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Agregando Valor à Sua Empresa

Rick Warren

Se você tem investido no mercado de ações, compreende o significado de “valorização”. Valorizar significa “elevar o valor”. Negócios saudáveis têm muitas formas de bens valorizáveis, mas a mais importante delas, em qualquer ramo, são as pessoas que nela trabalham. Todas as coisas se originam ou recaem sobre a liderança, mas o potencial das pessoas que seguem os líderes também é importante. Pessoas de qualidade produzem mercadorias e serviços de qualidade. Com a capacidade de valorizar seus empregados ou companheiros de trabalho cria-se uma empresa mais valorizada.

Como você valoriza aqueles que trabalham para você ou com você? Mostrando-lhes o seu apreço. Como? O melhor meio de investir em seu negócio é demonstrar a importância das pessoas que trabalham com você, reconhecendo sua contribuição para o sucesso da empresa.

Reconhecimento faz brotar o melhor em nós. Ele nos ajuda a aprender melhor e nos estimula a ser mais produtivos. William James, grande psicólogo, disse: “O princípio mais profundo na natureza humana é o anseio de ser reconhecido.” O célebre autor Mark Twain disse certa vez: “Um bom elogio me impulsiona por uns dois meses!”

A Bíblia tem muito a dizer sobre o valor de expressar reconhecimento. Por exemplo, ela diz: “…Animem-se uns aos outros e edifiquem-se uns aos outros” (I Tessalonicenses 5.11). O autor de Hebreus exorta seus leitores a: “Consideremos uns aos outros para nos incentivarmos ao amor e às boas obras… procuremos encorajar-nos uns aos outros” (10.24-25).

Empreendimentos de sucesso valorizam três coisas nas pessoas:

  • Suas diferenças. Reconhece e valoriza a singularidade. Deus fez cada um de nós diferente por uma razão: a vida seria desinteressante e enfadonha se todos agíssemos da mesma maneira. Existe vigor na diversidade. Concentre-se em criar unidade sem forçar uniformidade.
  • Sua confiança. Um ótimo momento para mostrar reconhecimento aos outros é quando eles permanecem ao seu lado durante tempos difíceis. Reconheça as pessoas com as quais você pode contar, especialmente quando está sob pressão.
  • Seu esforço. Demonstre reconhecimento pelo que as pessoas fizeram quando deram o que tinham de melhor, se empenhando ao máximo, não importando qual tenha sido o resultado. Um “tapinha nas costas” produz melhor resultado que um chute.

Reconhecimento efetivo apresenta três características:

  • É real – é preciso ser genuíno, vir do coração, não superficial ou manipulador.
  • É identificável – deve ser expresso de forma clara e específica para que aquele a quem se destina sinta-se reconhecido.
  • É constante – deve ser freqüente, não ser “armazenado” ou reservado para ocasiões ou propósitos especiais.

Ken Blanchard, popular escritor, locutor e autoridade em administração, diz: “Adote o hábito de surpreender as pessoas fazendo algo certo!” Quanto mais você demonstra reconhecimento pelas pessoas com quem trabalha, mais elas gostarão de você, de sua empresa e do trabalho que lhes é solicitado fazer. Pessoas que se sentem valorizadas e reconhecidas são mais alegres, mais produtivas e mais leais.

A propósito: reconhecimento não é algo que funciona apenas no seu negócio. Funciona também com seu cônjuge e seus filhos. Experimente. Eles irão gostar!

Texto de autoria de Rick Warren, autor do best-seller “The Purpose-Driven Life” (Uma Vida Com Propósito), traduzido em diversas línguas, e no qual analisa a importância de um propósito cuidadoso e claramente expresso para guiar a vida cotidiana. Tradução de Mércia Padovani.

A Grandeza do Silêncio

O silêncio é doçura: Quando não respondes às ofensas, Quando não reclamas os teus direitos, Quando deixas à Deus a defesa da tua honra.

O silêncio é misericórdia: Quando te calas diante das faltas de teus irmãos, Quando perdoas sem remoer o passado, Quando não condenas, mas intercedes em segredo.

O silêncio é paciência: Quando sofres sem te lamentares, Quando não procuras consolação junto aos homens, Quando não intervéns, esperando que a semente germine lentamente.

O silêncio é humildade: Quando te apagas para deixar aparecer teu irmão, Quando, na discrição, revelas dons de Deus, Quando suportas que tuas ações sejam mal interpretadas, Quando deixas os outros a glória da obra inacabada.

O silêncio é fé: Quando te apagas, sabendo que é Ele quem age… Quando renuncias às vozes do mundo para permanecer na Sua presença… Quando te basta que só Ele te compreenda.

Colaboração de Maria Jacinta N. Silva

A Grande Lição

Cartão de visitas – Fato verdadeiro, integrante da biografia, ocorrido em 1892

Um senhor 70 anos viajava de trem tendo ao seu lado um jovem universitário que lia o seu livro de ciências. O senhor, por sua vez, lia um livro de capa preta. Foi quando o jovem percebeu que se tratava da Bíblia e estava aberta no livro de Marcos.

Sem muita cerimônia o jovem interrompeu a leitura do velho e perguntou:

— O senhor ainda acredita neste livro cheio de fábulas e crendices?

— Sim, mas não é um livro de crendices.

— É a Palavra de Deus. Estou errado?

— Mas é claro que está! Creio que o senhor deveria estudar a História Universal. Veria que a Revolução Francesa, ocorrida há mais de 100 anos, mostrou a miopia da religião. Somente pessoas sem cultura ainda crêem que Deus tenha criado o mundo em seis dias. O senhor deveria conhecer um pouco mais sobre o que os nossos cientistas pensam e dizem sobre tudo isso.

— É mesmo? E o que pensam e dizem os nossos cientistas sobre a Bíblia?

— Bem, respondeu o universitário, como vou descer na próxima estação, falta-me tempo agora, mas deixe o seu cartão que eu lhe enviarei o material pelo correio com a máxima urgência. O velho então, cuidadosamente, abriu o bolso interno do paletó e deu o seu cartão ao universitário.

Quando o jovem leu o que estava escrito, saiu cabisbaixo sentindo-se pior que uma ameba. No cartão estava escrito:

Professor Doutor Louis Pasteur Diretor Geral do Instituto de Pesquisas Científicas da Universidade Nacional da França.

“Um pouco de ciência nos afasta de Deus. Muito, nos aproxima”. Louis Pasteur.

Colaboração de Sandro Reis

A Grande Diferença

Os alunos residentes estavam reunidos discutindo suas dificuldades.

Todos eram unânimes em afirmar que o maior problema no hospital era o dr. M.

Ninguém gostava daquele médico que tinha a seus cuidados, pacientes portadores de câncer.

Ele era brilhante em seu trabalho mas intolerável no trato pessoal.

Era áspero, arrogante e nunca admitia que alguém falasse que um de seus pacientes iria morrer.

A médica psiquiatra que a tudo escutava, inesperadamente falou :

— Não se pode ajudar uma outra pessoa sem gostar um pouquinho dela. Há alguém aqui que goste dele?

Depois de muitas caretas, risos e gestos hostis, uma moça ergueu a mão hesitante.

Era uma enfermeira.

— Vocês não conhecem esse homem, ela começou. Não conhecem a pessoa que ele é. Todas as noites, depois que todos os médicos já se retiraram, ele visita os pacientes. Começa no quarto mais distante do posto de enfermagem e vem seguindo, entrando de quarto em quarto. Quando entra no primeiro, parece seguro, confiante, de cabeça alta. Mas de cada quarto que sai, suas costas vão se curvando mais. Quando sai do último quarto, está arrasado. Sem alegria, esperança ou satisfação por seu trabalho. O que eu mais desejaria é quando ele está assim triste, pousar minha mão no seu ombro, como uma amiga. Mas nunca o fiz porque sou só uma enfermeira e ele é o chefe do departamento de oncologia.

Nos momentos seguintes, todos se uniram e insistiram para que ela se esforçasse e seguisse o impulso do seu coração.

Aquele homem precisava de ajuda.

Uma semana depois, reunidos novamente, a enfermeira entrou sorridente e disse : “consegui.”

Na sexta-feira anterior, ela vira o médico sair arrasado do plantão.

Dois dos seus pacientes haviam morrido naquele dia.

Aproximou-se dele e inesperadamente, ele a levou para o seu consultório e desabafou.

Ele falou como sonhava curar seus pacientes, enquanto os seus amigos, da mesma idade que ele, estavam constituindo família.

Sua vida tinha sido aprender uma especialidade.

Agora, ele ocupava uma posição que podia fazer a diferença para a vida dos enfermos.

E, no entanto, todos eles morriam.

Um após outro, todos morriam.

Ele era um homem acabado, vencido.

Quando ouviram essa história, os residentes se deram conta de como todos somos frágeis e necessitados de afeto.

Também de como uma pessoa tem o poder extraordinário de curar outras, apenas tomando coragem e agindo sob o impulso do coração.

Um ano depois, o dr. M. Era outro homem.

Abriu o seu coração às pessoas e redescobriu as maravilhosas qualidades que possuía, o afeto e a compreensão que o haviam motivado a se tornar um médico.

Um gesto, uma atitude, um olhar podem mudar a vida de uma criatura.

Pessoas ásperas, de trato rude, quase sempre estão ocultando as suas mágoas e pesares profundos.

Por vezes, basta um pequeno toque para que elas abram o coração e demonstrem toda a sua fragilidade.

E o que faz a grande diferença na vida de tais pessoas é a demonstração de afeto, que pode ser de um grande amor, de um amigo, de um irmão ou de um colega de trabalho.

Por tudo isso, esteja atento.

Olhe ao redor e descubra se você, com sua atitude, não pode fazer a grande diferença na vida de alguém.

Colaboração: Renato Antunes Oliveira

A gente se acostuma

Clarice Lispector

Eu sei que a gente se acostuma.
Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos
e a não ter outra vista que não as janelas ao redor.
E porque não tem vista, logo se
acostuma a não olhar para fora.
E porque não olha para fora,
logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas.
E porque não abre as cortinas,
logo se acostuma a acender cedo a luz.
E a medida que se acostuma,
esquece o sol, esquece o ar,
esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado
porque está na hora.
A tomar o café correndo porque está atrasado.
A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem.
A comer sanduíche porque não dá para almoçar.
A sair do trabalho porque já é noite.
A cochilar no ônibus porque está cansado.
A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone:
“Hoje não posso ir”.
A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta.
A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo, o que deseja e o de que necessita.
E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar.
E a pagar mais do que as coisas valem.
E a saber que cada vez pagará mais.
E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro,
para ter com que pagar nas filas em que se cobra.
A gente se acostuma à poluição.
Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro.
À luz artificial de ligeiro tremor.
Ao choque que os olhos levam na luz natural.
Às bactérias de água potável.
A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer.
Em doses pequenas, tentando não perceber,
vai afastando uma dor aqui,
um ressentimento ali,
uma revolta acolá.
Se a praia está contaminada,
a gente molha só os pés e sua no resto do corpo.
Se o cinema está cheio,
a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço.
Se o trabalho está duro,
a gente se consola pensando no fim de semana.
E se no fim de semana não há muito o que fazer,
a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito,
porque tem sempre sono atrasado.
A gente se acostuma para não se ralar na aspereza,
para preservar a pele.
Se acostuma para evitar feridas,
sangramentos,
para poupar o peito.
A gente se acostuma para
poupar a vida.
Que aos poucos se gasta,
e que se gasta de tanto se acostumar,
e se perde de si mesma…

A garota da maçã

Agosto de 1942 – Piotrkow, Polônia.

Naquela manhã, o céu estava sombrio, enquanto esperávamos ansiosamente.

Todos os homens, mulheres e crianças do gueto judeu de Piotrkow tinham sido levados até uma praça.

Espalhou-se a notícia de que estávamos sendo removidos. Meu pai havia falecido recentemente de tifo, que se alastrara através do gueto abarrotado.

Meu maior medo era de que nossa família fosse separada.

“O que quer que aconteça,” Isidore, meu irmão mais velho, murmurou para mim, “não lhes diga a sua idade. Diga que tem dezesseis anos”.

Eu era bem alto, para um menino de 11 anos, e assim poderia ser confundido como tal.

Desse jeito eu poderia ser considerado valioso como um trabalhador.

Um homem da SS aproximou-se, botas estalando nas pedras grosseiras do piso.

Olhou-me de cima a baixo, e, então, perguntou minha idade. “Dezesseis”, eu disse.

Ele mandou-me ir à esquerda, onde já estavam meus três irmãos e outros jovens saudáveis.

Minha mãe foi encaminhada para a direita com outras mulheres, crianças, doentes e velhos.

Murmurei para Isidore, “Por quê?”

Ele não respondeu. Corri para o lado da mãe e disse que queria ficar com ela. “Não,” ela disse com firmeza. “Vá embora. Não aborreça. Vá com seus irmãos”.

Ela nunca havia falado tão asperamente antes. Mas eu entendi: ela estava me protegendo.

Ela me amava tanto que, apenas esta única vez, ela fingiu não fazê-lo. Foi a última vez que a vi.

Meus irmãos e eu fomos transportados em um vagão de gado até a Alemanha.

Chegamos ao campo de concentração de Buchenwald em uma noite, semanas após, e fomos conduzidos a uma barraca lotada.

No dia seguinte, recebemos uniformes e números de identificação. “Não me chamem mais de Herman”, eu disse aos meus irmãos. “Chamem-me 94938”.

Colocaram-me para trabalhar no crematório do campo, carregando os mortos em um elevador manual.

Eu, também, me sentia como morto. Insensibilizado, eu me tornara um número. Logo, meus irmãos e eu fomos mandados para Schlieben, um dos sub-campos de Buchenwald, perto de Berlim.

Em uma manhã, eu pensei ter ouvido a voz de minha mãe. “Filho” ela disse suave, mas claramente, “Vou mandar-lhe um anjo”.

Então eu acordei. Apenas um sonho. Um lindo sonho.

Mas nesse lugar não poderia haver anjos. Havia apenas trabalho. E fome. E medo.

Poucos dias depois, estava caminhando pelo campo, pelas barracas, perto da cerca de arame farpado, onde os guardas não podiam enxergar facilmente. Estava sozinho. Do outro lado da cerca, eu observei alguém: uma pequena menina com suaves, quase luminosos cachinhos.

Ela estava meio escondida atrás de uma bétula. Dei uma olhada em volta, para certificar-me de que ninguém estava me vendo. Chamei-a suavemente em Alemão. “Você tem algo para comer?”

Ela não entendeu. Aproximei-me mais da cerca e repeti a pergunta em Polonês.

Ela se aproximou. Eu estava magro e raquítico, com farrapos envolvendo meus pés, mas a menina parecia não ter medo. Em seus olhos eu vi vida.

Ela sacou uma maçã do seu casaco de lã e a jogou pela cerca.

Agarrei a fruta e, assim que comecei a fugir, ouvi-a dizer debilmente, “Virei vê-lo amanhã”.

Voltei para o mesmo local, na cerca, na mesma hora, todos os dias. Ela estava sempre lá, com algo para eu comer – um naco de pão ou, melhor ainda, uma maçã.

Nós não ousávamos falar ou demorarmos. Sermos pegos significaria morte para nós dois.

Não sabia nada sobre ela. Apenas um tipo de menina de fazenda, e que entendia Polonês.

Qual era o seu nome? Por que ela estava arriscando sua vida por mim?

A esperança estava naquele pequeno suprimento, e essa menina, do outro lado da cerca, trouxe-me um pouco, como que me nutrindo dessa forma, tal como o pão e as maçãs.

Cerca de sete meses depois, meus irmãos e eu fomos colocados em um abarrotado vagão de carvão e enviados para o campo de Theresiensatdt, na Tchecoeslováquia. “Não volte”, eu disse para a menina naquele dia. “Estamos partindo”.

Voltei-me em direção às barracas e não olhei para trás, nem mesmo disse adeus para a pequena menina, cujo nome eu nunca aprendi – menina das maçãs.

Permanecemos em Theresienstadt por três meses.

A guerra estava diminuindo e as forças aliadas se aproximando, muito embora meu destino parecesse estar selado. No dia 10 de maio de 1945, eu estava escalado para morrer na câmara de gás, às 10:00 horas. No silencioso crepúsculo, tentei me preparar. Tantas vezes a morte pareceu pronta para me achar, mas de alguma forma eu havia sobrevivido. Agora, tudo estava acabado.

Pensei nos meus pais. Ao menos, nós estaremos nos reunindo.

Mas, às 08:00 horas ocorreu uma comoção.

Ouvi gritos, e vi pessoas correndo em todas as direções através do campo.

Juntei-me aos meus irmãos.

Tropas russas haviam liberado o campo! Os portões foram abertos.

Todos estavam correndo, então eu corri também.

Surpreendentemente, todos os meus irmãos haviam sobrevivido.

Não tenho certeza como, mas sabia que aquela menina com as maçãs tinha sido a chave da minha sobrevivência. Quando o mal parecia triunfante, a bondade de uma pessoa salvara a minha vida, me dera esperança em um lugar onde ela não existia.

Minha mãe havia prometido enviar-me um anjo, e o anjo apareceu.

Eventualmente, encaminhei-me à Inglaterra, onde fui assistido pela Caridade Judaica.

Fui colocado em um abrigo com outros meninos que sobreviveram ao Holocausto e treinado em Eletrônica. Depois fui para os Estados Unidos, para onde meu irmão Sam já havia se mudado.

Servi no Exército durante a Guerra da Coréia, e retornei a Nova Iorque, após dois anos.

Por volta de agosto de 1957, abri minha própria loja de consertos eletrônicos.

Estava começando a estabelecer-me.

Um dia, meu amigo Sid, que eu conhecia da Inglaterra, me telefonou. “Tenho um encontro. Ela tem uma amiga polonesa. Vamos sair juntos!”.

Um encontro às cegas? Não, isso não era para mim!

Mas Sid continuou insistindo e, poucos dias depois, nos dirigimos ao Bronx para buscar a pessoa com quem marcara encontro e a sua amiga Roma. Tenho que admitir: para um encontro às cegas, não foi tão ruim. Roma era enfermeira em um hospital do Bronx. Era gentil e esperta. Bonita, também, com cabelos castanhos cacheados e olhos verdes amendoados que faiscavam com vida.

Nós quatro fomos até Coney Island. Roma era uma pessoa com quem era fácil falar e ótima companhia. Descobri que ela era igualmente cautelosa com encontros às cegas.

Nós dois estávamos apenas fazendo um favor aos nossos amigos. Demos um passeio na beira da praia, gozando a brisa salgada do Atlântico e depois jantamos perto da margem. Não poderia me lembrar de ter tido momentos melhores.

Voltamos ao carro do Sid, com Roma e eu dividindo o assento trazeiro.

Como judeus europeus que haviam sobrevivido à guerra, sabíamos que muita coisa deixou de ser dita entre nós. Ela puxou o assunto, perguntando delicadamente: “Onde você estava durante a guerra?” “Nos campos de concentração”, eu disse.

As terríveis memórias ainda vívidas, a irreparável perda. Tentei esquecer.

Mas jamais se pode esquecer.

Ela concordou, dizendo: “Minha família se escondeu em uma fazenda na Alemanha, não longe de Berlim . Meu pai conhecia um padre, e ele nos deu papéis arianos.”

Imaginei como ela deve ter sofrido também, tendo o medo como constante companhia.

Mesmo assim, aqui estávamos, ambos sobreviventes, em um mundo novo. “Havia um campo perto da fazenda”, Roma continuou. “Eu via um menino lá e lhe jogava maçãs todos os dias.”

Que extraordinária coincidência, que ela tivesse ajudado algum outro menino. “Como ele era?”, perguntei. “Ele era alto, magro e faminto. Devo tê-lo visto todos os dias, durante seis meses.”

Meu coração estava aos pulos! Não podia acreditar! Isso não podia ser! “Ele lhe disse, um dia, para você não voltar, por que ele estava indo embora de Schlieben?”.

Roma me olhou estupefata. “Sim!”. “Era eu!”.

Eu estava para explodir de alegria e susto, inundado de emoções.

Não podia acreditar! Meu anjo! “Não vou deixar você partir”, disse a Roma.

E, na trazeira do carro, nesse encontro às cegas, pedi-a em casamento. Não queria esperar. “Você está louco!”, ela disse.

Mas convidou-me para conhecer seus pais no jantar do Shabbat da semana seguinte.

Havia tanto que eu ansiava descobrir sobre Roma, mas as coisas mais importantes eu sempre soube: sua firmeza, sua bondade. Por muitos meses, nas piores circunstâncias, ela veio até a cerca e me trouxe esperança. Não que eu a tivesse encontrado de novo, eu jamais a havia deixado partir.

Naquele dia, ela disse sim. E eu mantive a minha palavra.

Após quase 50 anos de casamento, dois filhos e três netos, eu jamais a deixara partir.?

Herman Rosenblat – Miami Beach, Florida ***

Esta é uma história verdadeira e você pode descobrir mais sobre ele no Google.

Ele fez Bar-Mitzvah com a idade de 75 anos.

Esta história está sendo transformada em filme, chamado “A cerca”.

A Formiguinha Feliz…

Todos os dias, bem cedinho, a Formiga produtiva e feliz chegava ao escritório. Ali transcorria os seus dias, trabalhando e cantarolando uma velha canção de amor.

Era produtiva e feliz, mas nao era supervisionada. O Marimbondo, gerente geral, considerou o fato impossível e criou um cargo de supervisor, no qual colocaram uma Barata com muita experiência.

A primeira preocupação da Barata foi a de padronizar o horário de entrada e saída, além de preparar belíssimos relatórios.

Bem depressa se fez necessária uma secretaria para ajudar a preparar os relatórios e, portanto, empregaram uma aranhazinha, que organizou os arquivos e se ocupou do telefone. En quanto isso, a Formiga produtiva e feliz trabalhava e trabalhava.

O Marimbondo, gerente geral, estava encantado com os relatórios da Barata, e terminou por pedir também quadros comparativos e gráficos, indicadores de gestao e analise das tendencias. Foi, entao, necessario empregar uma Mosca ajudante do supervisor, e foi preciso um novo computador com impressora colorida.

Logo a Formiga produtiva e feliz parou de cantarolar as suas melodias e comecou a lamentar-se de toda aquela movimentacao de papeis que tinha de ser feita.

O Marimbondo, gerente geral, concluiu, portanto, que era o momento de adotar medidas: criaram a posicao de gestor da area onde a Formiga produtiva e feliz trabalhava.

O cargo foi dado a uma Cigarra, que mandou colocar carpete no seu escritorio e comprar uma cadeira especial. A nova gestora de area – claro – precisou de um computador novo, e quando se tem mais do que um computador, a Internet se faz necessaria. A nova gestora logo precisou de um assistente (Remora, que ja era sua assistente na empresa anterior) para ajuda-la a preparar o plano estrategico e o orçamento para a area onde trabalhava a Formiga produtiva e feliz.

A Formiga ja nao cantarolava mais, e cada dia se tornava mais irascível. “Precisaremos pagar para que seja feito um estudo sobre o ambiente de trabalho um dia desses”, disse a Cigarra. Mas um dia, o gerente geral – ao rever as cifras – se deu conta de que a unidade na qual a Formiga produtiva e feliz trabalhava nao rendia muito mais.

E assim contatou a Coruja, consultora prestigiada, para que fizesse um diagnostico da situacao.

A Coruja permaneceu três meses nos escritórios e emitiu um relatório brilhante com vários volumes e custo de “vários” milhoes, que concluia:

“Ha muita gente nesta empresa”.

E assim …… , o gerente geral seguiu o conselho da consultora e demitiu a Formiga, por que andava muito desmotivada e aborrecida ……

A folha do dia

Certo dia um professor estava aplicando uma prova e os alunos, em silêncio, tentavam responder as perguntas com uma certa ansiedade.

Faltavam uns quinze minutos para o encerramento e um jovem levantou o braço e disse: professor, pode me dar uma folha em branco?O professor levou a folha até sua carteira e perguntou-lhe porque queria mais uma folha em branco, e o aluno falou: eu tentei responder as questões, rabisquei tudo, fiz uma confusão danada e queria começar outra vez.

Apesar do pouco tempo que faltava, o professor confiou no rapaz, deu-lhe a folha em branco e ficou torcendo por ele.

A atitude do aluno causou simpatia ao professor que, tempos depois, ainda se lembrava daquele episódio simples, mas significativo.

Assim como aquele aluno, nós também recebemos de Deus, a cada dia, uma nova folha em branco. E muitos de nós só temos feito rabiscos, confusões, tentativas frustradas, e uma confusão danada…

Outros apenas amassam essa nova página e a arremessam na lixeira, preferindo a ociosidade, gastando o tempo na inutilidade.

Talvez hoje fosse um bom momento para começar a escrever, nessa nova página em branco, uma história diferente, visando um resultado mais feliz.

Assim como tirar uma boa nota depende da atenção e do esforço do aluno, uma vida boa também depende da atenção e da dedicação de cada um.

Não importa qual seja sua idade, sua condição financeira, sua religião… Tome essa página em branco e passe sua vida a limpo.

Escreva, hoje, um novo capítulo, com letras bem definidas e sem rasuras. E o principal: que todos possam ler e encontrar lições nobres.

Não se preocupe em tirar nota dez, ser o primeiro em tudo, preocupe-se apenas em fazer o melhor que puder.

Pense que mesmo não tendo pedido, Deus lhe ofereceu uma outra folha em branco, que é o dia de hoje.

Por isso, não se permita rabiscar ou escrever bobagens nesta nova página, nem desperdiçá-la.

Aproveite essa nova chance e escreva um capítulo feliz na sua história.

Use as tintas com lucidez e coragem, com discernimento e boa vontade. Não poupe as palavras: dignidade, amizade, fraternidade, esperança e fé.

Assim, ao terminar de escrever esse novo capítulo da sua vida, você não verá rasuras nem terá que reescrevê-lo em tempo algum, porque foi escrito com nobreza e sabedoria.

Pense nisso! Aproveite este dia e ame com todas as forças do seu coração, sem restrições, sem ver defeitos ou tristezas. Conjugar o verbo amar é escrever uma história feliz.

Não espere que a melhoria, a prosperidade e o bem-estar caiam do céu milagrosamente, sem fazer força.

Tudo tem o preço da conquista, da busca, da participação, do esforço.

São muito potentes os talentos que você dispõe, ainda não explorados pelo seu pensar e sentir, e muitas são as suas possibilidades de crescer e conquistar o que mais quer ou precisa, chegando à felicidade.

Basta que não amasse nem rabisque de forma inconseqüente essa página em branco, chamada hoje.

Colaboração de Maria J. Nascimento Silva

Afinidade

Artur da Távola

Não é o mais brilhante,
mas é o mais sútil,
delicado e penetrante dos sentimentos.
Não importa o tempo, a ausência,
os adiantamentos, a distância, as impossibilidades.
Quando há AFINIDADE,
qualquer reencontro retoma a relação,
o diálogo, a conversa,
o afeto, no exato ponto
de onde foi interrompido.

AFINIDADE é não haver
tempo mediante a vida.
É a vitória do adivinhado sobre o real, do subjetivo sobre o objetivo,
do permanente sobre o passageiro,
do básico sobre o superficial.

Ter AFINIDADE é muito raro,
mas quando ela existe,
não precisa de códigos
verbais para se manifestar.
Ela existia antes do conhecimento,
irradia durante e permanece depois que as
pessoas deixam de estar juntas.

AFINIDADE é ficar longe,
pensando parecido a
respeito dos mesmos fatos que
impressionam, comovem, sensibilizam.

AFINIDADE é receber o que vem
de dentro com uma aceitação
anterior ao entendimento.

AFINIDADE é sentir com…
Nem sentir contra, sem sentir para…
Sentir com e não ter necessidade de
explicação do que está sentindo.
É olhar e perceber.

AFINIDADE é um sentimento singular,
discreto e independente.
Pode existir a quilômetros de distância,
mas é adivinhado na maneira de falar,
de escrever,
de andar,
de respirar…..

AFINIDADE é retomar a relação no tempo em que parou. Porque ele (tempo) e ela (separação) nunca existiram. Foi apenas a oportunidade dada (tirada) pelo tempo para que a maturação

Afinal, o que é inteligência?

Autobiography by Dr. Isaac Asimov (1920-1992): It’s Been a Good Life

Quando eu estava no exército, fiz um teste de aptidão, solicitado a todos os soldados, e consegui 160 pontos. A média era 100. Ninguém na base tinha visto uma nota dessas e durante duas horas eu fui o assunto principal. (Não significou nada – no dia seguinte eu ainda era um soldado raso da KP – Kitchen Police).

Durante toda minha vida consegui notas como essa, o que sempre me deu uma ideia de que eu era realmente muito inteligente. E eu imaginava que as outras pessoas também achavam isso.

Porém, na verdade, será que essas notas não significam apenas que eu sou muito bom para responder um tipo específico de perguntas acadêmicas, consideradas pertinentes pelas pessoas que formularam esses testes de inteligência, e que provavelmente têm uma habilidade intelectual parecida com a minha?

Por exemplo, eu conhecia um mecânico que jamais conseguiria passar em um teste desses, acho que não chegaria a fazer 80 pontos. Portanto, sempre me considerei muito mais inteligente que ele.

Mas, quando acontecia alguma coisa com o meu carro e eu precisava de alguém para dar um jeito rápido, era ele que eu procurava. Observava como ele investigava a situação enquanto fazia seus pronunciamentos sábios e profundos, como se fossem oráculos divinos. No fim, ele sempre consertava meu carro.

Então imagine se esses testes de inteligência fossem preparados pelo meu mecânico. Ou por um carpinteiro, ou um fazendeiro, ou qualquer outro que não fosse um acadêmico.

Em qualquer desses testes eu comprovaria minha total ignorância e estupidez. Na verdade, seria mesmo considerado um ignorante, um estúpido.

Em um mundo onde eu não pudesse me valer do meu treinamento acadêmico ou do meu talento com as palavras e tivesse que fazer algum trabalho com as minhas mãos ou desembaraçar alguma coisa complicada eu me daria muito mal. A minha inteligência, portanto, não é algo absoluto mas sim algo imposto como tal, por uma pequena parcela da sociedade em que vivo.

Vamos considerar o meu mecânico, mais uma vez. Ele adorava contar piadas. Certa vez ele levantou sua cabeça por cima do capô do meu carro e me perguntou:

— Doutor, um surdo-mudo entrou numa loja de construção para comprar uns pregos. Ele colocou dois dedos no balcão como se estivesse segurando um prego invisível e com a outra mão, imitou umas marteladas. O balconista trouxe então um martelo. Ele balançou a cabeça de um lado para o outro negativamente e apontou para os dedos no balcão. Dessa vez o balconista trouxe vários pregos, ele escolheu o tamanho que queria e foi embora. O cliente seguinte era um cego. Ele queria comprar uma tesoura. Como o senhor acha que ele fez?

Eu levantei minha mão e “cortei o ar” com dois dedos, como uma tesoura.

— Mas você é muito burro mesmo! Ele simplesmente abriu a boca e usou a voz para pedir?

Enquanto meu mecânico gargalhava, ele ainda falou: “Tô fazendo essa pegadinha com todos os clientes hoje.”

— E muitos caíram? perguntei esperançoso.

— Alguns. Mas com você eu tinha certeza absoluta que ia funcionar.

— Ah é? Por quê?

— Porque você tem muito estudo doutor, sabia que não seria muito esperto?

E algo dentro de mim dizia que ele tinha alguma razão nisso tudo.

Colaboração de Wilma Santiago

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