Um homem esperto não comete todos os erros sozinho. Dá oportunidade a outros também.
Winston Churchill
Um homem esperto não comete todos os erros sozinho. Dá oportunidade a outros também.
Winston Churchill
No primeiro dia de aula nosso professor se apresentou aos alunos, e nos desafiou a que nos apresentássemos a alguém que não conhecêssemos ainda.
Eu fiquei em pé para olhar ao redor quando uma mão suave tocou meu ombro.
Olhei para trás e vi uma pequena senhora, velhinha e enrugada, sorrindo radiante para mim. Um sorriso lindo que iluminava todo o seu ser.
Ela disse:
— Hei, bonitão, meu nome é Rosa. Eu tenho oitenta e sete anos de idade. Posso te dar um abraço?
Eu ri, e respondi entusiasticamente:
— É claro que pode!, e ela me deu um gigantesco apertão.
Não resisti e perguntei-lhe:
— Por que você está na faculdade em tão tenra e inocente idade?, e ela respondeu brincalhona:
— Estou aqui para encontrar um marido rico, casar, ter um casal de filhos, e então me aposentar e viajar.
— Está brincando, eu disse.
Eu estava curioso em saber o que a havia motivado a entrar neste desafio com a sua idade, e ela disse:
— Eu sempre sonhei em ter um estudo universitário, e agora estou tendo um!
Após a aula nós caminhamos para o prédio da união dos estudantes, e dividimos um milkshake de chocolate. Nos tornamos amigos instantaneamente.
Todos os dias nos próximos três meses nós teríamos aula juntos e falaríamos sem parar. Eu ficava sempre extasiado ouvindo aquela “máquina do tempo” compartilhar sua experiência e sabedoria comigo.
No decurso de um ano, Rose tornou-se um ícone no campus universitário, e fazia amigos facilmente, onde quer que fosse. Ela adorava vestir-se bem, e revelava-se na atenção que lhe davam os outros estudantes. Ela estava curtindo a vida!
No fim do semestre nós convidamos Rose para falar no nosso banquete de futebol. Jamais esquecerei o que ela nos ensinou.
Ela foi apresentada e se aproximou do podium.
Quando ela começou a ler a sua fala, já preparada, deixou cair três, das cinco folhas no chão. Frustrada e um pouco embaraçada, ela pegou o microfone e disse simplesmente:
— Desculpem-me, eu estou tão nervosa! Eu não conseguirei colocar meus papéis em ordem de novo, então me deixem apenas falar para vocês sobre aquilo que eu sei.
Enquanto nós ríamos, ela limpou sua garganta e começou:
— Nós não paramos de jogar porque ficamos velhos; nós nos tornamos velhos porque paramos de jogar. Existem somente quatro segredos para continuarmos jovens, felizes e conseguir o sucesso. Primeiro, você precisa rir e encontrar humor em cada dia. Segundo, você precisa ter um sonho. Quando você perde seus sonhos, você morre. Nós temos tantas pessoas caminhando por aí que estão mortas e nem desconfiam! Terceiro, há uma enorme diferença entre envelhecer e crescer. Se você tem dezenove anos de idade e ficar deitado na cama por um ano inteiro, sem fazer nada de produtivo, você ficará com vinte anos. Se eu tenho oitenta e sete anos e ficar na cama por um ano e não fizer coisa alguma, eu ficarei com oitenta e oito anos.
Qualquer um, mais cedo ou mais tarde ficará mais velho. Isso não exige talento nem habilidade, é uma conseqüência natural da vida. A idéia é crescer através das oportunidades. E por último, não tenha remorsos. Os velhos geralmente não se arrependem por aquilo que fizeram, mas sim por aquelas coisas que deixaram de fazer. As únicas pessoas que tem medo da morte são aquelas que tem remorsos.
Ela concluiu seu discurso cantando corajosamente “A Rosa”. Ela desafiou a cada um de nós a estudar poesia e vivê-la em nossa vida diária.
O fim do ano Rose terminou o último ano da faculdade que começara há tantos anos atrás.
Uma semana depois da formatura, Rose morreu tranqüilamente em seu sono.
Mais de dois mil alunos da faculdade foram ao seu funeral, em tributo à maravilhosa mulher que ensinou, através de seu exemplo, que nunca é tarde demais para ser tudo aquilo que você pode provavelmente será, se realmente desejar.
Lembre-se: “envelhecer é inevitável, mas crescer é opcional!”
A vida moderna caracteriza-se pela informalidade, pela pressa e pelas mudanças constantes.
Hábitos até pouco tempo bastante difundidos, hoje são raros.
A carta escrita a mão foi substituída por mensagem via e-mail.
Poucos homens permanecem puxando a cadeira para suas companheiras ou abrindo a porta do carro para elas.
Malgrado todo o interesse por almas gêmeas e temas da espécie, o romantismo parece quase extinto.
Há muita afoiteza em começar, consumar e terminar os relacionamentos.
Prestar atenção no companheiro, identificar seus sonhos e os tesouros de seu mundo íntimo, tudo isso se afigura terrivelmente fora de moda.
Tal descuido com a essência do ser humano está presente em quase todas as espécies de relações.
Tem-se pressa para tudo.
Essa urgência desmedida faz com que regras básicas de educação sejam constantemente ignoradas.
Os cumprimentos, quando existem, são lacônicos e despidos de calor.
Uma palavra mal posta é de pronto devolvida.
Não se pára para pensar se o interlocutor enfrenta algum problema e por isso se manifesta com rudeza.
Afinal, tem-se pressa, embora raramente se tenha um objetivo nobre a embasar os atos que ela inspira.
Nesse contexto, desentendimentos surgem à toa e rápido degeneram em antipatias e inimizades.
É mais fácil julgar, responder e reagir de plano.
Refletir, compreender, preservar e aprofundar vínculos demanda tempo.
É difícil ignorar as pressões do mundo moderno.
Globalismo, competitividade, empregabilidade, há inúmeros conceitos que inspiram a pressa.
Às vezes até a explicam, mas não a justificam, no trato com o semelhante.
Afinal, a afoiteza não pode justificar converter-se o homem em um bruto insensível.
Para permanecer civilizado, é preciso preservar um pouco da tradicional e boa elegância.
Ao contrário do que talvez sugira, o termo elegância não implica forçosamente a adoção de vestuários requintados e gestos afetados.
Segundo o dicionário, um dos significados de elegância é distinção de maneiras.
Ser elegante é ser distinto, atencioso e polido.
É prestar atenção nas necessidades dos que o rodeiam e tratá-los como pessoas importantes.
Elegância implica abster-se de expressões rudes e não se envolver em discussões ácidas e ferinas.
Elegante é não falar dos ausentes, é não ser uma presença desagradável aos demais.
Para quem responde tudo ao pé da letra e não costuma ?levar desaforo para casa?, ser elegante constitui um grande desafio.
Contudo, quem fala e age sem pensar, cedo ou tarde se arrepende e percebe que fez bobagem.
Atos impulsivos e grosseiros destroem oportunidades pessoais e profissionais.
Ninguém gosta de estar perto de um grosseirão.
Mas você jamais se arrependerá de ser elegante.
Talvez no princípio estranhe não responder quando provocado.
Ser gentil e obsequioso em face de ofensas e grosserias demanda uma boa dose de disciplina.
Mas você colherá os melhores frutos desse novo naipe de comportamento.
Quem o maltratar fatalmente ficará constrangido, ao perceber o esmero de sua educação.
E gradualmente um novo padrão de conduta se estabelecerá em torno de você.
Pense nisso.
Dois Anjos viajantes pararam para passar a noite na casa de uma família muito rica. A família era rude e não permitiu que os Anjos ficassem no quarto de hóspedes da mansão. Em vez disso, deram aos Anjos um espaço pequeno no frio sótão da casa.
À medida que eles faziam a cama no duro piso, o Anjo mais velho viu um buraco na parede e o tapou.
Quando o Anjo mais jovem perguntou: por que? O Anjo mais velho respondeu:
“As coisas nem sempre são o que parecem”.
Na noite seguinte, os dois anjos foram descansar em outra casa, de um casal muito pobre, mas o senhor e sua esposa eram muito hospitaleiros. Depois de compartilhar a pouca comida que a família pobre tinha, o casal permitiu que os Anjos dormissem na sua cama onde eles poderiam ter uma boa noite De descanso.
Quando amanheceu, ao dia seguinte, os anjos encontraram o casal banhado em lágrimas. A única vaca que eles tinham, cujo leite havia sido a única entrada de dinheiro, jazia morta no campo.
O Anjo mais jovem estava furioso e perguntou ao mais velho: “como você permitiu que isto acontecesse? O primeiro homem tinha de tudo e, no entanto, você o ajudou”; o Anjo mais jovem o acusava. “A segunda família tinha pouco, mas estava disposta a Compartilhar tudo, e você permitiu que a vaca morresse”.
“As coisas nem sempre são o que parecem,” respondeu o anjo mais velho. “Quando estávamos no sótão daquela imensa mansão, notei que havia ouro naquele buraco da parede. Como o proprietário estava obcecado com a avareza e não estava disposto a compartilhar sua boa sorte, fechei o buraco de maneira que ele nunca mais o encontraria. Depois, ontem à noite, quando dormíamos na casa da família pobre, o anjo da morte veio em busca da mulher do agricultor. E Eu lhe dei a vaca em seu lugar.”
As coisas nem sempre são como parecem.
Algumas vezes, isso é exatamente o que acontece quando as coisas não saem da maneira como esperamos. Se você tiver fé, somente necessita confiar que seja quais forem as coisas que aconteçam, sempre serão uma vantagem para você. E talvez você venha A compreender isto só um pouco mais tarde…
Na França, um senhor de 70 anos viajava de trem tendo ao seu lado um jovem universitário que, compenetrado lia o seu livro de ciências.
O senhor por sua vez lia um livro de capa preta.
Foi quando o jovem percebeu que se tratava da Bíblia.
Sem muita cerimônia o jovem interrompeu a leitura do velho e perguntou:
— “O senhor ainda acredita neste livro cheio de fábulas e crendices ?”
— “Sim.” – disse o senhor – “Mas não é um livro de crendices, é a Palavra de Deus. Estou errado ?”
Com uma risadinha sarcástica respondeu:
— “Claro que está! Creio que o senhor deveria estudar a história geral. E veria que a Revolução Francesa, ocorrida há mais de 100 anos, fez o favor de mostrar a miopia da religião.
Somente pessoas sem cultura ainda crêem nessa história de que Deus criou o mundo em seis dias. O senhor deveria conhecer um pouco mais sobre que os cientistas dizem sobre isso.”
— “É mesmo ?” – perguntou o velho cristão – “e o que dizem os cientistas sobre a Bíblia ?”
— “Bem, – respondeu o universitário – “agora eu vou descer na próxima estação, mas deixe o seu cartão que eu lhe enviarei o material pelo correio.”
O velho então cuidadosamente abriu o bolso interno do paletó, e deu seu cartão ao universitário.
Quando o jovem leu o que estava escrito abaixou a cabeça, e saiu cabisbaixo – o cartão dizia: “Louis Pasteur, Diretor do Instituto de Pesquisas Científicas da École Normale de Paris”.
Isso aconteceu em 1892.
Enviado por Renato J.G. Filho
Fernando Sabino
De tudo ficaram três coisas:
A certeza de que estamos sempre começando,
A certeza de que é preciso continuar,
A certeza de que seremos interrompidos antes de terminar.
Portanto devemos:
fazer da interrupção um caminho novo,
da queda um passo novo de dança,
do medo, uma escada,
do sonho, uma ponte e
da procura, um encontro.
Domingos Pellegrini
Ele chegou à praça com uma marreta.
Endireitou a estaca de uma muda de árvore e firmou batendo com a marreta.
Amarrou a muda na estaca e se afastou como para olhar uma obra de arte.
Não resisti a puxar conversa:
— O senhor é da prefeitura?
— Não, sou da Alice, faz quarenta e dois anos. Minha mulher.
— Ah… O senhor foi quem plantou essa muda?
— Não, foi a prefeitura. Uma árvore velha caiu, plantaram essa nova de qualquer jeito, mas eu adubei, botei essa estaca aí.
Olha que beleza, já está toda enfolhada.
De tardezinha eu venho regar.
— Então o senhor gosta de plantas.
— De plantas, de bicho, até de gente eu gosto, filho.
— Obrigado pela parte que me cabe…
Ele sorriu, tirou um tesourão da cinta e começou a podar um arbusto.
— O senhor é aposentado?
— Não, sou desaposentado.
Foi podando e explicando:
— Quando me aposentei, já tinha visto muito colega aposentar e murchar, que nem árvore que você poda e rega com ácido de bateria.
Sabia que tem comerciante que rega árvore com ácido de bateria pra matar, para árvore não encobrir a fachada da loja? É… aí fica com a loja torrando no sol!
Picotou os galhos podados, formando um tapete de folhas em redor do arbusto.
— É bom pra terra… Tudo que sai da terra deve voltar pra terra… Mas então, eu já tinha visto muito colega aposentar e murchar. Botando bermuda e chinelo e ficando em casa diante da televisão. Ou indo ao boteco pra beber cerveja, depois dormindo de tarde. Bundando e engordando…
Até que acabaram com derrame ou enfarte, de não fazer nada e ainda viver falando de doença.
Cortou umas flores, fez um ramalhete:
— Pra minha menina, a Alice. Ela é um ano mais velha que eu, mas fica uma menina quando levo flor. Ela também é desaposentada. Ajuda na escola da nossa neta, ensinando a merendeira a fazer doce com pouco açúcar e salgados com os restos dos legumes que antes eram jogados fora. E ajuda na creche também, no hospital. Ih… a Alice vive ajudando todo mundo, por isso não precisa de ajuda, nem tem tempo de pensar em doença.
Amarrou o ramalhete com um ramo de grama, depositou com cuidado sobre um banco.
— Pra aguar as mudas eu tenho que trazer o balde com água lá de casa. Fui à prefeitura pedir pra botarem uma torneira aqui. Disseram que não, senão o povo ia beber água e deixar vazando. Falei pra botarem uma torneira com grade e cadeado que eu cuidaria. Falaram que não. Eu teria que ficar com o cadeado e então ia ser uma torneira pública com controle particular, e não pode.
Sorriu, olhando a praça.
— Aí falei: então posso cuidar da praça, mas não posso cuidar de uma torneira? Perguntaram, veja só, perguntaram se tenho autorização pra cuidar da praça! Nem falei mais nada. Vim embora antes que me proibissem de cuidar da praça… Ou antes, que me fizessem preencher formulários em três vias com taxa e firma reconhecida, pra fazer o que faço aqui desde que desaposentei… Está vendo aquele pinheiro fêmea ali? A Alice que plantou. Só tinha o pinheiro macho.
Agora o macho vai polinizar a fêmea e ela vai dar pinhões.
— Eu nem sabia que existe pinheiro macho e pinheiro fêmea.
— Eu também não sabia, filho. Ih… Aprendi tanta coisa cuidando dessa praça!
Hoje conheço os cantos dos passarinhos, a época de floração de cada planta, e vejo a passagem das estações como se fosse um filme.
— Mas ela vai demorar pra dar pinhões, hein?
Falei, olhando a pinheirinha ainda da nossa altura.
Ele respondeu que não tinha pressa.
— Nossa neta é criança e eu já falei pra ela que é ela quem vai colher os pinhões. Sem a prefeitura saber… E a Alice falou que, de cada pinha que ela colher, deve plantar pelo menos um pinhão em algum lugar. Assim, no fim da vida, ela vai ter plantado um pinheiral espalhado por aí. Sem a prefeitura saber, é claro, senão podem criar um imposto pra quem planta árvores…
— É admirável ver alguém com tanta idade e tanta esperança!
Ele riu:
— Se é admirável eu não sei, filho, sei que é gostoso. E agora, com licença, que eu preciso pegar a Alice pra gente caminhar. Vida de desaposentado é assim: o dinheiro é curto, mas o dia pode ser comprido, se a gente não perder tempo!”.
Um cidadão fez voto de desapego e pobreza. Dispôs de todos os seus bens e propriedades, reservou para si apenas duas tangas, e saiu Índia afora em busca de todos os sábios, medindo na verdade o desapego de cada um. Levava apenas uma tanga no corpo e outra para troca, sempre necessário.
Estava convencido de não encontrar quem ganhasse de si em despojamento, quando soube de um velho guru, bem ao norte, aos pés do Himalaia. Tomando as direções, parte ao encontro do velho sábio.
Quando lá chegou, tristeza e decepção! Encontrou terras bem cuidadas, um palácio faustoso, muita riqueza, muita pompa. Indignado, procura pelo guru. Um velho servo lhe diz que ele está em uma ala dos magníficos jardins com seus discípulos, estudando desapego. Como era costume da casa Ter gentileza para com os hóspedes, o servo convida o andarilho para o banho, repouso e refeição, antes de se dirigir à presença do sábio.
Achando tudo muito estranho, o desapegado aceita a sugestão. Toma um bom banho, lava sua tanga usada, coloca-a para secar no quarto e sai em busca do guru. Completamente injuriado, queria contestar e desmascarar aquele que julgava um impostor, pois em sua concepção desapego não combinava com posses. Aproxima-se do grupo, que ouve embevecido as palavras do mestre e fica ruminando um ardil para atacar o guru, quando, correndo feito um doido, chega um dos serviçais gritando:
— Mestre, mestre, o palácio está pegando fogo, um incêndio tomou conta de tudo. O senhor está perdendo uma fortuna! O sábio, impassível, continua sua prédica. O desapegado viajante das duas tangas dá um salto e sai em desabalada carreira, gritando:
— Minha tanga, minha tanga, o fogo está destruindo minha tanga…
O sorriso…
é o cartão de visita das pessoas saudáveis.
Distribua-o gentilmente.
O diálogo…
é a ponte que liga as duas margens, do eu à do tu.
Transmite-o bastante.
O amor…
é a melhor música na partitura da vida.
Sem ele, você será um eterno desafinado.
A bondade…
é a flor mais atraente do jardim de um coração bem cultivado.
Plante estas flores.
A alegria…
é o perfume gratificante, fruto do dever cumprido.
Esbanje-o, o mundo precisa dele.
A paz da consciência…
é o melhor travesseiro para o sono da tranqüilidade.
Viva em paz consigo mesmo.
A fé…
é a bússola certa para os navios errantes, incertos, buscando as praias
da eternidade.
Utilize-a.
A esperança…
é o vento bom enfunando as velas do nosso barco.
Chame-o para dentro do seu cotidiano.
Dr. Rogério Brandão {Médico oncologista}
Como médico cancerologista, já calejado com longos 29 anos de atuação profissional (…) posso afirmar que cresci e modifiquei-me com os dramas vivenciados pelos meus pacientes. Não conhecemos nossa verdadeira dimensão até que, pegos pela adversidade, descobrimos que somos capazes de ir muito mais além.
Recordo-me com emoção do Hospital do Câncer de Pernambuco, onde dei meus primeiros passos como profissional… Comecei a frequentar a enfermaria infantil e apaixonei-me pela oncopediatria. Vivenciei os dramas dos meus pacientes, crianças vítimas inocentes do câncer. Com o nascimento da minha primeira filha, comecei a me acovardar ao ver o sofrimento das crianças.
Até o dia em que um anjo passou por mim! Meu anjo veio na forma de uma criança já com 11 anos, calejada por dois longos anos de tratamentos diversos, manipulações, injeções e todos os desconfortos trazidos pelos programas de quimios e radioterapias. Mas nunca vi o pequeno anjo fraquejar. Vi-a chorar muitas vezes; também vi medo em seus olhinhos; porém, isso é humano!
Um dia, cheguei ao hospital cedinho e encontrei meu anjo sozinha no quarto. Perguntei pela mãe. A resposta que recebi, ainda hoje, não consigo contar sem vivenciar profunda emoção.
— Tio, disse-me ela, às vezes minha mãe sai do quarto para chorar escondido nos corredores… Quando eu morrer, acho que ela vai ficar com muita saudade. Mas, eu não tenho medo de morrer, tio. Eu não nasci para esta vida!
Indaguei:
— E o que morte representa para você, minha querida?
— Olha tio, quando a gente é pequena, às vezes, vamos dormir na cama do nosso pai e, no outro dia, acordamos em nossa própria cama, não é?
(Lembrei das minhas filhas, na época crianças de 6 e 2 anos, com elas, eu procedia exatamente assim.)
— É isso mesmo.
— Um dia eu vou dormir e o meu Pai vem me buscar. Vou acordar na casa Dele, na minha vida verdadeira!
Fiquei “entupigaitado”, não sabia o que dizer. Chocado com a maturidade com que o sofrimento acelerou, a visão e a espiritualidade daquela criança.
— E minha mãe vai ficar com saudades ? emendou ela.
Emocionado, contendo uma lágrima e um soluço, perguntei:
— E o que saudade significa para você, minha querida?
— Saudade é o amor que fica!
Hoje, aos 53 anos de idade, desafio qualquer um a dar uma definição melhor, mais direta e simples para a palavra saudade: É O AMOR QUE FICA!
ATITUDE É:
Viva em harmonia com tudo e todos!!!
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