Categoria: Histórias (Page 56 of 111)

Irmão Especial

Um amigo meu chamado Paul ganhou um automóvel de presente de seu irmão no Natal.

Na noite de Natal, quando Paul saiu de seu escritório, um menino de rua estava andando em volta do reluzente carro novo, admirando-o.

— Este carro é seu, senhor ? – ele perguntou.

Paul assentiu.

— Meu irmão me deu de Natal.

O garoto ficou boquiaberto.

— Quer dizer que foi um presente de seu irmão e não lhe custou nada?

— Rapaz, quem me dera… – hesitou ele. É claro que Paul sabia o que ele ia desejar.

Ele ia desejar ter um irmão como aquele.

Mas o que o garoto disse chocou Paul tão completamente que o desarmou.

— Quem me dera – continuou o garoto – ser um irmão como esse.

Paul olhou o garoto com espanto, e então, impulsivamente, acrescentou:

— Você gostaria de dar uma volta no meu automóvel?

— Oh, sim, eu adoraria.

Depois de uma voltinha, o garoto virou-se e, com os olhos incandescentes, disse:

— O senhor se importaria de passar em frente a minha casa ?

Paul deu um leve sorriso.

Pensou que soubesse o que o rapaz queria.

Ele queria mostrar para os vizinhos que podia chegar em casa num carrão.

Mas Paul estava novamente enganado.

— Pode parar em frente aqueles dois degraus ? perguntou o garoto.

Ele subiu correndo os degraus.

Então, passados alguns momentos, Paul ouviu-o retornar, mas ele não vinha depressa.

Carregava seu irmãozinho paralítico.

Sentou-o no degrau inferior e depois de fortemente abraça-lo apontou o carro:

— Ai está ele, amigão, exatamente como eu te contei lá em cima.

O irmão deu o carro a ele de presente de Natal e não lhe custou nem um centavo.

E algum dia eu vou te dar um igualzinho… então você poderá ver com seus próprios olhos, nas vitrines de Natal, todas as coisas bonitas sobre as quais eu venho tentando lhe contar.

Paul saiu do carro e colocou o rapaz no banco da frente.

O irmão mais velho, com os olhos brilhando, entrou atrás dele e os três deram uma volta comemorativa.

Naquela noite, Paul aprendeu que a felicidade maior sentimos quando a proporcionamos a alguém.

Que hoje seja um dia muito especial pra você!

Colaboração: Renato Antunes Oliveira

Irena Sendler : A mãe dos meninos do Holocausto

Enquanto a figura de OSCAR SCHINDLER era aclamada por meio mundo, graças a Steven Spielberg que nele se inspirou para fazer o filme que conseguiu 7 Oscars em 1993, narrando a vida deste industrial que evitou a morte de 1.000 judeus nos campos de concentração, IRENA SENDLER era uma heroína desconhecida fora de Polônia e apenas reconhecida no seu país por alguns historiadores, já que os anos de obscurantismo comunista haviam apagado a sua façanha dos livros de historia oficiais. Ela nunca contou a ninguém nada da sua vida durante aqueles anos.

Em 1999 a sua história começou a ser conhecida graças a um grupo de alunos de um Instituto de Kansas e ao seu trabalho de final de curso sobre os heróis do Holocausto. Na investigação encontraram poucas referencias sobre Irena e só existia um dado surpreendente: tinha salvado a vida de 2.500 meninos.

 Como e possível que só existisse esta informação sobre uma pessoa assim?

Mas a maior surpresa chegou quando após buscar o lugar da tumba de Irena, descobriram que a tumba não existia porque ela ainda vivia, e de fato ainda vive.

Hoje é uma anciã de 97 anos que reside num Asilo do centro de Varsóvia num quarto onde nunca faltam flores e cartões de agradecimento do mundo inteiro.

 Quando a Alemanha invadiu o país em 1939, Irena era enfermeira no Departamento de Bem-estar Social de Varsóvia, no qual cuidava das salas de jantar comunitárias da cidade.

Em 1942 os nazistas criaram um “ghetto” em Varsóvia e Irena, horrorizada pelas condições de vida naquele lugar, uniu-se ao Conselho para Ajuda aos judeus.

Conseguiu identificações da oficina sanitária, sendo que uma das tarefas era a luta contra as doenças contagiosas. Como os alemães invasores tinham medo de que se desencadeasse uma epidemia de tifo, aceitavam que os poloneses controlassem o lugar.

 Logo entrou em contato com famílias às quais oferecia para levar os filhos com ela para fora do Gueto.

Mas não podia dar garantias de sucesso. Era um momento horroroso, tinha de convencer os pais de que lhe entregassem seus filhos e eles perguntavam-lhe: “Pode prometer que meu filho vivera?…..”

O que poderia prometer quando nem podia saber se poderiam sair do Gueto?

E a única coisa certa era que os meninos morreriam se permanecessem ali.

 As mães e as avós não queriam separar-se de filhos e netos. IRENA as entendia perfeitamente e naquele momento, ela era mãe. De todo o processo que ela levava a cabo com os meninos, o mais duro era o momento da separação.

Algumas vezes, quando Irena ou suas companheiras tornavam a visitar as famílias para tentar faze-las mudar de opinião, ficava sabendo que todos tinham sido levados ao trem que os conduziria aos campos de extermínio, de morte.

Cada vez que isso acontecia, ela lutava com mais força para salvar a meninada.

Começou a retirá-los em ambulâncias como vitimas de tifo, mas logo a seguir se valeu de tudo o que estivesse ao seu alcance para escondê-los e tirá-los dali: cestos de lixo, caixas de ferramentas, carregamentos de mercadorias, sacos de batatas, ataúdes… Nas suas mãos, qualquer coisa se transformava numa via de escape.

Conseguiu recrutar ao menos uma pessoa de cada um dos dez centros do Departamento de Bem-estar Social.

Com a ajuda dessas pessoas elaborou centros de documentos falsos, com assinaturas falsificadas, dando identidade temporária aos meninos judeus.

Irena vivia os tempos da guerra pensando nos tempos da paz. Por isso não se cansava em manter com vida esses meninos. Queria que um dia pudessem recuperar seus verdadeiros nomes, sua identidade, suas histórias pessoais, suas famílias. Foi quando inventou um arquivo que registrava os nomes dos meninos e as suas novas identidades.

Anotava os dados em pedaços pequenos de papel que enterrava, dentro de potes de conserva, debaixo de uma arvore de maças, no jardim do seu vizinho.

Guardou, sem que ninguém suspeitasse, o passado de 2.500 meninos… ate que os nazistas foram embora.

Um dia, os nazistas souberam das suas atividades.

Em 20 de Outubro de 1943, Irena foi detida pela Gestapo e levada a prisão de Pawiak onde foi brutalmente torturada.

Num colchão de palha da sua cela, encontrou uma estampa de Jesus Cristo. E ficou com ela como resultado de uma casualidade miraculosa naqueles duros momentos da sua vida, até o ano de 1979 em que se desfez dela dando-a de presente a João Paulo II.

Irena era a única que sabia os nomes e onde se encontravam as famílias que albergaram os meninos judeus; suportou a tortura e se recusou a trair seus colaboradores ou a qualquer dos meninos ocultos. Quebraram-lhe os pés e as pernas, além de sofrer inúmeras torturas. Mas ninguém conseguiu romper a sua vontade. Foi sentenciada a morte. Uma sentença que nunca chegou a se cumprir porque a caminho do lugar da execução, o soldado que a levava a deixou escapar. A resistência o tinha subornado porque não queriam que Irena morresse com o segredo da localização dos meninos.

Oficialmente ela constava nas listas dos executados. A partir de então, continuou trabalhando, mas com uma identidade falsa.

No final da guerra, ela mesmo desenterrou os vidros de conserva e fez uso das anotações para encontrar as 2.500 crianças que colocou com famílias adotivas.

Ajuntou-as aos seus parentes espalhados por toda Europa, mas a maioria tinha perdido as suas famílias nos campos de concentração nazistas.

Os meninos só a conheciam pelo apelido: JOLANTA.

Anos mais tarde, quando a sua historia saiu num jornal com fotos suas, da época, diversas pessoas começaram a chama-la para dizer:

Lembro de seu rosto… sou um daqueles meninos, lhe devo a minha vida, meu futuro, e gostaria de vê-la!

Irena tinha no seu quarto fotos com alguns daqueles meninos sobreviventes ou com filhos deles.

Seu pai, um medico que faleceu de tifo quando ela ainda era pequena, lhe fez memorizar o seguinte:

AJUDE SEMPRE A QUEM ESTIVER SE AFOGANDO, SEM LEVAR EM CONTA A SUA RELIGIÃO OU NACIONALIDADE. AJUDAR CADA DIA ALGUÉM TEM DE SER UMA NECESSIDADE QUE SAIA DO CORAÇÃO.

Irena vive anos numa cadeira de rodas, por causa das lesões causadas pelas torturas sofridas pela Gestapo.

Não se considera uma heroína.

Nunca reinvidicou credito algum pelas suas ações.

Poderia ter feito mais”, este lamento me acompanhara ate o dia de minha morte!

NÃO SE PLANTAM SEMENTES DE COMIDA. PLANTAM-SE SEMENTES DE BONDADE. TRATEM DE FAZER UM CIRCULO DE BONDADE, ESTE OS RODEARÃO E FARÃO CRESCER MAIS E MAIS”

Irena Sendler

Invisíveis, mas não ausentes

Quando morreu, no século XIX, Victor Hugo arrastou nada menos que dois milhões de acompanhantes em seu cortejo fúnebre, em plena Paris.

Lutador das causas sociais, defensor dos oprimidos, divulgador do ensino e da educação, o genial literato deixou textos inéditos que, por sua vontade, somente foram publicados após a sua morte.

Um deles fala exatamente do homem e da imortalidade e se traduz mais ou menos nas seguintes palavras:

“A morte não é o fim de tudo. Ela não é senão o fim de uma coisa e o começo de outra. Na morte o homem acaba, e a alma começa.

“Que digam esses que atravessam a hora fúnebre, a última alegria, a primeira do luto. Digam se não é verdade que ainda há ali alguém, e que não acabou tudo?

“Eu sou uma alma. Bem sinto que o que darei ao túmulo não é o meu eu, o meu ser. O que constitui o meu eu, irá além.

“O homem é um prisioneiro. O prisioneiro escala penosamente os muros da sua masmorra, coloca o pé em todas as saliências e sobe até ao respiradouro.

“Aí, olha, distingue ao longe a campina, aspira o ar livre, vê a luz.

“Assim é o homem. O prisioneiro não duvida que encontrará a claridade do dia, a liberdade. Como pode o homem duvidar se vai encontrar a eternidade à sua saída?

“Por que não possuirá ele um corpo sutil, etéreo, de que o nosso corpo humano não pode ser senão um esboço grosseiro?

“A alma tem sede do absoluto e o absoluto não é deste mundo. É por demais pesado para esta terra.

“O mundo luminoso é o mundo invisível. O mundo do luminoso é o que não vemos. Os nossos olhos carnais só vêem a noite.

“A morte é uma mudança de vestimenta. A alma, que estava vestida de sombra, vai ser vestida de luz.

“Na morte o homem fica sendo imortal. A vida é o poder que tem o corpo de manter a alma sobre a terra, pelo peso que faz nela.

“A morte é uma continuação. Para além das sombras, estendes-se o brilho da eternidade.

“As almas passam de uma esfera para outra, tornam-se cada vez mais luz, aproximam-se cada vez mais e mais de Deus.

“O ponto de reunião é no infinito.

“Aquele que dorme e desperta, desperta e vê que é homem.

“Aquele que é vivo e morre, desperta e vê que é Espírito.”

Inveja, rancor, ciúme, ódio

Certo dia, um professor atento ao comportamento dos seus alunos observou que poderia ajudá-los a resolver alguns problemas de cunho íntimo, e propôs uma atividade.

Pediu a todos que levassem uma sacola e algumas pedras, de vários tamanhos e formas para a próxima aula.

No dia seguinte, orientou que cada um escolhesse uma pedra e escrevesse nela o nome de cada pessoa de quem sentiam mágoa, inveja, rancor, ou ciúme. A pedra deveria ser escolhida conforme o tamanho do sentimento.

Depois que todos haviam terminado a tarefa, o professor pediu que colocassem as pedras na sacola e a carregassem junto ao corpo para todos os lugares onde fossem, dia e noite.

Se alguma pessoa viesse a lhes causar sofrimento ainda intenso, eles poderiam substituir a pedra por uma maior. E se uma nova pessoa os magoasse, deveriam escolher uma nova pedra, escrever o nome dela e colocar na sacola.

E quem resolvesse o problema com algumas das pessoas cujos nomes haviam escrito nas pedras, poderiam retirar a pedra e lançá-la fora.

Assim foi feito. Algumas sacolas ficaram cheias e pesadas, mas ninguém reclamou.

Naturalmente, com o passar dos dias, o conteúdo das sacolas aumentou em vez de diminuir.

O incômodo de carregar aquele peso se tornava cada vez mais evidente.

Com o passar dos dias os alunos começaram a mostrar descontentamento. Afinal de contas, estavam sendo privados de muitos movimentos, pois as pedras pesavam, e alguns ferimentos surgiram, provocados pelas saliências de algumas pedras.

Para não esquecer a sacola em nenhum lugar, os alunos deixavam de prestar atenção em outras coisas que eram importantes para eles.

Passado algum tempo, os alunos pediram uma reunião com o professor e falaram que não dava mais para continuar a experiência, pois estavam cansados de carregar aquele peso morto, e alguns ferimentos incomodavam.

O professor, que já aguardava pelo momento, falou-lhes com sabedoria: essa experiência foi criada para lhes mostrar o tamanho do peso espiritual que a mágoa, a inveja, o rancor ou o ciúme, ocasionam.

Quem mantém esses sentimentos no coração, perde precioso tempo na vida, deixa de prestar atenção em fatos importantes, além de provocar enfermidades como conseqüência.

Esse é o preço que se paga todos os dias para manter a dor e os sentimentos negativos que desejamos guardar conosco.

Agora a escolha é sua. Vocês têm duas opções: jogam fora as pedras ou continuam a mantê-las diariamente, desperdiçando forças para carregá-las.

Se vocês optarem pela paz íntima terão que se livrar desses sentimentos negativos.

Um a um, os alunos foram se desfazendo das pesadas sacolas, e todos foram unânimes em admitir que estavam se sentindo mais leves, em todos os sentidos.

A proposta era de deixar com as pedras os ressentimentos que cada uma delas representava. E isso dava a cada um a sensação de alívio.

Por fim todos se abraçaram e confessaram que naquele gesto simples descobriram que não vale a pena perder tempo e saúde carregando um fardo inútil e prejudicial.

Seja qual for a dificuldade que te impulsione à mágoa, reage, mediante a renovação de propósitos, não valorizando ofensas nem considerando ofensores.

Introversão

Anthea Church

Tenha domínio sobre o tempo de forma que ele lhe ofereça seus minúsculos espaços.

Recolher-se da ação oito, dez vezes por dia é o meio de evitar a exaustão. É também o método de absorver novidade porque você muda depois de uma pausa, mesmo que a atividade à sua frente seja a mesma.

Uma vez que o hábito de recolher-se tenha sido suficientemente praticado, ele torna-se um poder. Não apenas mais um gesto de autopreservação, mas um meio de fazer com que as vidas de todos os que estão em contato com você progridam.

M a r t h a
martha carrer cruz gabriel

Inveja, rancor, ciúme, ódio

Certo dia, um professor atento ao comportamento dos seus alunos observou que poderia ajudá-los a resolver alguns problemas de cunho íntimo, e propôs uma atividade.

Pediu a todos que levassem uma sacola e algumas pedras, de vários tamanhos e formas para a próxima aula.

No dia seguinte, orientou que cada um escolhesse uma pedra e escrevesse nela o nome de cada pessoa de quem sentiam mágoa, inveja, rancor, ou ciúme. A pedra deveria ser escolhida conforme o tamanho do sentimento.

Depois que todos haviam terminado a tarefa, o professor pediu que colocassem as pedras na sacola e a carregassem junto ao corpo para todos os lugares onde fossem, dia e noite.

Se alguma pessoa viesse a lhes causar sofrimento ainda intenso, eles poderiam substituir a pedra por uma maior. E se uma nova pessoa os magoasse, deveriam escolher uma nova pedra, escrever o nome dela e colocar na sacola.

E quem resolvesse o problema com algumas das pessoas cujos nomes haviam escrito nas pedras, poderiam retirar a pedra e lançá-la fora.

Assim foi feito. Algumas sacolas ficaram cheias e pesadas, mas ninguém reclamou.

Naturalmente, com o passar dos dias, o conteúdo das sacolas aumentou em vez de diminuir.

O incômodo de carregar aquele peso se tornava cada vez mais evidente.

Com o passar dos dias os alunos começaram a mostrar descontentamento. Afinal de contas, estavam sendo privados de muitos movimentos, pois as pedras pesavam, e alguns ferimentos surgiram, provocados pelas saliências de algumas pedras.

Para não esquecer a sacola em nenhum lugar, os alunos deixavam de prestar atenção em outras coisas que eram importantes para eles.

Passado algum tempo, os alunos pediram uma reunião com o professor e falaram que não dava mais para continuar a experiência, pois estavam cansados de carregar aquele peso morto, e alguns ferimentos incomodavam.

O professor, que já aguardava pelo momento, falou-lhes com sabedoria: essa experiência foi criada para lhes mostrar o tamanho do peso espiritual que a mágoa, a inveja, o rancor ou o ciúme, ocasionam.

Quem mantém esses sentimentos no coração, perde precioso tempo na vida, deixa de prestar atenção em fatos importantes, além de provocar enfermidades como conseqüência.

Esse é o preço que se paga todos os dias para manter a dor e os sentimentos negativos que desejamos guardar conosco.

Agora a escolha é sua. Vocês têm duas opções: jogam fora as pedras ou continuam a mantê-las diariamente, desperdiçando forças para carregá-las.

Se vocês optarem pela paz íntima terão que se livrar desses sentimentos negativos.

Um a um, os alunos foram se desfazendo das pesadas sacolas, e todos foram unânimes em admitir que estavam se sentindo mais leves, em todos os sentidos.

A proposta era de deixar com as pedras os ressentimentos que cada uma delas representava. E isso dava a cada um a sensação de alívio.

Por fim todos se abraçaram e confessaram que naquele gesto simples descobriram que não vale a pena perder tempo e saúde carregando um fardo inútil e prejudicial.

Seja qual for a dificuldade que te impulsione à mágoa, reage, mediante a renovação de propósitos, não valorizando ofensas nem considerando ofensores.

Interrompendo as buscas

Martha Medeiros.

ASSISTINDO AO ÓTIMO “CLOSER – Perto demais” , me veio à lembrança um poema chamado ” Salvação ” , de Nei Duclós, que tem um verso bonito que diz: ” Nenhuma pessoa é lugar de repouso ” . Volta e meia este verso me persegue, e ele caiu como uma luva para a história que eu acompanhava dentro do cinema, em que quatro pessoas relacionam-se entre si e nunca se dão por satisfeitas, seguindo sempre em busca de algo que não sabem exatamente o que é. Não há interação com outros personagens ou com as questões banais da vida. É uma egotrip que não permite avanço, que não encontra uma saída – o que é irônico, pois o maior medo dos quatro é justamente a paralisia, precisam estar sempre em movimento. Eles certamente assinariam embaixo: nenhuma pessoa é lugar de repouso.

Apesar dos diálogos divertidos, é um filme triste. Seco. Uma mirada microscópica sobre o que o terceiro milênio tem a nos oferecer: um amplo leque de opções sexuais e descompromisso total com a eternidade – nada foi feito pra durar. Quem não estiver feliz, é só fazer a mala e bater a porta. Relações mais honestas, mais pr áticas e mais excitantes. Deveria parecer o paraíso, mas o fato é que saímos do cinema com um gosto amargo na boca.

Com o tempo, nos tornamos pessoas maduras, aprendemos a lidar com as nossas perdas e já não temos tantas ilusões. Sabemos que não iremos encontrar uma pessoa que, sozinha, conseguirá corresponder 100% a todas as nossas expectativas – sexuais, afetivas e intelectuais. Os que não se conformam com isso adotam o rodízio e aproveitam a vida. Que bom, que maravilha, então deveriam sofrer menos, não? O problema é que ninguém é tão maduro a ponto de abrir m ão do que lhe restou de inocência. Ainda dói trocar o romantismo pelo ceticismo, ainda guardamos resquícios dos contos de fada. Mesmo a vida lá fora flertando descaradamente conosco, nos seduzindo com propostas tipo ” leve dois, pague um ” , também nos parece tentadora a idéia de contrariar o verso de Duclós e encontrar alguém que acalme nossa histeria e nos faça interromper as buscas.

Não há nada de errado em curtir a mansidão de um relacionamento que já não é apaixonante, mas que oferece em troca a benção da intimidade e do silêncio compartilhado, sem ninguém mais precisar se preocupar em mentir ou dizer a verdade. Quando se está há muitos anos com a mesma pessoa, há grande chance de ela conhecer bem você, já não é preciso ficar explicando a todo instante suas contradi ções, seus motivos, seus desejos. Economiza-se muito em palavras, os gestos falam por si. Quer coisa melhor do que poder ficar quieto ao lado de alguém, sem que nenhum dos dois se atrapalhe com isso?

Longas relações conseguem atravessar a fronteira do estranhamento, um vira pátria do outro. Amizade com sexo também é um jeito legítimo de se relacionar, mesmo não sendo bem encarado pelos caçadores de emoções. Não é pela ansiedade que se mede a grandeza de um sentimento. Sentar, ambos, de frente pra lua, havendo lua, ou de frente pra chuva, havendo chuva, e juntos fazerem um brinde com as taças, contenham elas vinho ou café, a isso chama-se trégua. Uma rela ção calma entre duas pessoas que, sem se preocuparem em ser modernos ou eternos, fizeram um do outro seu lugar de repouso. Preguiça de voltar à ativa? Muitas vezes, é. Mas também, vá saber, pode ser amor.

Inimaginável

Maisa Bacafi

Você chegou, tocou meu ser com a leveza de teu sorriso, arrebatou-me, e s e fez dono de mim…

Meu coração não mais me pertence, é seu, inteiramente!

Se ainda hoje eu o sinto pulsar, pulsa por você, te chamando, sussurrando teu nome por minhas veias, impulsionando em minha vida o ritmo do amor…

Falaram-me do amor, mas nunca me disseram como aconteceria! Ninguém me co ntou que eu deixaria de ser eu mesma, para ser parte de ti, a sua melhor pa rte, a mais pura e intensa…

Não, eu não podia imaginar que amar me transformaria, que eu conheceria a alegria de doar-me completamente…

Que eu renasceria e seria então somente amor, pleno amor…

Amo-te, inteiramente!

Amo seu sorriso de menino..

Amo seu sono tranqüilo…

Amo seu beijo envolvente…

Amo seu abraço apertado…

Amo só ficar do seu lado…

Amo porque agora esta sou eu, e esta é a minha essência…

Se um dia alguém tivesse me falado, me alertado de que eu seria mais voc ê do que eu mesma, talvez eu não acreditasse, é provável que eu rec usasse…

Mas agora que aqui estou.. Agora que conheço o amor, eu mesma o escolheri a, para nortear a minha vida, e tomar conta do meu ser…

Hoje posso me definir com facilidade: sou aquela que te ama, que nos teus s onhos te encanta, quem você chama com carinho, e te faz sentir saudades, sentido-se mesmo sozinho no meio da multidão.. Faço parte da tua vida, melhor dizendo da tua alma, sou a dona do teu coração…

Sei que você me entende, está confuso mas coerente para quem já sabe amar…

Isso tudo é inexplicável, eu diria inimaginável para quem não exper imentar…

Iniciativa e acabativa

Stephen Kanitz

Isto é um teste de personalidade que poderá alterar a sua vida. Portanto, preste muita atenção.

Iniciativa é a capacidade que todos nós temos de criar, iniciar projetos e conceber novas idéias. Algumas pessoas têm muita iniciativa e outras têm pouca.

Acabativa, é um neologismo que significa a capacidade que algumas pessoas possuem de terminar aquilo que iniciaram ou concluir o que outros começaram. É a capacidade de colocar em prática uma idéia e levá-la até o fim.

Os seres humanos podem ser divididos em três grupos, dependendo do grau de iniciativa e acabativa de cada um: os empreendedores, os iniciativos e os acabativos – sem contar os burocratas.

— Empreendedores são aqueles que têm iniciativa e acabativa. Um seleto grupo que não se contenta em ficar na idéia e vai a campo implantá-la.

— Iniciativos são criativos, têm mil idéias, mas abominam a rotina necessária para colocá-las em prática. São filósofos, cientistas, professores, intelectuais e a maioria dos economistas. São famosas as histórias de economistas que nunca assinaram uma promissória. Acabativa é o ponto fraco desse grupo.

— Acabativos são aqueles que gostam de implantar projetos. Sua atenção vai mais para o detalhe do que para a teoria. Não se preocupam com o imenso tédio da repetição do dia-a-dia e não desanimam com as inúmeras frustrações da implantação. Nesse grupo está a maioria dos executivos, empresários, administradores e engenheiros.

Essa singela classificação explica muitas das contradições do mundo moderno.

Empresários descobrem rapidamente que ficar implantando suas próprias idéias é coisa de empreendedor egoísta. Limita o crescimento. Existem mais pessoas com excelentes idéias do que pessoas capazes de implantá-las. É por isso que empresários ficam ricos e intelectuais, professores – entre os quais me incluo – morrem pobres.

Se Bill Gates tivesse se restringido a implantar suas próprias idéias teria parado no Visual Basic. Ele fez fortuna porque foi hábil em implantar as idéias dos outros – dizem as más línguas que até copiou algumas.

Essa classificação explica porque intelectual normalmente odeia empresário, e vice-versa. Há uma enorme injustiça na medida em que os lucros fluem para quem implantou uma idéia, e não para quem a teve. Uma idéia somente no papel é letra morta, inútil para a sociedade como um todo.

Um dos problemas do Brasil é justamente a eterna predominância, em cargos de ministérios, de professores brilhantes e com iniciativa, mas com pouca ou nenhuma acabativa. Para o Brasil começar a dar certo, precisamos procurar valorizar mais os brasileiros com a capacidade de implantar nossas idéias. Tendemos a encarar o acabativo, o administrador, o executivo, o empresário como sendo parte do problema, quando na realidade eles são parte da solução.

Iniciativo almeja ser famoso, acabativo quer ser útil.

Mas a verdade é que a maioria dos intelectuais e iniciativos não tem o estômago para devotar uma vida inteira para fazer dia após dia, digamos bicicletas. O iniciativo vive mudando, testando, procurando coisas novas, e acaba tendo uma vida muito mais rica, mesmo que seja menos rentável.

Por isso, a esquerda intelectual e a direita neoliberal conviverão as turras, quando deveriam unir-se.

Se você tem iniciativa mas não tem acabativa, faça correndo um curso de administração ou tenha como sócio um acabativo. Há um ditado chinês, “Quem sabe e não faz, no fundo, não sabe” – muito apropriado para os dias de hoje.

Se você tem acabativa mas não tem iniciativa, faça um curso de criatividade, estude um pouco de teoria. Empresário que se vangloria de nunca ter estudado não serve de modelo.

No fundo, a esquerda precisa da acabativa da direita, e a direita precisa das iniciativas da esquerda.

Finalmente, se você não tem iniciativa nem tampouco acabativa, só se pode dizer uma coisa: meus pêsames.

M a r t h a
martha carrer cruz gabriel

Imaginação

Albert Einstein

Um senhor muito rico vai a caça na África e leva consigo um cachorrinho para não se sentir tão só naquelas regiões.

Um dia, já na expedição, o cachorrinho começa a brincar de caçar mariposas e quando se dá conta já está muito longe do grupo do safari.

Nisso vê que vem perto uma pantera correndo em sua direção.

Ao perceber que a pantera irá devorá-lo, pensa rápido no que fazer.

Vê uns ossos de um animal morto e se coloca a mordê-los.

Então, quando a pantera está a ponto de atacá-lo, o cachorrinho diz:

— “Ah, que delícia esta pantera que acabo de comer !”

A pantera pára bruscamente e sai apavorada correndo do cachorrinho e vai pensando :

— “Que cachorro bravo ! Por pouco não come a mim também !”

Um macaco que estava trepado em uma árvore perto e que havia visto a cena, sai correndo atrás da pantera para lhe contar como ela foi enganada pelo cachorro.

Mas o cachorrinho percebe a manobra do macaco.

O macaco alcança a pantera e lhe conta toda a história.

Então, a pantera furiosa diz :

— “Cachorro maldito ! Me vai pagar ! Agora vamos ver quem come a quem !”

— “Depressa !”, disse o macaco.”Vamos alcançá-lo”

E saem correndo para buscar o cachorrinho.

O cachorrinho vê que a pantera vem atrás dele de novo e desta vez traz o macaco montado em suas costas.

— “Ah, macaco desgraçado ! O que faço agora ?” – Pensou o cachorrinho.

O cachorrinho ao invés de sair correndo, fica de costas como se não estivesse vendo nada, e quando a pantera está a ponto de atacá-lo de novo,o cachorrinho diz :

— “Maldito Macaco preguiçoso ! Faz meia hora que eu o mandei me trazer uma outra pantera e ele ainda não voltou !” “Em momentos de crise, só a imaginação é mais importante que o conhecimento”

Colaboração: Renato Antunes Oliveira

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