saiu de sua casa e viu três homens com longas barbas brancas sentados em frente ao quintal dela.

Ela não os reconheceu.

Ela disse :

— Acho que não os conheço, mas devem estar com fome. Por favor entrem e comam algo.

— O homem da casa está ? Perguntaram.

— Não, ela disse, está fora.

— Então não podemos entrar. Eles responderam.

A noite quando o marido chegou, ela contou-lhe o que aconteceu.

— Vá diga que estou em casa e convide-os a entrar.

A mulher saiu e convidou-os a entrar.

— Não podemos entrar juntos. Responderam.

— Por que isto ? Ela quis saber. Um dos velhos explicou-lhe :

— Seu nome é Fartura. Ele disse apontando um dos seus amigos e mostrando o outro, falou :

— Ele é o Sucesso e eu sou o Amor. E completou :

— Agora vá e discuta com o seu marido qual de nós você quer em sua casa.

A mulher entrou e falou ao marido o que foi dito.

Ele ficou arrebatado e disse :

— Que bom ! Ele disse :

— Neste caso. vamos convidar Fartura. Deixe-o vir e encher nossa casa de fartura.

A esposa discordou :

— Meu querido, por que não convidamos o Sucesso ?

A cunhada deles ouvia do outro canto da casa. Ela apresentou sua sugestão :

— Não seria melhor convidar o Amor ? Nossa casa então estará cheia de amor.

— Atentamos pelo conselho da nossa cunhada – disse o marido para a esposa – Vá lá fora e chame o amor para ser nosso convidado.

A mulher saiu e perguntou aos três homens :

— Qual de vocês é o amor ? Por favor entre e seja nosso convidado.

O amor levantou-se e seguiu em direção à casa.

Os outros dois levantaram-se e seguiram-no.

Surpresa a senhora perguntou-lhes :

— Apenas convidei o Amor, por que vocês entraram ?

Os velhos homens responderam juntos :

— Se você convidasse o Fartura ou o Sucesso, os outros dois esperariam aqui fora, mas se você convidar o Amor, onde ele for iremos com ele.

Onde há amor, há também fartura e sucesso !!!

Colaboração: Renato Antunes Oliveira

Amor e Sonhos

Conta a lenda que uma jovem mariposa de corpo frágil e alma sensível voava ao sabor do vento certa tarde, quando viu uma estrela muito brilhante e se apaixonou.

Voltou imediatamente para casa, louca para contar à mãe que havia descoberto o que era o amor, mas a mãe lhe disse friamente :

— Que bobagem! As estrelas não foram feitas para que as mariposas possam voar em torno delas.

Procure um poste ou um abajur e se apaixone por algo assim; para isso nós fomos criadas.

Decepcionada, a mariposa resolveu simplesmente ignorar o comentário da mãe e permitiu-se ficar de novo alegre com a sua descoberta e pensava:

— Que maravilha poder sonhar !

Na noite seguinte, a estrela continuava no mesmo lugar, e ela decidiu que iria subir até o céu, voar em torno daquela luz radiante e demonstrar seu amor.

Foi muito difícil ir além da altura com a qual estava acostumada, mas conseguiu subir alguns metros acima do seu vôo normal.

Entendeu que, se cada dia progredisse um pouquinho, iria terminar chegando à estrela, então armou-se de paciência e começou a tentar vencer a distância que a separava de seu amor.

Esperava com ansiedade que a noite descesse e, quando via os primeiros raios da estrela, batia ansiosamente suas asas em direção ao firmamento.

Sua mãe ficava cada vez mais furiosa e dizia :

— Estou muito decepcionada com a minha filha ! Todas as suas irmãs e primas já têm lindas queimaduras nas asas, provocadas por lâmpada ! Você devia deixar de lado esses sonhos inúteis e arranjar um amor que possa atingir.

A jovem mariposa, irritada porque ninguém respeitava o que sentia, resolveu sair de casa.

Mas, no fundo como, aliás, sempre acontece ficou marcada pelas palavras da mãe e achou que ela tinha razão.

Por algum tempo, tentou esquecer a estrela, mas seu coração não conseguia esquecer a estrela e, depois de ver que a vida sem o seu verdadeiro amor não tinha sentido, resolveu retomar sua caminhada em direção ao céu.

Noite após noite, tentava voar o mais alto possível, mas, quando a manhã chegava, estava com o corpo gelado e a alma mergulhada na tristeza.

Entretanto, à medida que ia ficando mais velha, passou a prestar atenção a tudo que via à sua volta.

Lá do alto podia enxergar as cidades cheias de luzes, onde provavelmente suas primas e irmãs já tinham encontrado um amor, mas, ao ver as montanhas, os oceanos e as nuvens que mudavam de forma a cada minuto, a mariposa começou a amar cada vez mais sua estrela, porque era ela quem a empurrava para ver um mundo tão rico e tão lindo.

Muito tempo depois resolveu voltar à sua casa e aí soube pelos vizinhos que sua mãe, suas irmãs e primas tinham morrido queimadas nas lâmpadas e nas chamas das velas, destruídas pelo amor que julgavam fácil.

A mariposa, embora jamais tenha conseguido chegar à sua estrela, viveu muitos anos ainda, descobrindo que, às vezes, os amores difíceis e impossíveis trazem muito mais alegrias e benefícios que aqueles amores fáceis e que estão ao alcance de nossas mãos.

Com esta lenda aprendemos duas coisas: valorizar o amor e lutar pelos nossos sonhos, porque sabemos que é a realização deles que nos faz feliz e lembremos “o mundo está nas mãos daqueles que têm coragem de sonhar, e correr o risco de viver seus sonhos”.

Colaboração: Renato Antunes Oliveira

Amor em Família

Aconteceu enquanto eu esperava por um amigo no aeroporto.

Procurando localizar meu amigo no portão de desembarque, notei um homem que vinha com duas malas.

Ele parou perto de mim para cumprimentar sua família. Primeiro, ele abraçou o filho mais novo (talvez 6 anos de idade).

Eles trocaram um longo e carinhoso abraço.

E então se separaram o suficiente para olhar um ao outro.

Foi quando eu ouvi o pai dizer :

— É tão bom te ver, filho. Eu senti tanta falta de você!

O filho sorriu e, meio acanhado, respondeu suavemente :

— Eu também, papai !

Então o homem se levantou, contemplou os olhos do filho mais velho (talvez 9 ou 10 anos) e disse :

— Você já está um homenzinho. Eu te amo muito, Zach!

E também trocaram um longo e fraterno abraço.

Enquanto isto acontecia, um bebê estava excitada nos braços da mãe.

O homem, segurando delicadamente no queixo da menina, disse :

— Olá minha gatinha !

E pegou a criança suavemente.

Ele a beijou no rosto e a apertou contra o peito.

A pequena menina relaxou imediatamente e simplesmente deitou a cabeça no ombro dele e ficou imóvel em pura satisfação.

Depois ele entregou a filha aos cuidados do mais velho e declarou :

— O melhor por último.

E deu em sua esposa o beijo mais longo e mais apaixonado que eu me lembro de ter visto.

Ele a olhou nos olhos por alguns segundos e então silenciosamente declamou :

— Eu te amo tanto !

Olharam-se nos olhos, enquanto abriam grandes sorrisos segurando-se pelas mãos.

Por um momento eles me pareceram recém casados, mas pela idade das crianças ficava claro que não eram.

Eu senti um incômodo de repente, era como se eu estivesse invadindo algo sagrado e fiquei embasbacado ao ouvir minha própria voz nervosamente perguntar :

— Emocionante ! Quanto tempo os dois tem de casado ?

— São 14 anos. Ele respondeu, sem desviar o olhar do rosto da esposa.

— Bem, então, quanto tempo você esteve fora ?

O homem, finalmente, virou e olhou para mim, ainda irradiando um sorriso jovial.

— Dois dias inteiros !

Dois dias ? Fiquei atordoado.

Pela intensidade da saudação, tinha concluído que ele tivesse se afastado por pelo menos várias semanas, se não meses.

Eu sei que minha expressão me traiu.

Eu disse quase imediatamente, procurando terminar minha intrusão com alguma graça (e voltar a procurar por meu amigo):

— Eu espero que meu casamento seja ainda apaixonado depois de 12 anos!

O homem deixou de sorrir de repente.

Ele me olhou diretamente nos olhos, e com uma expressão séria que até me assustou, respondeu :

— Não espere, amigo… DECIDA !

Então seu sorriso brilhou novamente, me deu um aperto de mão e disse :

— Deus lhe abençoe !

Com isso, viraram-se, ele e a família, e saíram.

Eu ainda estava observando aquela excepcional família caminhando para longe da vista quando meu amigo surgiu e perguntou :

— Ei ! Está olhando o que ?

Sem hesitar eu respondi :

— Meu futuro.

Aqui está a bela lição de que tudo depende de nós e que podemos lutar por um futuro melhor e cheio de amor ao lado da nossa família, acreditamos que tudo é exatamente como a gente quer.

Colaboração: Renato Antunes Oliveira

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