Categoria: Histórias (Page 95 of 111)

Uma doce lição

Meu pai adorava abelhas. Quando uma abelha selvagem chegava zumbindo, ele parava o que estivesse fazendo para esperar a abelha fartar-se de néctar. Assim que estava satisfeita, ela levantava vôo, precisa como uma flecha, em direção a sua colméia, no bosque. Papai então partia em seu encalço. Mesmo que a perdesse de vista sabia, mais ou menos, onde ela terminaria, já que as abelhas traçam uma reta quando se encaminham para casa.

Quando papai encontrava uma árvore oca com um enxame de abelhas dentro, visitava o proprietário das terras e pedia-lhe permissão para cortar a árvore. Sempre dava ao proprietário todo o mel em troca das abelhas. Foi assim que construiu um imenso apiário que, por fim, passou a ser a maior fonte de renda de nossa família.

Uma colméia podia morrer de fome durante o inverno se a sua provisão de mel não durasse até as plantas florescerem. É rotina o apicultor ajudar suas abelhas nos meses de frio, alimentando-as com um xarope feito de água e açúcar. Durante a Primeira Guerra Mundial, nosso país passou por uma seriíssima escassez de açúcar. O governo passou a racioná-lo, além de diversos outros produtos. Isso criou uma imensa procura por mel como substituto.

Devido à necessidade de fornecer mel para a população, os apicultores recebiam uma ração sobressalente de açúcar para manter suas abelhas vivas durante o inverno. Guardávamos a porção que nos cabia num barril na cozinha externa, que usávamos no verão.

Nós, as crianças, sabíamos que era estritamente para a alimentação das abelhas. Devido ao racionamento sofrido pelo país durante a Primeira Guerra Mundial, era muitas vezes difícil para as mães prepararem refeições apetitosas para suas famílias. Era especialmente difícil quando havia algum convidado.

Fomos avisados de que nossos parentes favoritos, que viviam a muitos quilômetros de distância, viriam nos visitar no dia seguinte. Ficamos muito animados! Mamãe começou a planejar o jantar que faria por ocasião da visita. Melancólica, declarou:

— Como eu gostaria de fazer um bolo!

Ela sentia imenso orgulho dos bolos que preparava. No entanto, como a pequena ração de açúcar destinada a nossa família já fora consumida, ficava impossível fazer o tal bolo.

É claro que nós, as crianças, queríamos o bolo tanto quanto ela! Imploramos para que pegasse o açúcar da ração das abelhas para prepará-lo. Nosso argumento era que o governo jamais saberia. Finalmente, ela cedeu.

Foi lá fora, até o barril de açúcar da cozinha externa, e usou-o para fazer sua deliciosa receita de bolo amarelo. Foi preciso grande habilidade para assar o bolo perfeito num forno a lenha, mas mamãe conseguiu. Quando terminou de decorá-lo com uma cobertura especial de merengue, ficamos extremamente orgulhosos de servi-lo para as visitas.

Pouco depois chegou o dia de nossa família receber a ração mensal de açúcar. Papai foi até a mercearia comprá-lo. O vendedor colocou-o num minúsculo saquinho marrom e amarrou-o com cuidado. Quando chegou em casa, papai o colocou sobre a mesa. Mamãe olhou brevemente para o pacotinho. Então, pegou o mesmo medidor que usara para o açúcar do bolo. Enquanto nós, crianças, a olhávamos estupefatos, ela mediu exatamente a quantidade que usara. Então, solenes, a seguimos até o barril de açúcar das abelhas, onde ela o despejou.

O que restou de açúcar no fundo do pequeno saco era pouco para uma família de sete, mas teria de ser suficiente para durar um mês. A idéia foi um banho de sobriedade para uma criança tão pequena e apaixonada por doces.

Minha mãe não fez o menor discurso sobre o acontecido, a menor fanfarra. Não pregou sobre a honestidade. Para ela, aquele fora um ato natural, de acordo com a integridade com a qual meu pai e ela viveram as suas vidas.

Hoje, tenho noventa e dois anos. Há muito não sou mais aquela criancinha que olhava por cima da mesa da cozinha da mãe, na pontinha dos pés. Muitas coisas mudaram durante a minha vida. Ainda faço bolos quando tenho visitas, mas hoje uso misturas prontas porque não agüento mais ficar em pé tanto tempo. Também não preciso mais usar o fogão à lenha. E, certamente, não há a menor escassez de açúcar em nosso país.

Mas algumas coisas não mudam. E, assim, já contei a história sobre a honestidade incondicional de minha mãe inúmeras vezes para meus filhos, meus netos e até mesmo para os meus bisnetos. Mamãe era como uma daquelas abelhas que meu pai adorava seguir. Era fácil contar que sempre tomaria o caminho mais honesto nesta vida, uma linha reta, precisa como uma flecha. E foi por isso que moldou, sem alardes, a consciência de quatro gerações de uma mesma família.

Colaboração de Wilma Santiago

Tudo é uma questão de escolha

Duas rãs brincavam distraidamente e saltitavam dentro de um curral, de repente num desses saltos caíram ambas num latão cheio de leite, as bordas do latão eram lisas e altas.

Não havia a menor possibilidade de saírem dali mergulhadas no líquido, não havia como impulsionar o corpo e saltar para fora, ao perceber que sua amiga estava quase se afogando a primeira rã disse:

— Não esmoreça, continue batendo os braços, mantenha-se flutuando.

— Não adianta, respondeu a outra, estou exausta. E de que adianta manter-me flutuando se não existe nenhuma maneira de sair daqui..

— Não desista. Mantenha a calma e lute, enquanto há vida, há esperança, continue batendo os braços com toda força.

— Não vale a pena, estou me cansando e não consigo ver comopodemos nos salvar.

Dito isso, parou de se debater, afundou e morreu afogada.

— Não posso desistir, disse a primeira, deve haver uma saída, vou continuar me debatendo, tenho que me manter viva. Debateu-se a noite inteira, e debateu-se tanto dentro do leite que este acabou virando manteiga.

Agora sim. Apoiada sobre uma base sólida bastou descansar um pouquinho, tomar impulso para fora do latão e recomeçar sua vida.

Tudo é uma questão de perseverança, desde que o mundo é mundo os problemas são os mesmos, cada um de nós tem uma maneira diferente de enfrentá-los e essa maneira que vai determinar o sucesso ou fracasso.

Trocando de roupa

Navegavam há meses e os marujos não tomavam banho nem trocavam de roupa.

O que não era novidade na Marinha Mercante britânica, mas o navio fedia!

O Capitão chama o Imediato:

— Mr. Simpson, o navio fede, mande os homens trocarem de roupa!

Responde o Imediato:

— Aye, Aye, Sir, parte para reunir os seus homens e diz:

— Sailors, o Capitão está se queixando do fedor a bordo e manda todos trocarem de roupa. David troque a camisa com John, John troque a sua com Peter, Peter troque a sua com Alfred, Alfred troque a sua com Jonathan … e assim prosseguiu.

Quando todos tinham feito as devidas trocas, volta ao Capitão e diz:

— Sir, todos já trocaram de roupa.

O Capitão, visivelmente aliviado, manda prosseguir a viagem.

Três Sapos

Se existem três sapos numa folha, e um deles decide pular da folha para a água, quantos sapos restam na folha? Resposta certa: três sapos!

Porque o sapo apenas decidiu pular mas ele não fez isso.

Às vezes, a gente não se parece com o sapo?

Quando decidimos fazer isso, fazer aquilo e no final não fazemos nada?

Na vida temos que tomar muitas decisões. Algumas fáceis, outras difíceis.

Rir é correr o risco de parecer tolo.

Chorar é correr o risco de parecer sentimental.

Abrir-se para alguém é arriscar envolvimento.

Expor as idéias e sonhos é arriscar-se a perdê-los.

Amar é correr o risco de não ser amado.

Viver é correr o risco de morrer.

Ter esperança é correr o risco de se decepcionar.

Tentar é correr o risco de falhar.

Os riscos precisam ser enfrentados porque o maior fracasso na vida é não arriscar nada. A pessoa que não arrisca nada, não faz nada, não tem nada, é nada… Ela pode evitar o sofrimento e a dor mas não aprende, não sente, não muda, não cresce, não vive. É uma escrava que teme a liberdade.

Apenas quem arrisca é livre.

Três Atitudes

Você se considera uma pessoa egoísta, orgulhosa, ou é alguém que sempre busca praticar o bem? Talvez a resposta para essa pergunta não seja tão fácil assim, por isso vamos fazer uma análise dessas três atitudes considerando alguns quadros e circunstâncias da vida diária:

Na sociedade: O egoísmo faz o que quer. O orgulho faz como quer. O bem faz o que pode, acima das próprias obrigações.

No trabalho: O egoísmo explora o que acha. O orgulho oprime o que vê. O bem produz incessantemente.

Na equipe: O egoísmo atrai para si. O orgulho pensa em si. O bem serve a todos.

Na amizade: O egoísmo utiliza as situações. O orgulho clama por privilégios. O bem renuncia ao próprio bem.

Na fé: O egoísmo aparenta. O orgulho reclama. O bem ouve.

Na responsabilidade: O egoísmo foge. O orgulho tiraniza. O bem colabora.

Na dor alheia: O egoísmo esquece. O orgulho condena. O bem ampara.

No estudo: O egoísmo finge que sabe. O orgulho não busca saber. O bem aprende sempre, para realizar o melhor.

Considerando essas três atitudes, você poderá avaliar qual é a que mais se destaca nas suas ações diárias.

Fazendo essa análise você poderá responder se é uma pessoa egoísta, orgulhosa ou que age de acordo com o bem.

Com a avaliação em mãos, considere o seguinte: O egoísmo e o orgulho são dois corredores sombrios que conduzem ao ví cio, à delinqüência, à desgraça.

O bem é ampla e iluminada avenida que nos leva à conquista das virtudes sublimes e à felicidade suprema que tanto desejamos.

Mas para isso não basta apenas admirar o bem ou divulgá-lo; é preciso, acima de tudo, praticá-lo com todas as forças da alma.

E a decisão entre uma atitude e outra, cabe exclusivamente a cada um de nós.

Não esqueça de que o bem que se faz é o único trabalho que faz bem, e esse serviço em favor dos outros é a caridade única em favor de nós mesmos.

O bem é a alavanca capaz de libertar o homem dos vícios e elevá-lo aos altos planos da harmonia consigo mesmo e com o mundo que o rodeia. Assim, a prática do bem é e sempre será nossa melhor atitude.

Trabalho

Houve um homem que morreu e se viu em um lugar lindo, rodeado de todo conforto concebível. Um ser vestido inteiramente de branco veio até ele e disse:

— O senhor aqui pode Ter qualquer coisa que desejar; qualquer iguaria, qualquer prazer, qualquer tipo de entretenimento.

O homem ficou encantado, e por vários dias deliciou-se com todos os manjares e deleites que sonhara na Terra. Um dia, porém, entediou-se daquilo tudo e, chamando o atendente de trajes brancos, explicou:

— Estou cansado disso tudo. Preciso de alguma coisa para fazer. Que tipo de trabalho você pode me oferecer?

O atendente de banco sacudiu a cabeça melancolicamente e respondeu:

— Sinto muito, meu senhor. Essa é a única coisa que não podemos lhe oferecer. Não há trabalho aqui.

Ao que o homem retrucou:

— Essa não! Eu poderia bem estar no inferno.

O atendente respondeu com brandura:

— E onde o senhor pensa que está?

Margarete Stevens

Tese de Guerdjef

Tese de um pensador russo chamado Guerdjef, que no início do século passado já falava em auto-conhecimento e na importância de se saber viver.

Dizia ele: “Uma boa vida tem como base o sentido do que queremos para nós em cada momento e daquilo que, realmente vale como principal”.

Assim sendo, ele traçou 20 regras de vida que foram colocadas em destaque no Instituto Francês de Ansiedade e Stress, em Paris.

Dizem os “experts” em comportamento que, quem já consegue assimilar 10 delas, com certeza aprendeu a viver com qualidade interna. Ei-las:

  1. Faça pausas de dez minutos a cada duas horas de trabalho, no máximo. Repita essas pausas na vida diária e pense em você, analisando suas atitudes.
  2. Aprenda a dizer não sem se sentir culpado ou achar que magoou. Querer agradar a todos é um desgaste enorme.
  3. Planeje seu dia, sim, mas deixe sempre um bom espaço para o improviso, consciente de que nem tudo depende de você.
  4. Concentre-se em apenas uma tarefa de cada vez. Por mais ágeis que sejam os seus quadros mentais, você se exaure.
  5. Esqueça, de uma vez por todas, que você é imprescindível. No trabalho, casa, no grupo habitual. Por mais que isso lhe desagrade, tudo anda sem a sua atuação, a não ser você mesmo.
  6. Abra mão de ser o responsável pelo prazer de todos. Não é você a fonte dos desejos, o eterno mestre de cerimônias.
  7. Peça ajuda sempre que necessário, tendo o bom senso de pedir às pessoas certas.
  8. Diferencie problemas reais de problemas imaginários e elimine-os porque são pura perda de tempo e ocupam um espaço mental precioso para coisas mais importantes.
  9. Tente descobrir o prazer de fatos cotidianos como dormir, comer e tomar banho, sem também achar que é o máximo a se conseguir na vida.
  10. Evite se envolver na ansiedade e tensão alheias enquanto ansiedade e tensão. Espere um pouco e depois retome o diálogo, a ação.
  11. Família não é você, está junto de você, compõe o seu mundo, mas não é a sua própria identidade.
  12. Entenda que princípios e convicções fechadas podem ser um grande peso, a trave do movimento e da busca.
  13. É preciso ter sempre alguém em que se possa confiar e falar abertamente ao menos num raio de cem quilômetros. Não adianta estar mais longe.
  14. Saiba a hora certa de sair de cena, de retirar-se do palco, de deixar a roda. Nunca perca o sentido da importância sutil de uma saída discreta.
  15. Não queira saber se falaram mal de você e nem se atormente com esse lixo mental; escute o que falaram bem, com reserva analítica, sem qualquer convencimento.
  16. Competir no lazer, no trabalho, na vida a dois, é ótimo … para quem quer ficar esgotado e perder o melhor.
  17. A rigidez é boa na pedra, não no homem. A ele cabe firmeza, o que é muito diferente.
  18. Uma hora de intenso prazer substitui com folga 3 horas de sono perdido. O prazer recompõe mais que o sono. Logo, não perca uma oportunidade de divertir-se.
  19. Não abandone suas 3 grandes e inabaláveis amigas: a intuição, a inocência e a fé!
  20. E entenda de uma vez por todas, definitiva e conclusivamente:

VOCÊ É O QUE SE FIZER SER!

Sunzinha

— Tardi, Dotô.

— Boa tarde. Sente-se.

— Careci não. Ficu di pé, mermo.

— Sente-se para eu poder examinar.

— O Dotô é quem manda.

— Mas fale-me. O que está acontecendo?

— Ai, Dotô! Mi dá umas dor di veiz in quandu.

— Que dor?

— Aqui, óia. Nu estromagu. Beeem lá nu fundinhu.

— Forte?

— As veiz. Trasveiz é anssim ó, di mansinhu.

— E o que você faz?

— Tem veiz que eu cantu. Trasveiz eu vô pra cunzinha fazê um bolu.

— Tem outra dor?

— Tenhu, sim, Dotô. Aqui, ó. Pertu dus óio.

— E essa é forte?

— Também é forte não. Quandu ela dá eu cunversu cas vizinhas i passa.

— Outra?

— Tenho sim senhô. Aqui. Anssim, nu meio das custela, pareci nu coração. Dá uns apertu aqui, ó.

— E você faz o que?

— Tem veiz qui eu choru. Trasveiz eu ficu anssim, muitu da queta pra vê si passa.

— E passa?

— As veiz. Trasveiz eu vô pra pracinha. Lá eu sentu num bancu vê as criança brincá prá esperá passá.

— Você mora com alguém?

— Moru não, Dotô. Sô sunzinha nessi mundão di Deus.

— Não tem família?

— Aqui tenhu não. Minha famia é todinha du interiô du sertão, pertinhu de Urandi, lá quasi im Minas. Eu vim sunzinha pra Sum Paulu tentá a vida.

— E você faz o que?

— Óia, Dotô. Eu já fiz um cadinhu di tudu nessa vida. Já trabaiei numa firma di limpeza, já cuidei di criança. Já trabaiei numa casa di genti rica. Agora eu trabaio cuma mocinha qui mais viaja qui fica im casa. Ela avua num avião di dia i di noiti. Aí eu ficu sunzinha.

— Você mora com ela?

— Moru sim, Dotô. Ela dexa eu drumi num quartinhu lá nus fundu da casa.

— Sabe cozinhar?

— Oxa si não! Cunzinhu muitu du bem! Coisa mais simpres anssim i coisa mais di genti chiqui.

— Gosta de crianças?

— Ô, seu Dotô. É as criaturinha mais anjinha qui Deus botô nu mundu!

— Qual o seu nome mesmo?

— Óia, Dotô. Eu num gostu muitu, mas a modi agrada a santa, minha mainha botô Crara.

— Dona Clara. Eu sei o que a senhora tem.

— Comu anssim, si o Dotô nem incostô im mim?

— O que a senhora tem Dona Clara, chama-se solidão e é a causadora de toda essa tristeza.

— I issu mata, Dotô?

— Ás vezes, sim. Mas, no seu caso bastam amigos, alguns remédios e um pouco de carinho. Dona Clara. Vai parecer estranho e nem eu mesmo entendo porque estou fazendo isso, mas minha esposa está grávida e nosso segundo filho é para o mês que vem. Já temos uma menina. E até hoje é minha esposa que cuida de tudo. Porém, com o bebê pequeno precisamos de alguém que cuide da casa. Que tal ficar conosco?

— Oxa si não! Óia, Dotô. Nunca fizeram issu pur mim não. Vixe! Vai sê coisa muitu da boa ficá cum oceis. I careci di morá lá, Dotô?

— Sim. Temos um quarto vago, no apartamento. Podemos tentar por uns meses. O que acha?

— Dotô. É anssim como tê famia, né?

— Quase.

— Dotô. Eu num vô mais sê sunzinha. Vixe! Deus lhi pague, Dotô, a modi qui carinhu anssim, nem mainha mi dava.

— Vamos testar. Combinado?

— Cumbinadu. Dotô. Careci di eu fazê uma pregunta. Eu num vô mais senti essas dor?

— Vamos combinar uma coisa? O dia que sentir essa dor você me procura.

— Prá modi du senhô mi inxaminá?

— Não. Prá modi nóis trocá dois dedinhu di prosa.

Stress

Em uma conferência, ao explicar para a platéia a forma de controlar o estresse, o palestrante levantou um copo com água e perguntou:

— Qual o peso deste copo d’água?

As respostas variaram de 250g a 700g.

O palestrante, então, disse:

— O peso real não importa. Isso depende de por quanto tempo você segurar o copo levantado. Se o copo for mantido levantado durante um minuto, isso não é um problema. Se eu o mantenho levantado por uma hora, vou acabar com dor no braço. Mas se eu ficar segurando um dia inteiro, provavelmente eu vou ter cãibras dolorosas e vocês terão de chamar uma ambulância.

E ele continuou:

— E isso acontece também com o estresse e a forma como controlamos o estresse. Se você carrega a sua carga por longos períodos, ou o tempo todo, cedo ou tarde a carga vai começar a ficar incrivelmente pesada e, finalmente, você não será mais capaz de carregá-la. Para que o copo de água não fique pesado, você precisa colocá-lo sobre alguma coisa de vez em quando e descansar antes de pegá-lo novamente. Com nossa carga acontece o mesmo. Quando estamos refrescados e descansados nós podemos novamente transportar nossa carga.

Em seguida, ele distribuiu um folheto contendo algumas formas de administrar as cargas da vida, que eram:

  1. Aceite que há dias em que você é o pombo e outros em que você é a estátua.
  2. Mantenha sempre suas palavras leves e doces, pois pode acontecer de você precisar engolir todas elas.
  3. Só leia coisas que faça você se sentir bem e ter a aparência boa de quem está bem.
  4. Dirija com cuidado. Não só os carros apresentam defeitos e têm recall do fabricante.
  5. Se não puder ser gentil, pelo menos tenha a decência de ser vago.
  6. Se você emprestar R$200,00 para alguém e nunca mais vir essa pessoa, provavelmente valeu a pena pagar esse preço para se livrar dela.
  7. Pode ser que o único propósito da sua vida seja servir de exemplo para os outros.
  8. Nunca compre um carro que você não possa manter.
  9. Quando você tenta pular obstáculos lembre que está com os dois pés no ar e sem nenhum apoio.
  10. Ninguém se importa se você consegue dançar bem. Para participar e se divertir no baile, levante e dance, pronto!
  11. Uma vez que a minhoca madrugadora é a que é devorada pelo pássaro, durma até mais tarde sempre que puder.
  12. Lembre que é o segundo rato que come o queijo – o primeiro fica preso na ratoeira. Saiba esperar.
  13. Lembre, também, que sempre tem queijo grátis nas ratoeiras.
  14. Quando tudo parece estar vindo na sua direção, provavelmente você está no lado errado da estrada.
  15. Aniversários são bons para você. Quanto mais você tem, mais tempo você vive
  16. Alguns erros são divertidos demais para serem cometidos só uma vez.
  17. Podemos aprender muito com uma caixa de lápis de cor. Alguns têm pontas aguçadas, alguns têm formas bonitas e alguns são sem graça. Alguns têm nomes estranhos e todos são de cores diferentes, mas todos são lápis e precisam conviver na mesma caixa.
  18. Não perca tempo odiando alguém, remoendo ofensas e pensando em vingança. Enquanto você faz isso a pessoa está vivendo bem feliz e você é quem se sente mal e tem o gosto amargo na boca.
  19. Quanto mais alta é a montanha mais difícil é a escalada. Poucos conseguem chegar ao topo, mas são eles que admiram a paisagem do alto e fazem as fotos que você admira dizendo queria ter estado lá.
  20. Uma pessoa realmente feliz é aquela que segue devagar pela estrada da vida, desfrutando o cenário, parando nos pontos mais interessantes e descobrindo atalhos para lugares maravilhosos que poucos conhecem. Portanto, antes de voltarem para casa, depositem sua carga de trabalho no chão. Não a carreguem para casa. Vocês podem voltar a pegá-la amanhã. Com tranquilidade.
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