Categoria: Histórias (Page 55 of 111)

Lençol Sujo

Um casal, recém-casados, mudou-se para um bairro muito tranqüilo. Na primeira manhã que passavam na casa, enquanto tomavam café, a mulher reparou através da janela em uma vizinha que pendurava lençóis no varal e comentou com o marido:

— Que lençóis sujos ela está pendurando no varal! – Está precisando= de um sabão novo. Se eu tivesse intimidade perguntaria se ela quer que eu a ensine a lavar as roupas!

O marido observou calado.

Alguns dias depois, novamente, durante o café da manhã, a vizinha pendurava lençóis no varal e a mulher comentou com o marido:

— Nossa vizinha continua pendurando os lençóis sujos! Se eu tivesse intimidade perguntaria se ela quer que eu a ensine a lavar as roupas!

E assim, a cada dois ou três dias, a mulher repetia seu discurso, enquanto a vizinha pendurava suas roupas no varal.

Passado um mês a mulher se surpreendeu ao ver os lençóis muito brancos sendo estendidos, e empolgada foi dizer ao marido:

— Veja, ela aprendeu a lavar as roupas, Será que a outra vizinha ensinou??? Porque eu não fiz nada.

O marido calmamente respondeu:

— Não, hoje eu levantei mais cedo e lavei os vidros da nossa janela! E assim é.

Tudo depende da janela, através da qual observamos os fatos. Antes de criticar, verifique se você fez alguma coisa para contribuir; verifique seus próprios defeitos e limitações.

Devemos olhar, antes de tudo, para nossa própria casa, para dentro de nós mesmos.

Só assim poderemos ter real noção do real valor de nossos amigos. Lave sua vidraça. Abra sua janela.

Lenço Amarelo

Este é um texto de Moacir Simões, foi lido por Olga Bongiovanni no programa de 29 de março de 2001.

Era uma vez um jovem que se encontrava em um trem e mostrava-se muito ansioso, nervoso e caminhava de um lado para o outro.

Então um senhor que já a algum tempo o observava disse-lhe:

— Rapaz, por que estás tão inquieto?

O rapaz respondeu:

— Não adianta contar-lhe pois não podes me ajudar. E continuou ansioso, andando de um lado para o outro.

O senhor, mais uma vez tentou conversar com ele dizendo:

Meu rapaz, conte-me o que está te angustiando tanto. Talvez eu possa te ajudar.

Então o jovem falou:

— Há muito tempo atrás deixei meu pai, minha casa e fui morar longe. Tentar uma vida independente, mas, agora resolvi voltar e então escrevi, pedindo para meu pai receber-me de volta e avisei-lhe que estaria nesse trem. Se ele concordasse com minha volta, pedi que amarrasse um lenço amarelo em um galho bem alto da árvore que fica na frente da casa. Agora, o que está me angustiando é que estou chegando e tenho receio de que não tenha nenhum lenço, então saberei que ele não me perdoou e assim, seguirei em viagem.

O senhor, então lhe falou:

— Fique tranqüilo que eu ficarei na janela e olharei prá você.

Quando se aproximou do lugar onde o rapaz morava, o senhor colocou-se na janela.

Passando o trem, o rapaz perguntou:

— E então? Vês um lenço amarelo na árvore?

O homem respondeu:

— Não. Eu não vejo um lenço amarelo… Mas, muitos lenços amarelos… Um em cada galho da árvore!!!

Lembremos dos nossos amigos

Na esquina tenho um amigo, nesta grande cidade que não tem fim, os dias passam e as semanas correm, e antes mesmo que perceba, um ano passou. E eu nunca vejo meus velhos amigos, porque a vida é uma corrida rápida e terrível… ele sabe que gosto dele, como nos dias em que batia à sua porta.

E ele batia à minha porta, nós éramos mais jovens, e agora somos homens ocupados, cansados.

Cansados de jogar esse jogo idiota, cansados de tentar ter sucesso. “Amanhã” – digo – vou ligar ao Jim, só para lhe mostrar que penso nele. Mas amanhã vem e amanhã vai, e a distância entre nós cresce e cresce…

Na esquina! O mesmo que a milhas de distância…

“Aqui está o telegrama, senhor. Jim morreu hoje.”

É isso que recebemos e merecemos no fim de contas. Na esquina, um amigo desaparecido.

Colaboração: Lúcia Maria Malta

Lembranças

Um velho sábio chinês estava caminhando por um campo de neve, quando viu uma mulher chorando.

Dirigiu-se a ela e perguntou :

— Porque choras ?

— Porque me lembro do passado, da minha juventude, da beleza que via no espelho… Deus foi cruel comigo por me fazer lembrar.

Ele sabia que, ao recordar a primavera da minha vida, eu sofreria e acabaria chorando.

O sábio, então, em silêncio ficou contemplando o campo de neve, com o olhar fixo em determinado ponto…

A mulher, intrigada com aquela atitude, parou de chorar e perguntou :

— O que estás vendo aí ?

— Eu vejo um campo florido, disse o sábio. Deus foi generoso comigo por me fazer lembrar.

Ele sabia que, no inverno, eu poderia sempre recordar a primavera e sorrir.

Colaboração: Renato Antunes Oliveira

Lei do caminhão de lixo

Um dia peguei um taxi e fomos direto para o aeroporto. Estávamos rodando na faixa certa quando de repente um carro preto saltou do estacionamento na nossa frente.

O motorista do taxi pisou no freio, deslizou e escapou do outro carro por um triz!

O motorista do outro carro sacudiu a cabeça e começou a gritar para nós.

O motorista do taxi apenas sorriu e acenou para o cara.

E eu quero dizer que ele o fez bastante amigavelmente.

Assim eu perguntei: ‘Porque você fez isto? Este cara quase arruína o seu carro e nos manda para o hospital!’

Foi quando o motorista do taxi me ensinou o que eu agora chamo ‘A Lei do Caminhão de Lixo.”

Ele explicou que muitas pessoas são como caminhões de lixo. Andam, por ai,carregadas de lixo, cheias de frustrações, cheias de raiva, e de desapontamento.

À medida que suas pilhas de lixo crescem, elas precisam de um lugar para descarregar, e às vezes descarregam sobre a gente. Não tome isso pessoalmente.

Apenas sorria, acene, deseje-lhes bem, e vá em frente. Não pegue o lixo delas e espalhe sobre outras pessoas no trabalho, em casa, ou nas ruas.

O princípio disso é que pessoas bem sucedidas não deixam os caminhões de lixo estragarem o seu dia.

A vida é muito curta para levantar de manhã com sentimentos ruins, assim… Ame as pessoas que te tratam bem. Ore pelas que não o fazem.

A vida é dez por cento, o que você faz dela e noventa por cento a maneira como você a recebe!” Tenha um ano abençoado, livre de lixo!

Ladrão

Conta uma lenda da região do Punjab, que um ladrão entrou numa Quinta e roubou duzentas cebolas. Antes de conseguir fugir, foi preso pelo dono do lugar, que o levou diante de um juiz. O magistrado pronunciou a sentença: pagar dez moedas de ouro. Mas o homem alegou que era uma multa muito alta, e o juiz, então, resolveu oferecer-lhe mais duas alternativas; receber vinte chibatadas, ou comer as duzentas cebolas. O ladrão resolveu comer as duzentas cebolas. Quando chegou à vigésima-quinta, os seus olhos estavam inchados de tanto chorar, e o estômago queimava como o fogo do inferno. Como ainda faltavam 175, e viu que não aguentava o castigo, pediu para receber as vinte chibatadas.

O juiz concordou. Quando o chicote bateu nas suas costas pela décima vez, ele implorou para que parassem de castiga-lo, porque não suportava a dor. O pedido foi aceite, mas o ladrão teve que pagar as dez moedas de ouro.

— Se tivesses aceitado a multa, terias evitado comer as cebolas, e não sofrias com o chicote – disse o juiz. – Mas preferiste o caminho mais difícil, sem entender que, quando se faz algo errado, é melhor pagar logo e esquecer o assunto.

Jornada

Paulo Roberto Gaefke

Este é o começo de uma jornada que vai durar a vida inteira…

É assim a grande luta da vida, o combate que dura para sempre, seja contra o alcoolismo, contra o tabagismo, a obesidade, a anorexia, a bulimia, o gasto compulsivo, as más tendências, seja a de mentir, de adorar um fuxico, de contar vantagem, o orgulho, a vaidade excessiva, a inveja negativa, ou seja, todas as nossas inclinações para o vício demoram mais do que ao tempo que a maioria está disposta a gastar no combate.

Por isso muitos fracassam, o ex-fumante volta a fumar, o ex-alcoólatra escorrega no primeiro copo, o mentiroso conta uma mentirinha, o gastador não resiste a liquidação, o obeso ataca a geladeira depois de mais de 2 meses de dieta de esquimó, o bulímico volta a ter crises. O segredo está em não subestimar o inimigo, seja ele o menor dos vícios, para quem vive o problema é algo maior que a compreensão humana.

Se hoje é o dia que você decidiu exterminar o vício que te prende ao mesmo lugar de sempre, da bebida ao cigarro, da obesidade à anorexia, não importa, hoje você é o dono da sua vontade, é quem manda, mas tem que saber que começa uma longa jornada, que vai perdurar até o último suspiro da sua vida, por isso, não relaxe, não desdenhe o inimigo, esteja atento, incentive-se, descubra a sua capacidade de vencer, feche os ouvidos para os pessimistas que sempre vão duvidar de você. O mais importante é que você não duvide da sua capacidade.

Hoje, no inicio da sua luta, seja ela qual for, imagine-se subindo na bicicleta pela primeira vez sem rodinhas, seu pai lhe empurrou e você sentiu confiança, a primeira pedalada é tímida, medrosa, desequilibrada, mas depois, vem a segunda, a terceira, e você consegue equilibrar-se e descobre que o melhor da bicicleta é a sensação de poder que você começa a sentir e que nunca mais vai esquecer.

A vitória já é sua, é só acreditar.

Colaboração de Renato J.G.Filho

Jogue fora suas batatas

O professor pediu para que os alunos levassem batatas e uma bolsa de plástico para a aula.

Ele pediu para que separassem uma batata para cada pessoa de quem sentiam mágoas, escrevessem os seus nomes nas batatas e as colocassem dentro da bolsa.

Algumas das bolsas ficaram muito pesadas.

A tarefa consistia em, durante uma semana, levar a todos os lados a bolsa com batatas.

Naturalmente a condição das batatas foi se deteriorando com o tempo.

O incômodo de carregar a bolsa, a cada momento, mostrava-lhes o tamanho do peso espiritual diário que a mágoa ocasiona, bem como o fato de que, ao colocar a atenção na bolsa, para não esquecê-la em nenhum lugar, os alunos deixavam de prestar atenção em outras coisas que eram importantes para eles.

Esta é uma grande metáfora do preço que se paga, todos os dias, para manter a dor, a bronca e a negatividade.

Quando damos importância aos problemas não resolvidos ou às promessas não cumpridas, nossos pensamentos enchem-se de mágoa, aumentando o stress e roubando nossa alegria.

Perdoar e deixar estes sentimentos irem embora é a única forma de trazer de volta a paz e a calma.

Portanto, jogue fora suas “batatas”…

Colaboração: Renato Antunes Oliveira

Jardim da infância

Tudo o que hoje preciso realmente saber, sobre como viver, o que fazer e como ser, eu aprendi no jardim de infância. A sabedoria não se encontrava no topo de um curso de pós-graduação, mas no montinho de areia da escola de todo o dia. Estas são as coisas que aprendi lá:

  • Compartilhe tudo.
  • Jogue dentro das regras.
  • Não bata nos outros.
  • Coloque as coisas de volta onde pegou.
  • Arrume a sua bagunça.
  • Não pegue as coisas dos outros.
  • Peça desculpas quando machucar alguém.
  • Lave as mãos antes de comer.
  • Dê descarga após usar o vaso sanitário.
  • Biscoitos quentinhos e leite frio fazem bem para você.
  • Respeite o outro.
  • Leve uma vida equilibrada: aprenda um pouco, pense, desenhe, pinte, cante, dance, brinque e trabalhe um pouco todos os dias.
  • Tire uma soneca às tardes.
  • Quando sair, cuidado com os carros; dê a mão e fique junto.
  • Repare nas maravilhas da vida.
  • Lembre-se da sementinha no copinho plástico: as raízes descem, a planta sobe e ninguém sabe realmente como ou porque, mas todos somos assim.
  • O peixinho dourado, o hamster, os camundongos brancos e até mesmo a sementinha no copinho plástico, todos morrem. Nós também.

Tudo o que você precisa saber está lá, em algum lugar. A Regra de Ouro é o amor e a higiene básica. Ecologia, política, igualdade, respeito e vida sadia.

Pegue qualquer um desses itens, coloque-o em termos mais adultos e sofisticados e aplique-os à sua vida familiar, ao seu trabalho, ao seu governo ou ao seu mundo e verá como ele é verdadeiro, claro e firme.

Pense como o mundo seria melhor se todos nós, no mundo todo, tivéssemos biscoitos com leite todos os dias, por volta das três da tarde pudéssemos nos deitar, com um cobertorzinho, para uma soneca. Ou se todos os governos tivessem, como regra básica, devolver todas as coisas ao lugar em que elas se encontravam e arrumassem a bagunça ao sair?

E é sempre verdade, não importando a idade: ao sair para o mundo, é sempre melhor dar as mãos e ficar junto.

Isso é virtual?

Rosa Pena

Entro apressada e com muita fome na confeitaria. Escolho uma mesa bem afastada do movimento, pois quero aproveitar a folga para comer e passar um e-mail urgente para meu editor.

Peço uma porção de fritas, um sanduíche de rosbife e um suco de laranja.

Abro o laptop.

Levo um susto com aquela voz baixinha atrás de mim.

“Tia, dá um trocado?”

“Não tenho, menino.”

“Só uma moedinha para comprar um pão.”

“Está bem, compro um para você.”

Minha caixa de entrada está lotada de e-mails. Fico distraída vendo as poesias, as formatações lindas. Ah! Essa música me leva a Londres.

“Tia, pede para colocar margarina e queijo também.”

Percebo que o menino tinha ficado ali.

“Ok, vou pedir, mas depois me deixa trabalhar. Estou ocupadíssima.”

Chega minha refeição e junto com ela meu constrangimento. Faço o pedido do guri, e o garçom me pergunta se quero que mande o garoto .ir à luta.. Meus resquícios de consciência me impedem de dizer sim. Digo que está tudo bem, que o deixe ficar e traga o pedido do menino.

“Tia, você tem internet?”

“Tenho sim, essencial ao mundo de hoje.”

“O que é internet?”

“É um local no computador, onde podemos ver e ouvir muitas coisas, notícias, músicas, conhecer pessoas, ler, escrever, sonhar. Tem de tudo no mundo virtual.”

“E o que é virtual?”

Resolvo dar uma explicação simplificada, na certeza de que ele pouco vai entender e vai me liberar para comer minha deliciosa refeição, sem culpas.

“Virtual é um local que imaginamos, algo que não podemos pegar, tocar. É lá que criamos um monte de coisas que gostaríamos de fazer, criamos nossas fantasias, transformamos o mundo em quase como queríamos que ele fosse.”

“Legal isso. Adoro!”

“Menino, você entendeu o que é virtual?”

“Sim, também vivo neste mundo virtual.”

“Nossa! Você tem computador?”

“Não, mas meu mundo também é desse jeito…virtual. Minha mãe trabalha, fica o dia todo fora, só chega muito tarde, quase não a vejo. Eu fico cuidando do meu irmão pequeno que chora de fome e eu dou água para ele imaginar que é sopa. Minha irmã mais velha sai todo dia, diz que vai vender o corpo, mas não entendo pois ela sempre volta com o corpo. Meu pai está na cadeia há muito tempo, mas sempre imagino nossa família toda junta em casa, muita comida, muitos brinquedos, ceia de Natal, e eu indo ao colégio para virar médico um dia. Isso é virtual, não é tia?”

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