Autor: Rubens (Page 59 of 112)

Gatinha aos “enta”..

Visita de rotina aos médicos. Todo ano a mesma peregrinação. Mastologista, ginecologista, oftalmologista, dentista… Mas um dia, resolvi incluir um “ISTA” novo na minha odisséia: Um DERMATOLOGISTA…

Já era hora de procurar uns creminhos mágicos para tentar retardar ao máximo as marcas da inevitável entrada nos ENTA. Na verdade, sentia-me espetacular. Tudo certo. Ninguém podia cantar para mim a ridí­cula frase da Calcanhoto ‘nada ficou no lugar….’

Não sei o que deu no espelho lá de casa, que resolveu, do dia para a noite, tomar ares de conto de fadas. Aliás, de bruxas. E mostrar coisinhas que nunca haviam aparecido (ou eu não havia notado?). Pontinhos azuis nos tornozelos, pintinhas negras no colo, nos braços, bolinhas vermelhas na bunda… olheiras mais profundas… Como assim??? Assim… Sem avisar nem nada?

De repente, o idiota resolveu mostrar e pronto. Ah, não! Isso não vai ficar assim. Um “ista” novo na lista do convênio. O melhor!

Queria o melhor especialista de todos os “istas”! Achei. Marquei. E fui tão nervosa quanto para um encontro ‘bem intencionado’ daqueles em que a gente escolhe a roupa íntima com cuidado, que é para não fazer feio…. nem parecer que foi uma escolha proposital… sabe como é, né?

Pois sim, o sujeito era um dermatologista famoso. Via e cutucava a pele de toda a nata feminina e masculina da cidade. Assim, me armei de humildade. Disposta a mostrar cada defeitinho novo que estava observando, através do maquiavélico e ex-amigo espelho de meu quarto. Depois de fazer uma ficha com meus dados, o doutor me olhou finalmente nos olhos, e perguntou:

— O que a trouxe aqui?

Fiquei vermelha como um tomate. E muda. Ele sorriu e esperou. Quase de olhos fechados, desfiei minhas queixas.

Ele observou ‘in loco’ cada uma delas, com uma luz de 200 watts e uma lupa. E começou o seu diagnóstico: — As pintinhas são sinais do sol, por todo o sol que já tomou na vida. Com a IDADE (tóin!) elas vão aparecendo, cada vez mais numerosas. Vai precisar de um protetor solar para sair de casa pela manhã, mesmo sem ir à praia. Para dirigir inclusive. Braços e pernas e rosto e pescoço.

— E praia?

— Evite. Só de 6 às 10 da manhã, sob proteção máxima, guarda sol, óculos e chapéu. Bronzear-se, nunca mais.

— Ahmmm… (a turma só chega às 11:00 !!!!)

— Os pontinhos azuis são pequenos vasos que não suportam a pressão do corpo sobre saltos altos.Evite. Use sapatos com solado anabela ou baixos, de preferência. Compre uma meia elástica, Kendall, para quando tiver que usar saltos altos.

— Ahmmmaaaa… (Kendall??? E as minhas preciosas sandalinhas???)

— As bolinhas na bunda são normais, por causa do calor. Para evitá-las use mais saias que calças. Evite o jeans e as calcinhas de lycra. As de algodão puro são as melhores… E folgadas…

— Ahmnunght?? ?? (e pude ‘ver’ as de minha mãe, enormes na cintura, de florzinhas cor de rosa….. vou chorar!).

— As olheiras são de família. Não há muito que fazer. Use esse creminho à noite, antes de dormir e procure não dormir tarde. Alimentação leve, com muita fruta e verdura, pouca carne e muito peixe. Nada de tabaco, nem álcool… Nem café.

E então a histérica aqui­ começou a rir. Agradeci, peguei suas receitinhas e saí­ rindo, rindo. Me dobrando de tanto rir!

No carro comecei a falar sozinha, tudo o que deveria ter dito e não disse:

— Trabalho muito, doutor,… muitas noites vou dormir às 2h, escrevendo e lendo. Bebo e fumo. Tomo café. Saio pelas noites de boemia com os amigos e seus violões para as serenatas de lua cheia… E que noites!!!!

— Adoro os saltos, principalmente nas sandálias fininhas. Impossível a meia elástica (argh!!). Calcinhas de algodão? E folgadas??? Adoro as justinhas e rendadas… E não abandono meu jeans nem sob ameaça de morte!!! É meu melhor amigo!!!!

— Dormir lambuzada? Neste calor? E minhas duchas frias com sabonete Johnson para ficar fresquinha como um bebê, cada noite? E nada de praia??? O senhor está louco é??? Endoideceu foi??? Moro no Recife, com esse mar e tudo…E tenho só 40 anos… Meia vida inteira pela frente!!!

— Doutor Filistreco, na minha idade não vou viver como se tivesse feito trinta anos em um!!! Até um dia desses tinha 39… E agora em vez de 40 estou fazendo 70???

— Inclua aí na sua lista de remédios para as de 40 a 60: MEIA LUZ ! Acho que é só disso que eu preciso. Um bom abajur com uma luz de 15 watts… E um namorado que use óculos. É isso… só isso!!! Entendeu????’

Parei no sinal e olhei de lado e um cara de uns 25 anos piscou o olhou para mim. Ah… e ele nem usava óculos!

Nunca fiz o que me recomendou o filistreco. Minhas olheiras são parte de meu charme.. E valem o que faço pelas noites a dentro… Ah!!! se valem! As bolinhas da bunda desapareceram com uma solução caseira de vitamina A, que quase todas as mulheres usavam e eu não sabia, até que contei minha historinha do “bruxo mau”. Os sinaizinhos estão aqui… sem grandes alardes… e até que já os acho bonitinhos. O espelho é muito menor… o outro, eu dei para a minha filha.

E meu namorado diz que estou cada dia mais linda! Principalmente quando estou de saltos e rendas, disposta a encarar uma noite de vinhos e música. É claro que ele usa óculos. Mas quando quero ficar fatal, tiro os seus óculos e acendo o abajur…

“No mundo sempre existirão pessoas que vão te amar pelo que você é, e outras, que vão te odiar pelo mesmo motivo. Acostume-se…”

O melhor ‘ISTA’ é ser OtimISTA

Franz Kafka e a Boneca Viajante

Um ano antes de sua morte, Franz Kafka viveu uma experiência singular.

Passeando pelo parque de Steglitz, em Berlim, encontrou uma menina chorando porque havia perdido sua boneca.

Kafka ofereceu ajuda para encontrar a boneca e combinou um encontro com a menina no dia seguinte no mesmo lugar.

Nao tendo encontrado a boneca, ele escreveu uma carta como se fosse a boneca e leu para a garotinha quando se encontraram. A carta dizia: “Por favor, não chore por mim, parti numa viagem para ver o mundo”.

Durante três semanas, Kafka entregou pontualmente à menina outras cartas , que narravam as peripécias da boneca em todos os cantos do mundo : Londres, Paris, Madagascar …

Tudo para que a menina esquecesse a grande tristeza!

Esta história foi contada para alguns jornais e inspirou um livro de Jordi Sierra i Fabra (Kafka e a Boneca Viajante) onde o escritor imagina como como teriam sido as conversas e o conteúdo das cartas de Kafka.

No fim, Kafka presenteou a menina com uma outra boneca.

Ela era obviamente diferente da boneca original.

Uma carta anexa explicava: “minhas viagens me transformaram”.

Anos depois, a garota encontrou uma carta enfiada numa abertura escondida da querida boneca substituta.

O bilhete dizia:

“Tudo que você ama, você eventualmente perderá, mas, no fim, o amor retornará em uma forma diferente”.

Forças Interiores

Que o teu caminhar seja firme e seguro, rumo ao futuro e ao que ele representa. Que não te percas olhando para trás e tropeçando sobre os teus próprios passos. Que ao vacilar durante o teu andar, possas te apoiar em teus próprios erros, transformá-los em conhecimento e que eles te incentivem e te motivem a seguir andando. Conhecer-te é o melhor caminho, tirar o melhor de suas possibilidades, alicerçar-se em teus conhecimentos, olhar-te e aceitar-te da maneira que és, saber que a ajuda chega a medida que nos esforçamos para tê-la.

Temos a nossa disposição, todos os meios que nos possibilitam um andar firme e seguro rumo a nós mesmos, rumo ao conhecimento, rumo a paz interior, basta que para isso, consigamos conhecer todas as nossas limitações e termos a coragem necessária para enfrentarmos todos os obstáculos e fazermos destes obstáculos, trampolins para uma visão maior que nos possibilitem olhar para dentro de nosso próprio interior, procurarmos nossos próprios caminhos e seguir por eles passo a passo, sem querermos ir além de nossa possibilidade, nossa potencialidade e com certeza elas se ampliarão.

Temos dentro de nós mesmos, todas as respostas e todos os meios para sobreviver, todos os meios para nos curarmos, todos os meios para sermos felizes, basta que direcionemos todos os nossos pensamentos, sadiamente, para objetivos nobres.

Ao trilharmos nosso caminho em direção ao auto-conhecimento, conheceremos toda nossa força ao nos despirmos da necessidade de sempre pedir e de nos apoiarmos na comodidade, conheceremos nossa capacidade de produzir.

A preguiça mental leva à falta de atos, leva a ociosidade que, por sua vez, leva os seres a postura cômoda de sempre esperar que os outros façam por ela o que ela própria tem capacidade de fazer.

Continue andando e que teus passos sejam firmes, seguros e que a força que te habita possa brotar do teu íntimo e que teus passos então se tornem livres.

Flores para o Dia das Mães

Quando meu marido anunciou calmamente que, após onze anos de casamento, havia dado entrada em nosso divórcio e estava saindo de casa, meu primeiro pensamento foi para os meus filhos. O menino tinha apenas cinco anos e a menina, quatro. Será que eu conseguiria nos manter unidos e passar para eles um sentido de “família”? Será que eu, criando-os sozinha, conseguiria manter o nosso lar e ensinar-lhes a ética e os valores dos quais certamente precisariam para a vida? A única coisa que eu sabia era que precisava tentar.

Freqüentávamos a igreja todos os domingos. Durante a semana, eu arranjava tempo para rever os deveres de casa com eles e, freqüentemente, discutíamos a importância de fazermos as coisas certas. Isso me tomava tempo e energia quando eu tinha pouco de ambos para dar. Mas o pior era não saber se realmente estavam absorvendo tudo aquilo tudo.

Ao entrarmos na igreja no Dia das Mães, dois anos após o divórcio, notei carrocinhas cheias de vasos com os as mais lindas flores ladeando o altar. Durante o sermão, o pastor disse que, a seu ver, ser mãe era uma das tarefas mais difíceis da vida e que merecia não só reconhecimento como, também, recompensa. Assim, pediu que cada criança fosse até a frente da igreja para escolher uma linda flor e entrega-la à mãe como símbolo do quanto era amada e estimada.

De mãos dadas, meu filho e minha filha percorreram o corredor com as outras crianças. Juntos, refletiram sobre qual planta trazer para mim. Nó havíamos passado momentos muito difíceis e esse pequeno gesto de valorização era tudo que eu precisava.. Olhei aquelas lindas begônias, as margaridas douradas e os amores-perfeitos violetas e pus-me a planejar onde plantar o que quer que escolhessem para mim, pois certamente trariam uma linda flor como demonstração do seu amor.

Meus filhos levaram a tarefa muito a sério e olharam cada vaso. Muito depois de as outras crianças já terem retornado aos seus lugares e presenteado suas mães com uma linda flor, meus dois ainda escolhiam. Finalmente, com um grito de alegria, acharam algo bem no fundo. Com sorrisos exuberantes a iluminar seus rostos, avançaram satisfeitos pelo corredor até onde eu estava sentada e me presentearam com a planta que haviam escolhido como demonstração de seu apreço por mim pelo Dia das Mães.

Fiquei olhando estarrecida para aquele pequeno ser roto, murcho e doentio que meu filho estendia em minha direção. Aflita aceitei o vaso de suas mãos. Era óbvio que os dois haviam escolhido a menor planta, a mais doente de todas – nem flor tinha. Olhando para rostinhos sorridentes, percebi o orgulho que sentiam daquela escolha e, sabendo o quanto haviam demorado para selecionar aquela planta em especial, sorri e aceitei a lembrança.

Mais tarde, no entanto, tive de perguntar – de todas aquelas flores maravilhosas, o que os havia feito escolher justamente aquela para me dar?

Todo orgulhoso, meu filho declarou:

— É que aquela parecia precisar de você, mamãe.

Enquanto as lágrimas escorriam pelo meu rosto, abracei meus dois filhos, bem apertado. Eles acabavam de me dar o maior presente de Dia das Mães que jamais poderiam ter imaginado. Todo o meu trabalho e sacrifício não havia sido em vão ¾ eles iam crescer perfeitamente bem.

Patrícia A. Rinaldi

Histórias para Aquecer o Coração das Mães
Jack Canfield, Mark Victor Hansen e outros
Editora Sextante

Flores no túmulo

Um Homem estava a colocar flores no túmulo de um parente, quando viu um chinês colocando um prato de arroz na lápide ao lado. Ele vira-se para o chinês e pergunta:

— Desculpe, mas o senhor acha mesmo que o defunto virá comer o arroz?

E o chinês responde:

— Sim, quando o seu vier cheirar as flores.

“Respeitar as opções dos outros é uma das maiores virtudes do ser humano. As pessoas são diferentes, agem e pensam de formas diferentes. Não julgue. Tente apenas compreender.”

Filosofia Ocupacional

Um professor de filosofia parou na frente da classe e sem dizer uma palavra, pegou um vidro de maionese vazio e encheu-o com pedras de uns 2 cm de diâmetro.

Então perguntou aos alunos se o vidro estava cheio.

Eles concordaram que estava.

Então o professor pegou uma caixa com pedregulhos bem pequenos e o jogou dentro do vidro agitando-o levemente.

Os pedregulhos rolaram para os espaços entre as pedras.

Ele então perguntou novamente se o vidro estava cheio.

Os alunos concordaram : agora sim, estava cheio.

Então o professor pegou uma caixa com areia e despejou-a dentro do vidro preenchendo o restante.

— Agora, disse o Professor, eu quero que vocês entendam que isto simboliza a sua vida :

As pedras são as coisas importantes : sua família, seus amigos, sua saúde, seus filhos, coisas que preenchem a sua vida.

Os pedregulhos são as outras coisas que importam, como o seu emprego, sua casa, seu carro.

A areia representa o resto. As coisas pequenas.

Se vocês colocarem a areia primeiro no vidro, não haverá mais espaço para os pedregulhos e as pedras.

O mesmo vale para a sua vida.

Cuidem das pedras primeiro.

Das coisas que realmente importam.

Estabeleçam suas prioridades.

O resto é só areia !

Colaboração: Renato Antunes Oliveira

Filhos são do mundo

Devemos criar os filhos para o mundo. Torná-los autônomos, libertos, até de nossas ordens. A partir de certa idade, só valem conselhos.

Especialistas ensinaram-nos a acreditar que só esta postura torna adulto aquele bebê que um dia levamos na barriga. E a maioria de nós pais acredita e tenta fazer isso. O que não nos impede de sofrer quando fazem escolhas diferentes daquelas que gostaríamos ou quando eles próprios sofrem pelas escolhas que recomendamos.

Então, filho é um ser que nos emprestaram para um curso intensivo de como amar alguém além de nós mesmos, de como mudar nossos piores defeitos para darmos os melhores exemplos e de aprendermos a ter coragem. Isto mesmo! Ser pai ou mãe é o maior ato de coragem que alguém pode ter, porque é se expor a todo tipo de dor, principalmente da incerteza de estar agindo corretamente e do medo de perder algo tão amado..

Perder? Como? Não é nosso, recordam-se? Foi apenas um empréstimo! Então, de quem são nossos filhos? Eu acredito que são de Deus, mas com respeito aos ateus digamos que são deles próprios, donos de suas vidas, porém, um tempo precisaram ser dependentes dos pais para crescerem, biológica, sociológica, psicológica e emocionalmente.

E o meu sentimento, a minha dedicação, o meu investimento? Não deveriam retornar em sorrisos, orgulho, netos e amparo na velhice? Pensar assim é entender os filhos como nossos e eles, não se esqueçam, são do mundo! Volto para casa ao fim do plantão, início de férias, mais tempo para os fllhos, olho meus pequenos pimpolhos e penso como seria bom se não fossem apenas empréstimo! Mas é. Eles são do mundo. O problema é que meu coração já é deles.

Santo anjo do Senhor…

É a mais concreta realidade. Só resta a nós, mães e pais, rezar (orar) e aproveitar todos os momentos possíveis ao lado das nossas ‘crias’, que mesmo sendo ‘emprestadas’ são a maior parte de nós!!!

Ferreiro

Era uma vez um ferreiro que, após uma juventude cheia de excessos, resolveu entregar sua alma a Deus. Durante muitos anos trabalhou com afinidade, praticou a caridade, mas, apesar de toda sua dedicação, nada parecia dar certo na sua vida. Muito pelo contrário: seus problemas e dívidas acumulavam-se cada vez mais.

Uma bela tarde, um amigo que o visitara – e que se compadecia de sua situação difícil – comentou:

“É realmente estranho que, justamente depois que você resolveu se tornar um homem temente a Deus, sua vida começou a piorar. Eu não desejo enfraquecer sua fé, mas apesar de toda a sua crença no mundo espiritual, nada tem melhorado”.

O ferreiro não respondeu imediatamente. Ele já havia pensado nisso muitas vezes, sem entender o que acontecia em sua vida. Entretanto, como não queria deixar o amigo sem resposta, começou a falar e terminou encontrando a explicação que procurava. Eis o que disse o ferreiro:

“Eu recebo nesta oficina o aço ainda não trabalhado e preciso transformá-lo em espadas. Você sabe como isto é feito?

Primeiro eu aqueço a chapa de aço num calor infernal, até que fique vermelha. Em seguida, sem qualquer piedade, eu pego o martelo mais pesado e aplico golpes até que a peça adquira a forma desejada. Logo, ela é mergulhada num balde de água fria e a oficina inteira se enche com o barulho do vapor, enquanto a peça estala e grita por causa da súbita mudança de temperatura. Tenho que repetir esse processo até conseguir a espada perfeita: uma vez apenas não é suficiente”.

O ferreiro deu uma longa pausa, acendeu um cigarro e continuou:

“Às vezes, o aço que chega até minhas mãos não consegue agüentar esse tratamento. O calor, as marteladas e a água fria terminam por enchê-lo de rachaduras. E eu sei que jamais se transformará numa boa lâmina de espada. Então, eu simplesmente o coloco no monte de ferro-velho que você viu na entrada de minha ferraria.

Mais uma pausa e o ferreiro concluiu: “Sei que Deus está me colocando no fogo das aflições. Tenho aceito as marteladas que a vida me dá, e às vezes sinto-me tão frio e insensível como a água que faz sofrer o aço. Mas a única coisa que peço é: “Meu Deus, não desista, até que eu consiga tomar a forma que o Senhor espera de mim. Tente da maneira que achar melhor, pelo tempo que quiser – mas jamais me coloque no monte de ferro-velho das almas”.

Fernando Pessoa

Onde você vê um obstáculo,
alguém vê o término da viagem
e o outro vê uma chance de crescer.

Onde você vê um motivo pra se irritar,
Alguém vê a tragédia total
E o outro vê uma prova para sua paciência.

Onde você vê a morte,
Alguém vê o fim
E o outro vê o começo de uma nova etapa…
Onde você vê a fortuna,
Alguém vê a riqueza material
E o outro pode encontrar por trás de tudo, a dor e a miséria total.

Onde você vê a teimosia,
Alguém vê a ignorância,
Um outro compreende as limitações do companheiro,
percebendo que cada qual caminha em seu próprio passo.

E que é inútil querer apressar o passo do outro,
a não ser que ele deseje isso.
Cada qual vê o que quer, pode ou consegue enxergar.

“Porque eu sou do tamanho do que vejo.
E não do tamanho da minha altura.”

Felizes para Sempre

— Vó?

— Oi?

— O que acontece depois do “Felizes para Sempre?” A avó até se ajeitou na cadeira. Já sabia o que acontecia quando aquelas perguntas começavam.

— Como é que você falou, meu bem?

— O que acontece depois do “Felizes para Sempre” das historinhas. A princesa encontra o príncipe e vivem felizes-para-sempre…, termina sempre assim… Por que eu não vejo ninguém ser feliz para sempre, então?

Ai, ai, ai, pensou a avó.

— Sabe, minha querida, tem uma tribo antiga de índios, lá no Novo México, que não acredita na passagem do tempo.

Fez menção de perguntar o que aquilo tinha a ver com a sua pergunta, mas a avó colocou a mão na sua boca, como se dissesse, espera.

— Esses índios acreditam que existem apenas dois mundos: O mundo das coisas visíveis, e o mundo das coisas invisíveis.

— No mundo das coisas visíveis, encontramos o que construímos: a casa, o carro, esse tricô aqui que você sempre interrompe…

— E no mundo das coisas invisíveis?

— No mundo das coisas invisíveis, encontramos tudo o que não transformamos em realidade; os sonhos, as idéias, as dificuldades, tudo o que ainda está lá, para ser realizado, e que a gente sempre deixa para depois…,

— Depois eu vou estudar, depois eu vou tentar, depois eu vou fazer meu sonho se tornar realidade… as pessoas sempre esperam pelo futuro, a época em que serão “felizes para sempre”…

— E os índios?

— Bem, eles são mais espertos e mais avançados do que nós… como eles não acreditam no tempo, então não acreditam também no futuro, e se não acreditam no futuro, não passam a vida inteira esperando por ele.

A menina acendeu aquele vasto sorriso, que usava sempre que as historinhas da vovó clareavam as suas dúvidas.

— O que eles fazem então?

— Acho que eles tratam de serem felizes todo dia.

— Mas eles não tem coisas chatas para fazer?

— Que coisas chatas?

— Essas que a gente faz todo dia: arrumar a cama, fazer lição de casa,arrumar a casa, comer verduras…

— Lógico que fazem.

— Como é que podem ir para escola se não acreditam no futuro? Meu pai sempre fala que trabalha e fica mal humorado para que a família tenha “um futuro melhor” … que temos que estudar para termos “um futuro melhor”…

— E o futuro fica mesmo melhor?

— Não sei, ele não chegou ainda… Riram gostosamente.

— Sabe, querida, o que esses índios acham, é que a felicidade, o “felizes para sempre” só existe nessa passagem, das coisas irrealizadas para as coisas realizadas. Esse é um modelo mais bacana de felicidade: é como se a felicidade fosse um quebra-cabeças que a gente monta todo dia… só que é um quebra-cabeças diferente.

— Como ele é?

— Ele é feito todo dia, com coisas que a gente consegue realizar… as peças são invisíveis, e a gente deve procurar por cada uma delas até encontrar. Aí a gente traz as coisas do mundo invisível para o mundo realizado. É como uma oficina. Uma Oficina de Felicidade.

Finalmente, a pergunta mais difícil:

— Você é feliz, vovó?

Sorriu, suavemente.

— Sou, minha querida.

— Mesmo sendo sozinha?

— Mas eu não sou sozinha. Eu tenho você, sua mãe, e uma porção de gente no meu coração, querida. Nunca estou sozinha.

— Quando eu ficar velhinha, eu vou ser feliz, então?

— Não, meu bem. Quando você ficar criança é que vai ser feliz.

— Mas eu já sou criança.

— Então, não se esqueça de ser criança quando você crescer, tá bom?

— Combinado.

— Então vai brincar de construir felicidade, vai…

Não precisou falar duas vezes. Saiu correndo brincar. E a avó continuou trançando, em seu tricô, a delicada trama da vida.

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