Autor: Rubens (Page 39 of 112)

O Sentido do Matrimônio

O café da manhã que mamãe preparava era maravilhoso. Embora fôssemos uma família humilde, minha mãe sempre preparava com muito carinho a primeira refeição do dia. Era ovo frito com farinha, outro dia era ovo escaldado, depois era bife com pão, lingüiça com ovo e pão…Tudo feito com simplicidade.

Ao acordar, naquela manhã, quando retornei da “lua de mel” para ir ao trabalho, pensei que encontraria a mesa posta e o café da manhã preparado. Como estava acostumado com a casa da mamãe, pensei que acordaria com aquele gostoso cheirinho que vinha sempre da cozinha lá de casa. Olhei para o lado e vi minha esposa, Neusa, dormindo profundamente, feito um anjinho – de pedra!

Disse para mim mesmo: “O Senhor não precisa dizer mais nada”. Lá pelas nove horas da manhã, hora em que se podia tirar alguns minutos para o café, dei um jeito de ir até o apartamento, não sem antes passar em uma padaria e comprar algumas guloseimas. Preparei o café da manhã e levei até a cama para Neusa.

Ela acordou com aquele sorriso tão lindo! Estamos para completar Bodas de Prata. Nesses quase vinte e cinco anos de casamento, continuo repetindo esse gesto todos os dias. E com muito amor! Estou longe de ser m bom marido, mas a cada dia me esforço ao máximo.

Tenho muito a melhorar, tenho de ser mais santo, mais paciente, mais carinhoso. Sinto-me ainda longe disso, pois o modelo que estou mirando é Jesus: “Maridos, amai as vossas esposas, assim como Cristo amou a igreja e se entregou por ela” (Efésios 5:25)

O matrimônio é um desafio, pois a todo momento temos de perdoar e pedir perdão. A cada dia temos que buscar forças em Deus, pois sem Ele nada podemos fazer.

Quando Paulo se despedia dos cristãos em Éfeso, citou uma bela frase: “Há mais felicidade em dar do que há em receber” (Atos 20:35). Quando se descobre isso no matrimônio, se descobre o princípio da felicidade. Por que muitos casamentos não têm ido adiante? Porque o egoísmo tomou conta do casal. É o “cada um por si” que vigora.

Estamos na sociedade do descartável, prato descartável, etc. Pessoas não são descartáveis, porém o que não é descartável precisa ser cuidado para ser durável.

O mundo precisa do testemunho dos casais de que o matrimônio vale a pena! E, para que isso aconteça, é necessário um cuidado amoroso e carinhoso por parte do marido e da esposa. Ambos têm o dever de cuidar um do outro com renovados gestos de carinho e perdão diariamente.

É preciso declarar, todos os dias, o amor em gestos e palavras. A primeira palavra que sempre digo para minha esposa ao iniciar o dia é: “Eu amo você”. Não é fácil dizer isso às vezes, pois muitas vezes acordo de mal comigo mesmo.

Faça isso agora também. Declare seu amor. Aos solteiros e aos que ainda não se casaram quero dizer o seguinte: “Se você estiver pensando em casar para ser feliz, não se case! Fique como está, solteiro mesmo! Mas, se sua intenção é casar para fazer alguém feliz, case-se e você será a pessoa mais feliz do mundo! O segredo da felicidade é fazer o outro feliz!

O Senhor Palha

O Sr. Palha era um homem sozinho, não tinha casa, nem mulher, nem filhos.

Era tão pobre que só tinha roupa que trazia vestida. Mal tinha o que comer e era tão magro como um fiapo de palha. Era por isso as pessoas chamavam-lhe Sr. Palha.

Todos os dia o Sr. Palha ia rezar ao templo. Pedia melhor sorte à Deusa da Fortuna, até que um dia ouviu uma voz sussurrar “a primeira coisa que tocares quando saíres do templo vai trazer-te grande fortuna”.

Assustado, olhou em volta mas viu que o templo estava vazio. Pensou se estaria louco, ouvindo vozes … e concluiu que tinha sonhado. Mas mesmo assim, com alguma esperança, resolveu correr para a rua. Nisto tropeçou e rebolou pelos degraus do templo até à rua. Quando se ia a levantar reparou que tinha um fiapo de palha na mão e ao lembrar-se da voz que ouvira, mesmo pensando que não valia nada resolveu guarda-lo. E lá seguiu caminho segurando o seu fiapo de palha.

Pouco depois apareceu uma libélula zumbindo à volta da sua cabeça. Tentou espantá-la, mas não adiantou. A libélula continuava à volta dele. Então pensou: “está bem, se não queres ir embora então fica comigo”. Apanhou a libélula, amarrou o fiapo de palha ao rabo dela e continuou a descer a rua.

A caminho do mercado, encontrou uma florista com o filhinho. Vinham de muito longe. O menino estava cansado, suado e todo empoeirado, mas quando viu a libélula zumbindo amarrada no fiapo de palha, seu rostinho se animou:

— Mãe, me dá uma libélula? por favor!

Assim o Sr Palha, com pena do menino, deu-lhe a libélula no fiapo

— É muita bondade sua! – disse a florista – Não tenho nada para lhe dar em troca além de uma rosa.

O Senhor Palha agradeceu e continuou seu caminho, levando a rosa.

Andou mais um pouco e viu um jovem sentado num toco de árvore, segurando a cabeça entre as mãos. Parecia tão infeliz que o Sr Palha lhe perguntou o que havia acontecido.

— Vou pedir a mão da minha namorada em casamento hoje à noite, mas sou tão pobre que não tenho nada para lhe oferecer

— Também sou pobre. Não tenho nada de valor, mas se quiseres podes dar-lhe esta rosa.

O rapaz sorriu alegre ao ver esplêndida rosa.

— Fique com estas três laranjas, por favor. É só o que posso dar em troca.

O Sr Palha continuou, levando as três suculentas laranjas.

A seguir encontrou um mascate, ofegante:

— Estou puxando a carrocinha desde manhã. Estou com tanta sede que acho que vou desmaiar.

— Acho que não há nenhum poço por aqui, mas podes ficar com estas três laranjas.

O mascate ficou tão agradecido que ofereceu um rolo da mais fina seda ao Sr Palha.

— O senhor é muito bondoso. Por favor, aceite esta seda em troca.

E mais uma vez o Sr Palha seguiu pela rua, como o rolo de seda debaixo do braço.

Ao fim de dez passos viu passar uma princesa numa carruagem. A princesa tinha um ar preocupado, mas alegrou-se ao ver o Sr Palha

— Onde arranjou essa seda? É justamente o que estava à procura. Hoje é o aniversário do meu pai e quero dar-lhe um quimono real.

— Já que é aniversário dele, tenho prazer de lhe dar esta seda.

— O senhor é muito generoso – disse a princesa sorrindo – Por favor aceite esta jóia em troca.

A carruagem se afastou, deixando o Senhor Palha segurando uma jóia de inestimável valor brilhando à luz do sol.

Levou a jóia ao mercado, vendeu-a e com o dinheiro comprou uma plantação de arroz. Trabalhou muito, arou, semeou e colheu. Todos os anos a plantação produzia mais arroz. Em pouco tempo o Sr Palha ficou rico. Mas sempre ofereceu arroz aos que tinham fome e ajudava a todos que o procuravam. Muitos diziam que sua sorte tinha começado com um fiapo de palha. Mas não terá sido com a generosidade?

O segredo do anel – Osho

Um rei perguntou aos sábios da corte: “Estou fazendo um anel belíssimo para mim mesmo. Consegui um dos melhores diamantes que existe. Quero manter, escondida dentro do anel, uma mensagem que possa me auxiliar num momento de completo desespero. Terá que ser bem pequena para que possa ficar oculta sob o diamante no anel.”

Todos os sábios estavam reunidos, todos grandes eruditos. Poderiam escrever grandes tratados. Mas dar ao rei uma mensagem com apenas duas ou três palavras que pudesse ajudá-lo em momentos de completo desespero… eles pensaram, procuraram em seus livros, mas nada puderam encontrar.

O rei tinha um servo antigo que era quase como seu pai – ele já tinha servido também a seu pai. A mãe do rei havia morrido cedo e esse servo cuidou dele, assim ele não era tratado como um empregado. O rei tinha imenso respeito por ele. O servo disse:

“Não sou um sábio, culto, conhecedor de muitos assuntos, mas sei qual é a mensagem, pois só existe uma mensagem. E estas pessoas não podem dá-la a você. Ela só pode ser dada por um místico, por um homem que tenha realizado a si mesmo. Em minha longa vida no palácio, encontrei todo tipo de pessoas, e uma vez, um místico. Ele também era um hóspede de seu pai e fui colocado para serví-lo. Quando ele estava para partir, como um gesto de agradecimento por todos os meus serviços ele me deu essa mensagem, que agora passo ao senhor meu rei.”

E a escreveu num pedacinho de papel, depois dobrou o papel e disse ao rei:

“Não leia agora, apenas a mantenha escondida no anel. Só leia esta mensagem quando tudo mais tiver falhado, quando não houver mais saída”.

E essa hora não demorou a chegar. O país foi invadido e o rei perdeu seu reino. Ele estava fugindo em seu cavalo para salvar sua vida e os cavalos dos inimigos o estavam seguindo. Ele estava sozinho, e eles eram muitos. Depois ele chegou a um ponto onde a estrada acabava, num lugar sem saída, só havia um despenhadeiro. Cair dali seria o fim. Ele não podia retornar, o inimigo estava ali e ele podia ouvir o som dos cavalos se aproximando. Não podia avançar, não havia saída…

Então, lembrou-se do anel. Ele o abriu, tirou o papel, e havia uma pequena mensagem de enorme valor. Simplesmente dizia:

“Isso também irá passar.”

Um grande silêncio recaiu sobre ele enquanto lia a frase: isso também irá passar. E passou. Tudo passa, nada permanece eternamente nesse mundo. Os inimigos que o seguiam devem ter se perdido na floresta, devem ter tomado o caminho errado. O ruído dos cavalos diminuía aos poucos, até que não era mais possível ouví-los.

O rei ficou imensamente agradecido ao serviçal e ao místico desconhecido. Aquelas palavras provaram ser milagrosas. Ele dobrou o papel, colocou-o de volta no anel, reuniu seus exércitos e reconquistou seu reino. E quando voltou à capital, vitorioso, havia uma grande celebração por toda a cidade, com música e dança, e ele sentia muito orgulho de si mesmo. O velho servo caminhava ao lado de sua carruagem. Ele disse: “Essa também é uma boa hora: leia de novo a mensagem.”

O rei falou: “O que você quer dizer? Sou vitorioso, o povo está celebrando, não estou desesperado, não estou numa situação da qual não há saída.”

O velho serviçal disse, “Escute. Foi isso que o santo disse para mim: esta mensagem não é só para os momentos de desespero, também é para os de grande prazer. Essa não é somente para quando você for derrotado, mas para quando você for vitorioso. Não apenas para quando você for o último, mas também para quando for o primeiro.”

E o rei abriu o anel e leu a mensagem: “isso também irá passar,” e de repente, a mesma paz, o mesmo silêncio no meio da multidão que celebrava alegre, dançando. Mas o orgulho, o ego não estavam mais presentes. Tudo passa.

Ele pediu ao servo que se aproximasse mais da carruagem e se sentasse ao seu lado. Perguntou: “Há mais alguma coisa? Tudo passa… Sua mensagem me ajudou muito.”

O velho servo disse: “Lembre-se, tudo passa. Só você permanece. Você permanece sempre como uma testemunha.”

Tudo passa, mas você permanece. Você é a realidade e tudo mais é somente um sonho. Belos sonhos, pesadelos, não importa, o que importa é aquele que está vendo o sonho. Aquele que vê é a única realidade.

Os Cegos e o Elefante

Era uma vez seis cegos à beira de uma estrada.

Um dia, lá do fundo de sua escuridão, eles ouviram um alvoroço e perguntaram o que era.

Era um elefante passando e a multidão tumultuada atrás dele.

Os cegos não sabiam o que era um elefante e quiseram conhecê-lo.

Então o guia parou o animal e os cegos começaram a examiná-lo :

Apalparam, apalparam…Terminado o exame, os cegos começaram a conversar :

Puxa ! Que animal esquisito ! Parece uma coluna coberta de pêlos !

Você está doido ? Coluna que nada ! Elefante é um enorme abano, isto sim!

Qual abano, colega ! Você parece cego ! Elefante é uma espada que quase me feriu !

Nada de espada e nem de abano, nem de coluna. Elefante é uma corda, eu até puxei.

De jeito nenhum! Elefante é uma enorme serpente que se enrola.

Mas quanta invencionice ! Então eu não vi bem ? Elefante é uma grande montanha que se mexe.

E lá ficaram os seis cegos, à beira da estrada, discutindo partes do elefante.

O tom da discussão foi crescendo, até que começaram a brigar, com tanta eficiência quanto quem não enxerga pode brigar, cada um querendo convencer os outros que sua percepção era a correta.

Bem, um não participou da briga, porque estava imaginando se podia registrar os direitos da descoberta e calculando quanto podia ganhar com aquilo.

A certa altura, um dos cegos levou uma pancada na cabeça, a lente dos seus óculos escuros se quebrou ferindo seu olho esquerdo e, por algum desses mistérios da vida, ele recuperou a visão daquele olho.

E vendo, olhou, e olhando, viu o elefante, compreendendo imediatamente tudo.

Dirigiu-se então aos outros para explicar que estavam errados, ele estava vendo e sabia como era o elefante.

Buscou as melhores palavras que pudessem descrever o que vira, mas eles não acreditaram, e acabaram unidos para debochar e rir dele.

Morais da história :

Em terra de cego, quem tem um olho anda vendo coisas.

Quando algo é percebido como verdade, o que é diferente parece mentira.

Problemas comuns unem.

Se você for falar sobre um bicho para uma pessoa que nunca viu um, melhor fazer com que ela o veja primeiro.

Colaboração: Renato Antunes Oliveira

Os cegos e o elefante

Numa cidade da Índia viviam sete sábios cegos. Como seus conselhos eram sempre excelentes, todas as pessoas que tinham problemas consultavam-nos.

Embora fossem amigos, havia uma certa rivalidade entre eles, que, de vez em quando, discutiam sobre o qual seria o mais sábio.

Certa noite, depois de muito conversarem acerca da verdade da vida e não chegarem a um acordo, o sétimo sábio ficou tão aborrecido que resolveu ir morar sozinho numa caverna da montanha. Disse aos companheiros:

— Somos cegos para que possamos ouvir e compreender melhor do que as outras pessoas a verdade da vida. E, em vez de aconselhar os necessitados, vocês ficam aí brigando, como se quisessem ganhar uma competição. Não agüento mais! Vou-me embora.

No dia seguinte, chegou à cidade um comerciante montado num elefante imenso. Os cegos jamais haviam tocado nesse animal e correram para a rua ao encontro dele.

O primeiro sábio apalpou a barriga do animal e declarou:

— Trata-se de um ser gigantesco e muito forte! Posso tocar os seus músculos e eles não se movem; parecem paredes.

— Que bobagem! – disse o segundo sábio, tocando na presa do elefante – Este animal é pontudo como uma lança, uma arma de guerra.

— Ambos se enganam – retrucou o terceiro sábio, que apertava a tromba do elefante – Este animal é idêntico a uma serpente! Mas não morde, porque não tem dentes na boca. É uma cobra mansa e macia.

— Vocês estão totalmente alucinados! – gritou o quinto sábio, que mexia as orelhas do elefante – Este animal não se parece com nenhum outro. Seus movimentos são ondeantes, como se seu corpo fosse uma enorme cortina ambulante.

— Vejam só! Todos vocês, mas todos mesmos, estão completamente errados! – irritou-se o sexto sábio, tocando a pequena cauda do elefante – Este animal é como uma rocha com uma cordinha presa no corpo. Posso até me pendurar nele.

E assim ficaram horas debatendo, aos gritos, os seis sábios. Até que o sétimo sábio cego, o que agora habitava a montanha, apareceu conduzido por uma criança.

Ouvindo a discussão, pediu ao menino que desenhasse no chão a figura do elefante. Quando tateou os contornos do desenho, percebeu que todos os sábios estavam certos e enganados ao mesmo tempo. Agradeceu ao menino e afirmou:

— Assim os homens se comportam diante da verdade. Pegam apenas uma parte, pensam que é o todo, e continuam tolos!

Os Burros e o Mercado

Uma vez, num pequeno e distante vilarejo, apareceu um homem anunciando que compraria burros por R$10,00 cada. Como havia muitos burros na região, os aldeões iniciaram a caçada. O homem comprou centenas de burros a R$10,00, e como os aldeões diminuíram o esforço na caça, o homem anunciou que pagaria R$20,00 por cada burro.

Os aldeões foram novamente à caça, mas logo os burros foram escasseando e os aldeões desistiram da busca. A oferta aumentou então para R$25,00 e a quantidade de burros ficou tão pequena que já não havia mais interesse em caçá-los. O homem então anunciou que compraria cada burro por R$50,00! Como iria à cidade grande, deixaria seu assistente cuidando da compra dos burros.

Na ausência do homem, seu assistente propôs aos aldeões:

— Sabem os burros que o homem comprou de vocês? Eu posso vendê-los a vocês a R$35,00 cada. Quando o homem voltar da cidade, vocês vendem a ele pelos R$50,00 que ele oferece, e ganham uma boa bolada.

Os aldeões pegaram suas economias e compraram todos os burros do assistente. Os dias se passaram, e eles nunca mais viram nem o homem, nem o seu assistente, somente burros por todos os lados.

Entendeu agora como funciona o mercado de ações?

O Sabor da Dor

O velho Mestre pediu a um jovem triste que colocasse uma mão cheia de sal em um copo d’água e bebesse.

— Qual é o gosto? – perguntou o Mestre.

— Ruim – disse o aprendiz.

O Mestre sorriu e pediu ao jovem que pegasse outra mão cheia de sal e levasse a um lago.

Os dois caminharam em silêncio e o jovem jogou o sal no lago.

Então o velho disse:

— Beba um pouco dessa água.

Enquanto a água corria do queixo do jovem, o Mestre perguntou:

— Qual é o gosto?

— Bom! Disse o rapaz.

— Você sente o gosto do sal? Perguntou o Mestre.

— Não disse o jovem.

O Mestre então, sentou ao lado do jovem, pegou em suas mãos e disse:

— A dor na vida de uma pessoa não muda. Mas o sabor da dor depende de onde a colocamos. Quando você sentir dor, a única coisa que você deve fazer é aumentar o sentido de tudo o que está a sua volta. É dar mais valor ao que você tem do que ao que você perdeu. Em outras palavras: É deixar de Ser copo para tornar-se um Lago.

Somos o que fazemos, mas somos principalmente o que fazemos para mudar o que somos

O Sábio

Certo dia, a Solidão bateu à porta de um grande sábio e ele convidou-a para entrar.

Pouco depois saiu decepcionada, pois descobriu que não podia capturar nada daquele ser bondoso, porque ele nunca estava sozinho; estava sempre acompanhado pelo amor de Deus.

Outro dia, a Ilusão também bateu à porta daquele sábio.

Ele, amorosamente, convidou-a para entrar em sua humilde casa; mas logo depois ela saiu correndo gritando que estava cega, pois o coração dele era tão luminoso de amor que havia ofuscado a própria Ilusão.

Mais adiante , apareceu a Tristeza.

Antes mesmo que ela batesse à porta, o sábio saiu na janela e dirigiu-lhe um sorriso enternecido.

A Tristeza recuou e disse que era engano e foi bater em alguma outra porta que não fosse tão luminosa.

E assim a fama do sábio foi crescendo; a cada dia, novos visitantes chegavam tentando conquistá-lo.

Num dia era o Desespero, no outro a Impaciência; depois vieram a

Mentira, o Ódio, a Culpa e o Engano.

Pura perda de tempo; o sábio convidava todos a entrarem e eles saiam decepcionados com o equilíbrio daquela alma bondosa.

Porém, um dia, a Morte bateu à sua porta e ele também convidou-a para entrar …

Seus discípulos esperavam que ela saísse correndo a qualquer momento, ofuscada pelo amor do mestre.

Entretanto, tal não aconteceu.

O tempo foi passando e nem ela nem o sábio apareciam.

Cheios de receio, entraram e encontraram o cadáver do mestre estirado no chão.

Ficaram muito tristes e começaram a chorar ao ver que o querido mestre havia partido com a Morte.

Na mesma hora, começaram a entrar na casa, todos os outros servos da

Ignorância que nunca tinham conseguido permanecer naquele recinto; a

Tristeza havia aberto a porta e os mantia lá dentro.

Entram na nossa morada aqueles que convidamos, mas só permanecem conosco, aqueles que encontram ambiente propício para se estabelecerem.

Colaboração: Renato Antunes Oliveira

Os 3 últimos desejos de ALEXANDRE O GRANDE

  1. Que seu caixão fosse transportado pelas mãos dos médicos da época;
  2. Que fosse espalhado no caminho até seu túmulo os seus tesouros conquistado como prata , ouro, e pedras preciosas ;
  3. Que suas duas mãos fossem deixadas balançando no ar, fora do caixão, à vista de todos.

Um dos seus generais, admirado com esses desejos insólitos, perguntou a ALEXANDRE quais as razões desses pedidos e ele explicou:

  1. Quero que os mais iminentes médicos carreguem meu caixão para mostrar que eles NÃO têm poder de cura perante a morte;
  2. Quero que o chão seja coberto pelos meus tesouros para que as pessoas possam ver que os bens materiais aqui conquistados, aqui permanecem;
  3. Quero que minhas mãos balancem ao vento para que as pessoas possam ver que de mãos vazias viemos e de mãos vazias partimos.

O Rouxinol e a Rosa

Era uma vez, um rouxinol que vivia em um jardim.

No jardim havia uma casa, cuja janela se abria todas as manhãs.

Na janela, um jovem, comia pão, olhando as belezas do jardim.

Sempre deixava cair farelos de pão, sobre a janela.

O rouxinol, comia os farelos, acreditando que o jovem os deixava de propósito para ele.

Assim criou um grande afeto, pelo jovem que se importava em alimentá-lo, mesmo com migalhas.

O jovem um dia se apaixonou.

Ao se declarar a sua amada, ela disse que só aceitaria seu amor, se como prova, ele desse a ela, na manhã seguinte, uma rosa vermelha.

O jovem, percorreu todas as floriculturas da cidade, sua busca foi em vão, não encontrou nenhuma rosa para ofertar a sua amada.

Triste, desolado, o jovem foi falar com o jardineiro da casa onde vivia. O jardineiro explicou a ele, que poderia presenteá-la com petúnias, violetas, cravos, menos rosas.

Elas estavam fora de época, era impossível consegui-las, naquela estação.

O rouxinol, que escutara a conversa, ficou penalizado pela desolação do jovem, teria que fazer algo para ajudar seu amigo, a conseguir a flor.

Assim, a ave procurou o deus dos pássaros que assim falou:

— Na verdade, você pode conseguir uma rosa vermelha para teu amigo, mas o sacrifício é grande, e pode custar-lhe a vida!

— Não importa respondeu a ave. O que devo fazer?

— Bem, você terá que se emaranhar em uma roseira, e ali cantar a noite toda, sem parar, o esforço é muito grande, seu peito pode não agüentar.

— Assim farei, respondeu a ave, é para a felicidade de um amigo!

Quando escureceu, o rouxinol, se emaranhou em meio a uma roseira, que ficava frente a janela do jovem.

Ali, se pôs a cantar, seu canto mais alegre, precisava caprichar na formação da flor.

Um grande espinho, começou a entrar no peito do rouxinol, quanto mais ele cantava, mais o espinho entrava em seu peito.

O rouxinol não parou, continuou seu canto, pela felicidade de um amigo, um canto que simbolizava gratidão, amizade. Um canto de doação, mesmo que fosse da própria vida!

Do peito da pobre ave, começou a escorrer sangue, que foi se acumulando sobre o galho da roseira, mas ela não se deteve nem se entristeceu.

Pela manhã, ao abrir a janela, o jovem se deteve diante da mais linda rosa vermelha, formada pelo sangue da ave, nem questionou o milagre, apenas colheu a rosa.

Ao olhar o corpo inerte da pobre ave, o jovem disse:

— Que ave estúpida! Tendo tantas árvores para cantar, foi se enfiar justamente em meio a roseira que tem espinhos, pelo menos agora dormirei melhor, sem ter que escutar seu canto chato.

Moral da história:

Cada um dá o que tem no coração, cada um recebe com o coração que tem…

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