Categoria: Histórias (Page 37 of 111)

Os Três Conselhos

Um casal de jovens recém-casados, era muito pobre e vivia de favores num sítio do interior.

Um dia o marido fez a seguinte proposta a esposa :

— Querida eu vou sair de casa, vou viajar para bem longe, arrumar um emprego e trabalhar até ter condições para voltar e dar-te uma vida mais digna e confortável. Não sei quanto tempo vou ficar longe, só peço uma coisa, que você me espere e, enquanto estiver fora, seja fiel a mim, pois eu serei fiel a você.

Assim sendo o jovem saiu.

Andou muitos dias a pé, até que encontrou um fazendeiro que estava precisando de alguém para ajudá-lo em sua fazenda.

O jovem chegou e ofereceu-se para trabalhar, no que foi aceito.

Pediu para fazer um pacto com o patrão, o que também foi aceito.

O pacto seria o seguinte :

— Me deixe trabalhar pelo tempo que eu quiser e quando eu achar que devo ir, o Senhor me dispensa das minhas obrigações. Eu não quero receber o meu salário. Peço que o Senhor o coloque na poupança, até o dia em que eu for embora. – No dia em que eu sair o Senhor me dá o dinheiro e eu sigo o meu caminho.

Tudo combinado.

Aquele jovem trabalhou durante vinte anos, sem férias e sem descanso.

Depois de vinte anos chegou para o patrão e disse :

— Patrão, eu quero o meu dinheiro, pois estou voltando para a minha casa.

O patrão então lhe respondeu :

— Tudo bem, afinal, fizemos um pacto e vou cumpri-lo, só que antes, quero lhe fazer uma proposta, tudo bem? Eu lhe dou todo o seu dinheiro e você vai embora ou eu lhe dou três conselhos e não lhe dou o dinheiro e você vai embora. Se eu lhe der o dinheiro eu não lhe dou os conselhos e se eu lhe der os conselhos eu não lhe dou o dinheiro. Vá para o seu quarto, pense e depois me de a resposta.

Ele pensou durante dois dias, procurou o patrão e disse-lhe :

— Quero os três conselhos.

O patrão novamente frisou :

— Se lhe der os conselhos, não lhe dou o dinheiro.

E o empregado respondeu :

— Quero os conselhos.

O patrão então lhe falou :

  1. Nunca tome atalhos em sua vida, caminhos mais curtos e desconhecidos podem custar a sua vida;
  2. Nunca seja curioso para aquilo que é mal, pois a curiosidade para o mal pode ser mortal;
  3. Nunca tome decisões em momentos de ódio ou de dor, pois você pode se arrepender e ser tarde demais.

Após dar os conselhos, o patrão disse ao rapaz, que já não era tão jovem assim:

— Aqui você tem três pães, dois para você comer durante a viagem e o terceiro é para comer com sua esposa quando chegar a sua casa.

O homem então, seguiu seu caminho de volta, depois de vinte anos longe de casa e da esposa que ele tanto amava.

Após o primeiro dia de viagem, encontrou um andarilho que o cumprimentou e lhe perguntou :

— Pra onde você vai ?

Ele respondeu :

— Vou para um lugar muito distante que fica a mais de vinte dias de caminhada por esta estrada.

O andarilho disse-lhe então :

— Rapaz, este caminho é muito longo, eu conheço um atalho que “é dez” e você chega em poucos dias.

O rapaz contente, começou a seguir pelo atalho, quando lembrou-se do primeiro conselho, então voltou e seguiu o caminho normal.

Dias depois soube que o atalho levava a uma emboscada.

Depois de alguns dias de viagem, cansado ao extremo, achou uma pensão à beira da estrada, onde pôde hospedar-se.

Pagou a diária e após tomar um banho deitou-se para dormir.

De madrugada acordou assustado com um grito estarrecedor.

Levantou-se de um salto só e dirigiu-se à porta para ir até o local do grito.

Quando estava abrindo a porta, lembrou-se do segundo conselho.

Voltou, deitou-se e dormiu.

Ao amanhecer, após tomar o café, o dono da hospedagem lhe perguntou se ele não havia ouvido um grito e ele disse que tinha ouvido.

O hospedeiro disse :

E você não ficou curioso? ele disse que não.

No que o hospedeiro respondeu :

— Você é o primeiro hóspede a sair vivo daqui, pois meu filho tem crises de loucura; grita durante a noite e quando o hospede sai, mata-o e enterra-o no quintal.

O rapaz prosseguiu na sua longa jornada, ansioso por chegar a sua casa.

Depois de muitos dias e noites de caminhada…

Já ao entardecer, viu entre as árvores a fumaça de sua casinha, andou e logo viu entre os arbustos a silhueta de sua esposa.

Estava anoitecendo , mas ele pôde ver que ela não estava só.

Andou mais um pouco e viu que ela tinha entre as pernas, um homem a quem estava acariciando os cabelos.

Quando viu aquela cena, seu coração se encheu de ódio e amargura e decidiu-se a correr de encontro aos dois e a matá-los sem piedade.

Respirou fundo, apressou os passos, quando lembrou-se do terceiro conselho.

Então parou, refletiu e decidiu dormir aquela noite ali mesmo e no dia seguinte tomar uma decisão.

Ao amanhecer, já com a cabeça fria ele disse :

— Não vou matar minha esposa e nem o seu amante. Vou voltar para o meu patrão e pedir que ele me aceite de volta. Só que antes, quero dizer a minha esposa que eu sempre fui fiel a ela.

Dirigiu-se à porta da casa e bateu.

Quando a esposa abre a porta e o reconhece, se atira ao seu pescoço e o abraça afetuosamente.

Ele tenta afastá-la, mas não consegue.

Então com lágrimas nos olhos, lhe diz :

— Eu fui fiel a você e você me traiu…

Ela espantada lhe responde :

Como? Eu nunca te trai, esperei durante esses vinte anos.

Ele então lhe perguntou :

— E aquele homem que você estava acariciando ontem ao entardecer ?

E ela lhe disse :

— Aquele homem é nosso filho. Quando você foi embora, descobri que estava grávida. Hoje ele está com vinte anos de idade.

Então o marido entrou, conheceu, abraçou seu filho e contou-lhes toda a sua história, enquanto a esposa preparava o café.

Sentaram-se para tomá-lo e comer juntos o último pão.

Após a oração de agradecimento, com lágrimas de emoção, ele parte o pão e ao abri-lo, encontra todo o seu dinheiro, o pagamento por seus vinte anos de dedicação.

Muitas vezes achamos que o atalho “queima etapas” e nos faz chegar mais rápido, o que nem sempre é verdade…

Muitas vezes somos curiosos, queremos saber de coisas que nem ao menos nos dizem respeito e que nada de bom nos acrescentará…

Outras vezes, agimos por impulso, na hora da raiva, e fatalmente nos arrependemos depois…

Espero que você, assim como eu, não se esqueça desses três conselhos e não se esqueça também, de CONFIAR (mesmo que a vida muitas vezes já tenha te dado motivos para a desconfiança).

Colaboração: Renato Antunes Oliveira

Os Sentimentos

Era uma vez uma linda ilha, onde moravam os seguintes sentimentos : a Alegria, a Tristeza, a Vaidade, a Sabedoria, o Amor e outros.

Um dia avisaram a todos o moradores dessa ilha que ela seria inundada.

Apavorado, o Amor cuidou para que todos os sentimentos se salvassem.

Todos correram e pegaram seus barquinhos, para irem a um morro bem alto.

Só o Amor não se apressou pois queria ficar um pouco mais em sua ilha.

Quando já estava quase afogando, correu para pedir ajuda.

Estava passando a Riqueza e ele disse :

— Riqueza, me leva com você?

— Não posso, meu barco está cheio de prata e ouro e você não vai caber.

Passou então a Vaidade e ele pediu :

— Oh!, Vaidade me leva com você?

— Não posso, você vai sujar meu barco.

Logo atrás vinha a Tristeza.

— Tristeza, posso ir com você?

— Ah… Amor, eu estou tão triste que prefiro ir sozinha.

Passa a Alegria que estava tão alegre que nem ouviu o Amor chamar por ela.

Já desesperado, achando que iria ficar só, o Amor começou a chorar.

Então passou um barquinho onde estava um velhinho e ele disse :

— Sobe, Amor que eu te levo.

O Amor ficou tão radiante de felicidade, que até se esqueceu de perguntar o nome do velhinho.

Chegando ao morro onde estavam os sentimentos, o Amor perguntou a

Sabedoria :

— Sabedoria, quem era o velhinho que me trouxe até aqui ?

— O nome do velhinho é o Tempo.

— O Tempo ? Mas porque só o Tempo me trouxe até aqui ?

PORQUE SÓ O TEMPO É CAPAZ DE AJUDAR E ENTENDER UM GRANDE AMOR.

Colaboração: Renato Antunes Oliveira

Os Sapos

Havia na Sapolândia três sapinhos que estavam passeando pela floresta.

De repente, caíram numa panela cheia de leite.

Assim que começaram a se debater, todos os outros sapos da Sapolândia foram ver o que estava acontecendo, pois estava uma algazarra na floresta.

Foi aí que morreu o primeiro sapo.

A Sapolândia toda começou a gritar :

— Parem de se debater, é melhor morrer descansado do que se debatendo! – Diziam uns.

— Vão morrer mesmo ! – Diziam outros.

Foi então que morreu o segundo sapinho.

Os demais sapos tentavam, em vão, fazer o terceiro sapinho desistir de se debater.

Mas quanto mais eles falavam, mais o sapinho se debatia.

E foi se debatendo, debatendo e debateu-se tão vigorosamente que, de repente, o leite da panela virou manteiga e o sapinho se salvou.

Espantados com tamanha proeza, os cientistas da Sapolândia foram estudar o sapinho.

Sabe o que descobriram ?

O SAPO ERA SURDO!

Ou seja, não se deixou contaminar pelo negativismo dos outros, porque não podia ouvir; e assim, pode se salvar.

Colaboração: Renato Antunes Oliveira

Os relacionamentos são como uma plantinha.

Texto extraído do Livro: Liberdade de Ser, Autora: Eliane de Araujoh

Depois que a plantinha morre, não adianta olharmos para ela e pedirmos perdão por termos esquecido de aguá-la.

O amor é uma planta delicada que precisa de constante atenção. As brigas fazem com que as folhas sejam arrancadas com violência. Quando só sobrar o caule e a planta não tiver mais por onde respirar, ela morre.

O namoro é essencial para o relacionamento. “Casal que dá certo namora!”. Por orgulho ou até preguiça, desperdiçamos aqueles que poderiam ser os momentos mais importantes de nossas vidas.

Há quanto tempo você não segura a mão da pessoa amada?

Há quanto tempo não se olham nos olhos, sentindo aquele alguém especial que você conheceu um dia?

Há quanto tempo dos seus lábios não saem as palavras “eu amo você”?

Há quanto tempo suas mãos não sentem a leveza de presentear com uma flor?

Há quanto tempo você não se perfuma ou se pinta ou se veste de uma maneira especial para conquistar o seu amor?

Por que não tomar a atitude de uma reconquista?

Reconquistar a pessoa amada, sim. Ou será que você até já esqueceu que ama? Precisará a vida separá-los, como acontecerá inevitavelmente um dia para acordá-lo do torpor da rotina?

Que tal colocar um bilhete escondido no sapato dele ou dela, dizendo: – Ei! Você é especial para mim. Ou no espelho do banheiro: – Eu amo você! Você se lembra do último beijo apaixonado que deu em seu amor, ou permitiu que o fantasma da rotina e preocupações encobrissem aqueles sentimentos tão especiais?

Você terá a coragem de assumir a sua distração e assumir a atitude da reconquista? Conseguirá superar o teu orgulho e tua vaidade de olhar nos olhos do ser amado e soar palavras sinceras de amor, já esquecidas?

De sugerir um passeio ao luar ou ao cinema e pegar novamente com delicadeza em suas mãos como faziam antes? Ser romântico é extravasar a sensibilidade da alma através de gestos sutis, leves e poéticos.

A única coisa que levamos desta vida são as experiências vividas. Ser romântico não é ser “cafona”. Ser romântico é extravasar a sensibilidade da alma através de gestos sutis, leves e poéticos.

Antes de ler estas palavras, você poderia me dizer que não havia pensado nisto. E agora? O que fará a respeito?

Os problemas

Por Aldo Novak

No dia em que escrevo este texto, há no planeta Terra, aproximadamente, 6.543.245.168 pessoas de acordo com o World Population Clock , incluindo os nascimentos e subtraindo as mortes. Sabe quantas destas pessoas não têm problemas?

Nenhuma.

Muda o idioma, muda a idade, muda o sexo, muda o nível econômico, muda a natureza do problema e mudam todas as outras condições, mas há uma constante que jamais muda : problemas sempre existem. Grandes ou pequenos, simples ou complexos, dolorosos ou sem importância. Eles são diferentes para cada pessoa, mas estão lá. Estão sempre lá. Mesmo que uma pessoa não tenha consciência dos problemas (e algumas pessoas, realmente, não têm), os problemas continuam esparramados em nossas vidas.

Problema é, simplesmente, o nome que nós damos ao fato das circunstâncias ao nosso redor estarem diferentes do que desejamos . Um problema é sempre uma situação a ser mudada ou, pelo menos, uma situação que você deseja que seja diferente. Um problema também pode ser um comportamento , a ser corrigido.

Você precisa saber apenas duas coisas essenciais sobre os problemas: a primeira é que problemas são como espinhos em uma rosa . Se você deseja a rosa, é bom ir se acostumando com os espinhos. Eles fazem parte da rosa .

Se você ama alguém, essa pessoa sempre trará ‘espinhos’, geralmente de ordem comportamental. Embora muitos espinhos comportamentais possam ser aparados, e corrigidos com o tempo, muitos deles nunca desaparecerão. Considere que você continuará com os espinhos por muito tempo, talvez para sempre, e entenda que eles fazem parte do conjunto.

Naturalmente, se você julga os espinhos inaceitáveis, procure outra ‘rosa’. Vícios, geralmente, estão na categoria de espinhos inaceitáveis, embora o próprio conceito de ‘aceitável’ e ‘inaceitável’ também seja diferente, de pessoa para pessoa.

Ainda assim, há espinhos que causam mais dor do que você pode suportar. Nestes casos, não vale a pena manter a rosa.

Isso vale para pessoas e empresas. Não é raro uma multinacional abandonar uma região quando o crime, a guerra ou a insegurança jurídica tomam conta. São espinhos inaceitáveis para uma empresa.

Sabendo disso, compreenda que você é totalmente responsável pelos problemas se aceitar a rosa . Em outras palavras, não adianta dizer que não tem culpa pelos problemas, se você já conhecia os espinhos antes de obter a rosa.

A segunda coisa que você deve entender, sobre os problemas, é que em uma empresa, ou em casa, problemas são como formigas . Estão em toda parte. Sempre começam pequenos, mas ao contrário das formigas, alguns deles tendem a crescer sem parar . Deixam de ser formigas para se transformarem em cachorros… depois continuam a crescer e viram ursos… e um dia você estará seguindo cegamente as ordens dadas pelos problemas que começaram há muitos anos… muito pequenos.

Se você é como a grande maioria da população mundial, você tem milhares de problemas minúsculos, centenas de problemas chatos, embora pequenos, dezenas de problemas grandes que atrapalham muito e, talvez, pelo menos meia dúzia de problemas inaceitáveis, que cresceram com o tempo e agora estão paralisando partes da sua vida.

Só há uma coisa a fazer: resolver os problemas, um-a-um. Não adianta ‘torcer’ para que o problema desapareça. Você deve jogar um foco de luz sobre a área problemática, pegar o touro à unha, resolver aquele problema e sentir-se mais leve e feliz, para atacar o próximo problema da lista. Se o problema grande for de saúde, as variáveis são muito mais amplas e nem sempre dependem apenas de você.

Mas os celtas estavam corretos ao afirmarem que ‘ o melhor jeito de escapar de um problema é resolvendo-o ‘. Depois de algum tempo, você vai se acostumar e gostar de resolver os problemas.

As formigas até estarão lá. Mas os cachorros e ursos tenderão a ficar bem longe. E, quando aparecerem, você estará preparado.

Os porcos-espinho

Durante a era glacial, muitos animais morriam por causa do frio.

Os porcos espinhos, percebendo esta situação, resolveram se juntar em grupos, assim se agasalhariam e se protegeriam mutuamente.

Mas os espinhos de cada um feriam os companheiros mais próximos, justamente os que forneciam calor. E, por isso, eles tornaram a se afastar uns dos outros, voltando assim a morrer congelados.

Precisavam fazer uma escolha urgentemente. Desapareceriam também da face da terra morrendo todos congelados, ou aceitavam os espinhos de seus semelhantes?

Com sabedoria, decidiram voltar e ficar juntos. Aprenderam assim, a conviver com as pequenas feridas que uma relação muito próxima podia causar, já que o mais importante era o calor um do outro.

Sobreviveram…

O melhor relacionamento não é aquele que reúne membros perfeitos, mas aquele onde cada um aceita os defeitos do outro e consegue perdão pelos próprios defeitos.

“Aqueles que nos são mais próximos são os que mais machucamos.”

Os Poemas

Mário Quintana

Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto
alimentam-se um instante em cada par de mãos
e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti…

O sotaque das mineiras

F.P.B. Netto

O sotaque das mineiras deveria ser ilegal, imoral ou engordar.Afinal,se tudo que é bom tem um desses horríveis efeitos colaterais, como é que o falar, sensual e lindo das moças de Minas ficou de fora?

Porque, Deus, que sotaque! Mineira devia nascer com tarja preta avisando: “ouvi-la faz mal à saúde”. Se uma mineira, falando mansinho, me pedir para assinar um contrato doando tudo que tenho, sou capaz de perguntar: “só isso?”. Assino, achando que ela me faz um favor.

Eu sou suspeitíssimo. Confesso: esse sotaque me desarma. Certa vez quase propus casamento a uma menina que me ligou por engano, só pelo sotaque.

Os mineiros têm um ódio mortal das palavras completas… Preferem, sabe-se lá por que, abandoná-las no meio do caminho. Não dizem: pode parar, dizem: “pó parar” Não dizem: onde eu estou?, dizem: “onde queu tô.”

Os não-mineiros, ignorantes nas coisas de Minas, supõem, precipitada e levianamente, que os mineiros vivem – lingüisticamente falando – apenas de uais, trens e sôs.

Digo-lhes que não. Mineiro não fala que o sujeito é competente em tal ou qual atividade. Fala que ele é bom de serviço. Pouco importa que seja um juiz, um jogador de futebol ou um ator de filme pornô. Se der no couro – metaforicamente falando, claro – ele é bom de serviço. Faz sentido…

Mineiras não usam o famosíssimo tudo bem. Sempre que duas mineiras se encontram, uma delas há de perguntar pra outra: “cê tá boa?” Para mim, isso é pleonasmo. Perguntar para uma mineira se ela tá boa é desnecessário. …

Há outras. Vamos supor que você esteja tendo um caso com uma mulher casada. Um amigo seu, se for mineiro, vai chegar e dizer: – Mexe com isso não, sô (leia-se: sai dessa, é fria, etc..) O verbo “mexer”, para os mineiros, tem os mais amplos significados. Quer dizer, por exemplo, trabalhar. Se lhe perguntarem com o que você mexe, não fique ofendido. Querem saber o seu ofício.

Os mineiros também não gostam do verbo conseguir. Aqui ninguém consegue nada. Você não dá conta. Sôcê (se você) acha que não vai chegar a tempo, você liga e diz: “- Aqui, não vou dar conta de chegar na hora, não, sô.”

Esse “aqui” é outra delícia que só tem aqui. É antecedente obrigatório, sob pena de punição pública, de qualquer frase. É mais usada, no entanto, quando você quer falar e não estão lhe dando muita atenção: é uma forma de dizer “olá, me escutem, por favor”. É a última instância antes de jogar um pão de queijo na cabeça do interlocutor.

Mineiras não dizem “apaixonado por”. Dizem, sabe-se lá por que, “apaixonado com”. Soa engraçado aos ouvidos forasteiros. Ouve-se a toda hora: “Ah, eu apaixonei com ele…”. Ou: “sou doida com ele” (ele, no caso, pode ser você, um carro, um cachorro).

Eu preciso avisar à língua portuguesa que gosto muito dela, mas prefiro, com todo respeito, a mineira. Nada pessoal. Aqui certas regras não entram. São barradas pelas montanhas.

Por exemplo: em Minas, se você quiser falar que precisa ir a um lugar, vai dizer: – “Eu preciso de ir.” Onde os mineiros arrumaram esse “de”, aí no meio, é uma boa pergunta.. Só não me perguntem! Mas que ele existe, existe. Asseguro que sim, com escritura lavrada em cartório.

No supermercado, o mineiro não faz muitas compras, ele compra um tanto de coisa. O supermercado não estará lotado, ele terá um tanto de gente. Se a fila do caixa não anda, é porque está agarrando lá na frente. Entendeu? Agarrar é agarrar, ora!

Se, saindo do supermercado, a mineirinha vir um mendigo e ficar com pena, suspirará :”- Ai, gente, que dó.”

É provável que a essa altura o leitor já esteja apaixonado pelas mineiras… Não vem caçar confusão pro meu lado! Porque, devo dizer, mineiro não arruma briga, mineiro “caça confusão”. Se você quiser dizer que tal sujeito é arruaceiro, é melhor falar, para se fazer entendido, que ele “vive caçando confusão”.

Ah, e tem o “Capaz….” Se você propõe algo a uma mineira, ela diz: “capaz” !!! Vocês já ouviram esse “capaz”? É lindo. Quer dizer o quê? Sei lá, quer dizer “ce acha que eu faço isso”!? com algumas toneladas de ironia.. Se você ameaçar casar com a Gisele Bundchen, ela dirá: “ô dó dôcê”. Entendeu? Não? Deixa para lá.

É parecido com o “nem..”.Já ouviu o “nem…”?

Completo ele fica: “- Ah, nem….” O que significa? Significa, amigo leitor, que a mineira que o pronunciou não fará o que você propôs de jeito nenhum. Mas de jeito nenhum. Você diz: “Meu amor, cê anima de comer um tropeiro no Mineirão?”.

Resposta: “nem….” Ainda não entendeu? Uai, nem é nem. Leitor, você é meio burrinho ou é impressão?

Preciso confessar algo: minha inclinação é para perdoar, com louvor, os deslizes vocabulares das mineiras. Aliás, deslizes nada. Só porque aqui a língua é outra, não quer dizer que a oficial esteja com a razão.

Se você, em conversa, falar: “Ah, fui lá comprar umas coisas…”.. – Que” s coisa? – ela retrucará. O plural dá um pulo. Sai das coisas e vai para o “que”!

Ouvi de uma menina culta um “pelas metade”, no lugar de “pela metade”. E se você acusar injustamente uma mineira, ela, chorosa, confidenciará :

— Ele pôs a culpa “ni mim”.

A conjugação dos verbos tem lá seus mistérios, em Minas… Ontem, uma senhora docemente me consolou: “preocupa não, bobo!”.. E meus ouvidos, já acostumados às ingênuas conjugações mineiras. nem se espantam. Talvez se espantassem se ouvissem um: “não se preocupe”, ou algo assim. Fórmula mineira é sintética. e diz tudo.

Até o tchau, em Minas, é personalizado. Ninguém diz tchau, pura e simplesmente. Aqui se diz: “tchau pro cê”, “tchau pro cês”. É útil deixar claro o destinatário do tchau…

Felipe Peixoto Braga Netto (1973) afirma que não é jornalista, não é publicitário, nunca publicou crônicas ou contos – não é, enfim, literariamente falando, muita coisa, segundo suas próprias palavras. Paulistano, mora em Belo Horizonte e ama Minas Gerais. Ele diz que nunca publicou nada, mas a crônica que abaixo foi extraída do livro “As coisas simpáticas da vida”, Landy Editora, São Paulo (SP) – 2005, pág. 82.

O Sono das Águas

Guimarães Rosa

Há uma hora certa,
no meio da noite,
uma hora morta,
em que a água dorme.
Todas as águas dormem:
no rio,
na lagoa,
no açude,
no brejão,
nos olhos d’água,
nos grotões fundos.

E quem ficar acordado,
na barranca,
a noite inteira,
há de ouvir a cachoeira
parar a queda e o choro,
que a água foi dormir…

Águas claras,
águas barrentas,
sonolentas,
todas vão cochilar.

Dormem gotas,
caudais,
seivas das plantas,
fios brancos,
torrentes.
O orvalho sonha nas placas das folhagens
e adormece.

Até a água fervida,
nos copos de cabeceira dos agonizantes…

Mas nem todas dormem,
nessa hora de torpor líquido e inocente.

Muitos hão de estar vigiando,
e chorando , a noite toda,
porque a água dos olhos
Essa… nunca tem sono…

O Soldado

Esta historia é sobre um soldado que finalmente estava voltando para casa depois de ter lutado no Vietnã.

Ele ligou para seus pais em São Francisco :

— Mãe, Pai, eu estou voltando para casa, mas, eu tenho um favor a pedir.

Eu tenho um amigo que eu gostaria de trazer comigo.

— Claro, eles responderam, nos adoraríamos conhece-lo !!!!

— Há algo que vocês precisam saber – contínuou o filho – ele foi terrivelmente ferido na luta; ele pisou em uma mina e perdeu um braço e uma perna.

Ele não tem nenhum lugar para ir e, por isso, eu quero que ele venha morar conosco.

— Eu sinto muito em ouvir isso filho, nos talvez possamos ajuda-lo a encontrar um lugar para ele morar.

— Não, mamãe e papai, eu quero que ele venha morar conosco.

— Filho, disse o pai, você não sabe o que esta pedindo.

Alguém com tanta dificuldade seria um grande fardo para nós.

Nós temos nossas próprias vidas e não podemos deixar que uma coisa como esta interfira em nosso modo de viver.

Acho que você deveria voltar para casa e esquecer este rapaz.

Ele encontrara uma maneira de viver por si mesmo.

Neste momento, o filho bateu o telefone.

Os pais não ouviram mais nenhuma palavra dele.

Alguns dias depois, no entanto, ele receberam um telefonema da policia de São Francisco.

O filho deles havia morrido depois de ter caído de um prédio.

A policia acreditava em suicídio.

Os pais angustiados voaram para São Francisco e foram levado para o necrotério a fim de identificar o corpo do filho.

Eles o reconheceram, mas, para o seu horror, descobriram algo que desconheciam: o filho deles tinha apenas um braço e uma perna.

Os pais, nesta historia são como muitos de nos.

Achamos fácil amar aqueles que são bonitos ou divertidos, mas, não gostamos das pessoas que nos incomodam ou nos fazem sentir desconfortáveis.

De preferencia, ficamos longe destas e de outras que não são saudáveis, bonitas ou espertas como nos somos.

Graças a DEUS, ha alguém que não nos trata desta maneira.

Alguém que nos ama com um amor incondicional, que nos acolhe dentro de uma só família.

Esta noite, antes de nos recolhermos, façamos uma pequena prece para que DEUS nos de a força que precisamos para aceitar as pessoas como elas são, e ajudar a todos a compreender aqueles que são diferentes de nos.

Há um milagre chamado AMIZADE, que mora em nosso coração.

Você não sabe como ele acontece ou quando surge.

Mas, você sabe que este sentimento especial aflora e você percebe que a Amizade e o presente mais precioso de Deus.

Amigos são como jóias raras.

Eles fazem você sorrir e lhe encorajam para o sucesso.

Eles nos emprestam um ouvido, compartilham uma palavra de incentivo e estão sempre com o coração aberto para nós.

Colaboração: Renato Antunes Oliveira

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