Um famoso senhor com poder de decisão, gritou com um diretor da sua empresa, porque estava com ódio naquele momento.
O diretor, chegando em casa, gritou com sua esposa, acusando-a de que estava gastando demais, porque havia um bom e farto almoço à mesa.
Sua esposa gritou com a empregada que quebrou um prato.
A empregada chutou o cachorrinho no qual tropeçara.
O cachorrinho saiu correndo, e mordeu uma senhora que ia passando pela rua, porque estava atrapalhando sua saída pelo portão.
Essa senhora foi à farmácia para tomar vacina e fazer um curativo, e gritou com o farmacêutico, porque a vacina doeu ao ser-lhe aplicada.
O farmacêutico, chegando à casa, gritou com sua mãe, porque o jantar não estava do seu agrado.
Sua mãe, tolerante, um manancial de amor e perdão, afagou-lhe seus cabelos e beijou-o na testa, dizendo-lhe :
“Filho querido, prometo-lhe que amanhã farei os seus doces favoritos. Você trabalha muito, está cansado e precisa de uma boa noite de sono. Vou trocar os lençóis da sua cama por outros bem limpinhos e cheirosos para que você descanse em paz. Amanhã você vai sentir-se melhor.”
E abençoou-o, retirando-se e deixando-o sozinho com os seus pensamentos.
Naquele momento, rompeu-se o círculo do ódio, porque esbarrou-se com a tolerância a doçura, o perdão e o amor.
Conta Bruno Ferrero que, certo dia, um camponês bateu com força na porta de um convento. Quando o irmão porteiro abriu, ele lhe estendeu um magnífico cacho de uvas.
— Caro irmão porteiro, estas são as mais belas produzidas pelo meu vinhedo. E venho aqui para dá-las de presente.
— Obrigado! Vou leva-las imediatamente ao Abade, que ficará alegre com esta oferta.
— Não! Eu as trouxe para você.
— Para mim? – o irmão ficou vermelho, porque achava que não merecia tão belo presente da natureza.
— Sim! – insistiu o camponês. – Porque sempre que bati na porta, você abriu. Quando precisei de ajuda porque a colheita foi destruída pela seca, você me dava um pedaço de pão e um copo de vinho todos os dias. Eu quero que este cacho de uvas traga-lhe um pouco do amor do sol, da beleza da chuva, e do milagre de Deus, que o fez nascer tão belo.
O irmão porteiro colocou o cacho diante de si, e passou a manhã inteira a admira-lo: era realmente lindo. Por causa disso, resolveu entregar o presente ao Abade, que sempre o havia estimulado com palavras de sabedoria.
O Abade ficou muito contente com as uvas, mas lembro-se que havia no convento um irmão que estava doente, e pensou:
“Vou dar-lhe o cacho. Quem sabe, pode trazer alguma alegria à sua vida.”
E assim fez. Mas as uvas não ficaram muito tempo no quarto do irmão doente, porque este refletiu:
“O irmão cozinheiro tem cuidado de mim por tanto tempo, alimentando-me com o que há de melhor. Tenho certeza que se alegrará com isso.”
Quando o irmão cozinheiro apareceu na hora do almoço, trazendo sua refeição, ele entregou-lhe as uvas.
— São para você – disse o irmão doente. – Como sempre está em contacto com os produtos que a natureza nos oferece, saberá o que fazer com esta obra de Deus.
O irmão cozinheiro ficou deslumbrado com a beleza do cacho, e fez com que o seu ajudante reparasse a perfeição das uvas. Tão perfeitas, pensou ele, que ninguém para aprecia-las melhor que o irmão sacristão; como era ele o responsável pela guarda do Santíssimo Sacramento, e muitos no mosteiro o viam como um homem santo, seria capaz de valorizar melhor aquela maravilha da natureza.
O sacristão, por sua vez, deu as uvas de presente ao noviço mais jovem, de modo que este pudesse entender que a obra de Deus está nos menores detalhes da Criação.
Quando o noviço o recebeu, o seu coração encheu-se da Glória do Senhor, porque nunca tinha visto um cacho tão lindo. Na mesma hora lembrou-se da primeira vez que chegara ao mosteiro, e da pessoa que lhe tinha aberto a porta; fora este gesto que lhe permitira estar hoje naquela comunidade de pessoas que sabiam valorizar os milagres.
Assim, pouco antes do cair da noite, ele levou o cacho de uvas para o irmão porteiro.
— Coma e aproveite – disse. – Porque você passa a maior parte do tempo aqui sozinho, e estas uvas lhe farão muito feliz.
O irmão porteiro entendeu que aquele presente tinha lhe sido realmente destinado, saboreou cada uma das uvas daquele cacho, e dormiu feliz.
Desta maneira, o círculo foi fechado; o círculo de felicidade e alegria, que sempre se estende em torno das pessoas generosas.
— Mestre, por que devemos ler e decorar a Palavra de Deus se nós não conseguimos memorizar tudo e com o tempo acabamos esquecendo? Somos obrigados a constantemente decorar de novo o que já esquecemos.
O mestre não respondeu imediatamente ao seu discípulo. Ele ficou olhando para o horizonte por alguns minutos e depois ordenou ao discípulo:
— Pegue aquele cesto de junco, desça até o riacho, encha o cesto de água e traga até aqui.
O discípulo olhou para o cesto sujo e achou muito estranha a ordem do mestre, mas, mesmo assim, obedeceu. Pegou o cesto, desceu os cem degraus da escadaria do mosteiro até o riacho, encheu o cesto de água e começou a subir. Como o cesto era todo cheio de furos, a água foi escorrendo e quando chegou até o mestre já não restava nada.
O mestre perguntou-lhe:
— Então, meu filho, o que você aprendeu?
O discípulo olhou para o cesto vazio e disse, jocosamente:
— Aprendi que cesto de junco não segura água.
O mestre ordenou-lhe que repetisse o processo.
Quando o discípulo voltou com o cesto vazio novamente, o mestre perguntou-lhe:
— Então, meu filho, e agora, o que você aprendeu?
O discípulo novamente respondeu com sarcasmo:
— Que cesto furado não segura água.
O mestre, então, continuou ordenando que o discípulo repetisse a tarefa.
Depois da décima vez, o discípulo estava desesperadamente exausto de tanto descer e subir as escadarias.
Porém, quando o mestre lhe perguntou de novo:
— Então, meu filho, o que você aprendeu?
O discípulo, olhando para dentro do cesto, percebeu admirado:
— O cesto está limpo! Apesar de não segurar a água, a repetição constante de encher o cesto acabou por lavá-lo e deixá-lo limpo.
O mestre, por fim, concluiu:
— Não importa que você não consiga decorar todas as passagens da Bíblia que você lê, o que importa, na verdade, é que, no processo, a sua mente e a sua vida ficam limpas diante de Deus.
Era uma vez um cego de nascença. Nunca tinha visto o sol, e perguntava como era este às pessoas que enxergavam.
Alguém lhe disse: O sol é como uma bandeja de latão.
O cego bateu na bandeja de latão e ouviu o som. Depois, quando ouviu um sino, pensou que fosse o sol.
Outra vez, disse-lhe alguém: o sol é como uma vela. O cego apalpou uma vela, e pensou que assim era o formato do sol.
A verdade é mais difícil de descrever que o sol; e quando os homens não a conhecem, são exatamente como o cego.
Ainda que façais o possível para esclarecê-la por meio de comparações e exemplos, ela ficará tão confusa como a comparação da bandeja de latão e da vela.
Um fazendeiro colecionava cavalos e só faltava uma determinada raça.
Um dia ele descobriu que o seu vizinho tinha este determinado cavalo.
Assim, ele atazanou seu vizinho até conseguir comprá-lo.
Um mês depois o cavalo adoeceu, e ele chamou o veterinário:
— Bem, seu cavalo está com uma virose, é preciso tomar este medicamento durante 3 dias, no terceiro dia eu retornarei e caso ele não esteja melhor, será necessário sacrificá-lo.
Neste momento, o porco escutava toda a conversa.
No dia seguinte deram o medicamento e foram embora.
Então, de repente o dono chegou, viu o cavalo correndo no campo e gritou :
— Milagre ! O cavalo melhorou. Isso merece uma festa… “Vamos matar o porco!”
Isso acontece com freqüência no ambiente de trabalho. Nem sempre alguém percebe, quem é o funcionário que tem o mérito pelo sucesso.
Saber viver sem ser reconhecido é uma arte, afinal quantas vezes fazemos o papel do porco amigo ou quantos já nos levantaram e nem o sabor da gratidão puderam dispor?
Se algum dia alguém lhe disser que seu trabalho não é o de um profissional, lembre-se :
AMADORES CONSTRUÍRAM A ARCA DE NOÉ E PROFISSIONAIS, O TITANIC.
Procure ser uma pessoa de valor, em vez de ser uma pessoa de sucesso!
O Livro das virtudes para crianças por: William J. Bennett
Sempre podemos encontrar motivos para nos sentirmos descontentes, se quisermos. Podemos, também, encontrar argumentos para nos considerarmos afortunados por estarmos vivos. Tudo depende da maneira como cada um vê a existência.
Era uma vez um cavalo que, em pleno inverno, desejava o regresso da primavera. De fato, ainda que agora descansasse tranqüilamente no estábulo, via-se obrigado a comer palha seca.
— Ah, como sinto saudades de comer a erva fresca que nasce na primavera! dizia o pobre animal.
A primavera chegou e o cavalo teve sua erva fresca, mas começou a trabalhar bastante porque era época da colheita.
— Quando chegará o verão? Já estou farto de passar o dia inteiro puxando o arado! lamentava-se o cavalo.
Chegou o verão, mas o trabalho aumentou e o calor tornou-se muito forte.
— Oh, o outono! Estou ansioso pela chegada do outono! dizia mais uma vez o cavalo, convencido de que naquela estação terminariam seus males.
Mas no outono teve que carregar lenha para que seu dono estivesse preparado para enfrentar o inverno. E o cavalo não parava de queixar-se e de sofrer.
Quando o inverno chegou novamente, e o cavalo pode finalmente descansar, compreendeu que tinha sido fantasioso tentar fugir do momento presente e refugiar-se na quimera do futuro.
Esta não é a melhor forma de encarar a realidade da vida e do trabalho.
É melhor descobrir o que a vida tem de bom momento a momento, vivendo o presente da melhor forma possível.
Certa tarde o paizao saiu para um passeio com as duas filhas, uma de oito e a outra de quatro anos.
Em determinado momento da caminhada, Helena, a filha mais nova, pediu ao pai que a carregasse, pois estava muito cansada para continuar andando.
O pai respondeu que estava também muito fatigado, e diante da resposta, a garotinha começou a choramingar e fazer “corpo mole”.
Sem dizer uma só palavra, o pai cortou um pequeno galho de árvore e o entregou à Helena dizendo :
— Olhe aqui um cavalinho para você montar, filha !
Ele irá ajudá-la a seguir em frente.
A menina parou de chorar e pôs-se a cavalgar o galho verde tão rápido, que chegou em casa antes dos outros.
Ficou tão encantada com seu cavalo de pau, que foi difícil fazê-la parar de galopar.
A irmã mais velha ficou intrigada com o que viu e perguntou ao pai como entender a atitude de Helena.
O pai sorriu e respondeu dizendo :
— Assim é a vida, minha filha.
As vezes a gente está física e mentalmente cansado, certo de que é impossível continuar.
Mas encontramos então um “cavalinho” qualquer que nos dá ânimo outra vez.
Esse cavalinho pode ser um bom livro, um amigo, uma canção… assim, quando você se sentir cansada ou desanimada, lembre-se de que sempre haverá um cavalinho para cada momento, e nunca se deixe levar pela preguiça ou o desânimo.
E Sorria !!!… A mais completa perda de tempo de todos os dias é aquela na qual você não sorriu nem uma vez !
A pergunta de Flávia, em tom incisivo, pegou Paulo de surpresa.
— De que calcinha você está falando, mulher?
— Dessa aqui, essa vermelha, obscena, sexy e, ainda por cima, tamanho P!
Flávia há muito deixara de ser tamanho P. Fazia de tudo para não passar para o G, apertando-se num M esgarçado e sempre de algodão e lycra, bem mais elásticas.
Paulo mostra-se tão surpreso quanto Flávia, exibindo uma tranqüilidade irritante:
— Olha, Flávia, você pode não acreditar, mas não faço a menor idéia de quem seja a dona dessa calcinha, muito menos o que ela faz no porta-luvas do meu carro. Você usou o carro ontem, deve ter colocado aí e nem se lembra.
— Você está de gozação comigo, né, seu filho de uma égua? Sabe muito bem que eu não uso tamanho P. Além disso, a calcinha sequer foi usada, está com etiqueta dessa loja caríssima, de lingerie, da qual eu nem passo perto.
Paulo não se deixava abater, e isso causava mais ansiedade em Flávia:
— Meu bem, é óbvio que eu não deixaria aí uma calcinha que não fosse sua. Não seria tão imbecil, a ponto de levantar suspeita, e de forma tão tola. Se eu quisesse presentear alguém com lingerie, mandaria entregar no endereço. Simples assim.
— Ah! Isso demonstra que você já fez isso antes, e não foi comigo!
Flávia estava quase aos prantos, mas sua indignação não a permitia derramar uma gota.
— Minha preciosa, nunca daria presente a mulher alguma, que não fosse você, muito menos lingerie. Sou tão desastrado, que certamente erraria o tamanho. Vê, nem sei o seu, que é minha mulher há tantos anos. Por falar nisso, tem certeza de que não é sua?
Flávia, quase que histérica, agarra a calcinha, a estica de todas as maneiras, coloca na frente de seu corpo vestido, mostrando a enorme diferença entre seu manequim e o da tal calcinha vermelha.
— Veja se pode ser minha, VEJA!
Estava desolada, pensando nos momentos tórridos usufruídos por seu marido, junto à tal “magricela que podia ser sua filha”. Seu coração estava aos cacos. Imaginava seu marido fazendo carícias íntimas na menina. Esta, gemendo, tremendo ao contato do corpo másculo de Paulo que, apesar de já ter mais de 45 anos, aparentava ter bem menos, graças à alimentação balanceada e a algumas horas de academia toda semana. Enquanto que ela, mais nova que ele, não vinha mantendo a mesma estética de 5 anos antes, em virtude de uns problemas de descontrole tireoideano, não obstante a medicação e os cuidados recomendados. Também não era muito afeita a academias, ainda mais depois que virou moda entre as meninas perfeitas.
Ela já estava vendo o fim do casamento, percebendo-se descartável, desinteressante e traída, quando Marcos, seu filho mais velho, entra no aposento e arranca a calcinha de sua mão e dá-lhe uma bronca “daquelas”:
— Por que você tirou a calcinha da Bebel do porta-luvas? Era surpresa! Agora está toda esticada, com cheiro de comida, feia. Paguei uma nota por ela e não vou ter coragem de presentear a minha gata.
Marcos não sabia, mas havia tirado um peso tão grande dos ombros de sua mãe, que esta, sem titubear, “pagou” o mesmo valor pela tal calcinha, com um enorme sorriso nos lábios, que o filho, atordoado, não entendeu a razão.
Para completar, Paulo abre a carteira e pede ao filho para trazer, também, uma semelhante, só que no tamanho G, da mesma cor e modelo, olhando para Flávia com ar de cumplicidade.
Até hoje Marcos não entende o motivo de sua mãe ter emagrecido tanto, ter mudado o guarda-roupa, ter ficado mais jovial, e da calcinha que seria de Bebel, tamanho P, estar pendurada na moldura do espelho do quarto de seus pais até hoje.
Um dia, um bezerro precisou atravessar a floresta virgem para voltar a seu pasto.
Sendo animal irracional, abriu uma trilha tortuosa, cheia de curvas, subindo e descendo colinas…
No dia seguinte, um cão que passava por ali, usou essa mesma trilha torta para atravessar a floresta.
Depois foi a vez de um carneiro, líder de um rebanho, que fez seus companheiros seguirem pela trilha torta.
Mais tarde, os homens começaram a usar esse caminho : entravam e saíam, viravam à direita, à esquerda, abaixando-se, desviando-se de obstáculos, reclamando e praquejando, até com um pouco de razão…
Mas não faziam nada para mudar a trilha.
Depois de tanto uso, a trilha acabou virando uma estradinha onde os pobres animais se cansavam sob cargas pesadas, sendo obrigados a percorrer em três horas uma distância que poderia ser vencida em, no máximo, uma hora, caso a trilha não tivesse sido aberta por um bezerro.
Muitos anos se passaram e a estradinha tornou-se a rua principal de um vilarejo, e posteriormente a avenida principal de uma cidade.
Logo, a avenida transformou-se no centro de uma grande metrópole, e por ela passaram a transitar diariamente milhares de pessoas, seguindo a mesma trilha torta feita pelo bezerro… centenas de anos antes…
Os homens tem a tendência de seguir como cegos por trilhas feitas por pessoas inexperientes, e se esforçam de sol a sol a repetir o que os outros já fizeram.
Contudo, a velha e sábia floresta ria daquelas pessoas que percorriam aquela trilha, como se fosse um caminho único… Sem se atrever a mudá-lo.
Muitas vezes nos chamam de ousados, chatos, cri-cri, metidos, etc. pois temos ousado por caminhos novos, pois quando nos falam que devemos seguir aquele caminho pois todos estão indo por ali e não sentimos paz no coração, buscamos a resposta do alto, os conselhos de
Deus e através Dele, por Ele e com Ele à nossa frente seguimos novos desafios.
No tempo em que não havia automóveis, na cocheira de um famoso palácio real, um burro de carga curtia imensa amargura, em vista das pilhérias dos companheiros de apartamento.
Reparando-lhe o pêlo maltratado, as fundas cicatrizes do lombo e a cabeça tristonha e humilde, aproximou-se formoso cavalo árabe que se fizera detentor de muitos prêmios, e disse, orgulhoso:
— Triste sina a que recebeste! Não invejas minha posição em corridas?
Sou acariciado por mãos de princesas e elogiado pela palavra dos reis!
— Pudera! – exclamou um potro de fina origem inglesa: como conseguirá um burro entender o brilho das apostas e o gosto da caça?
O infortunado animal recebia os sarcasmos, resignadamente.
Outro soberbo cavalo, de procedência húngara, entrou no assunto e comentou:
— Há dez anos, quando me ausentei de pastagem vizinha, vi este miserável sofrendo rudemente nas mãos do bruto amansador. É tão covarde que não chegava a reagir, nem mesmo com um coice. Não nasceu senão para carga e pancadas. É vergonhoso suportar-lhe a companhia.
Nisto, admirável jumento espanhol acercou-se do grupo, e acentuou sem piedade:
— Lastimo reconhecer neste burro um parente próximo. É animal desonrado, fraco, inútil, não sabe viver senão sob pesadas disciplinas. Ignora o aprumo da dignidade pessoal e desconhece o amor-próprio. Aceito os deveres que me competem até o justo limite; mas se me constrangem a ultrapassar as obrigações, recuso-me à obediência, pinoteio e sou capaz de matar.
As observações insultuosas não haviam terminado, quando o rei penetrou o recinto, em companhia do chefe das cavalariças.
— Preciso de um animal para serviço de grande responsabilidade, informou o monarca, um animal dócil e educado, que mereça absoluta confiança.
O empregado perguntou:
— Não prefere o árabe, Majestade?
— Não, não – falou o soberano, é muito altivo e só serve para corridas em festejos oficiais sem maior importância.
— Não quer o potro inglês?
— De modo algum. É muito irrequieto e não vai além das extravagâncias da caça.
— Não deseja o húngaro?
— Não, não. É bravio, sem qualquer educação. É apenas um pastor de rebanho.
— O jumento espanhol serviria? – insistiu o servidor atencioso.
— De maneira nenhuma. É manhoso e não merece confiança.
Decorridos alguns instantes de silêncio, o soberano indagou:
— Onde está meu burro de carga?
O chefe das cocheiras indicou-o, entre os demais.
O próprio rei puxou-o carinhosamente para fora, mandou ajaezá-lo com as armas resplandecentes de sua Casa e confiou-lhe o filho ainda criança, para longa viajem.
E ficou tranqüilo, sabendo que poderia colocar toda a sua confiança naquele animal…
Assim também acontece na vida.
Em todas as ocasiões, temos sempre grande número de amigos, de conhecidos e companheiros, mas somente nos prestam serviços de utilidade real aqueles que já aprenderam a servir, sem pensar em si mesmos.